terça-feira, 7 de agosto de 2012

Homai Vyarawalla: A primeira mulher fotojornalista da Índia

Homai Vyarawalla Archive/The Alkazi Collection of Photography
Além de capturar os últimos dias do Império Britânico, Homai Vyarawalla foi uma das principais cronistas visuais da era pós-independência, seguindo a euforia e desilusões de uma nova nação, como a primeira mulher fotojornalista da Índia. Por anos, seu vasto arquivo narrando três décadas de história da Índia receberam menos atenção do que os trabalhos indianos de seus contemporâneos internacionais, Henri Cartier-Bresson e Margaret Bourke-White. Mas recentemente,  uma retrospectiva intitulada "Candid, The Lens and Life of Homai Vyarawalla" realizada no Manhattan’s Rubin Museum of Art fez finalmente uma homenagem a seu trabalho pioneiro.

Nascida em Navsari, Gujarat, em 1913, Vyarawalla aprendeu fotografia com seu namorado Maneckshaw Vyarawalla. A sua formação na Sir J J. School of the Arts, em Mumbai influenciou seu sentido pictórico como as fotografias modernistas que ela conseguia ver nas edições de segunda mão da revista LIFE. Seus primeiros retratos da vida urbana cotidiana e jovens mulheres modernas em Mumbai, mostram essas influências, mas como Vyarawalla era desconhecida e uma mulher, estes foram inicialmente publicadas no Weekly Illustrated e Bombay Chronicle sob o nome de Maneckshaw.

Getty Images / Reprodução
Em 1942 mudou-se para Vyarawalla Delhi para se juntar ao Serviço de Informação Britânico. Lá, ela fotografou um encontro significativo, quando os membros do Congresso votaram a favor da divisão da Índia. Vyarawalla também documentou os rituais da Independência, a construção de barragens e usinas siderúrgicas e as visitas de Estado dos mais famosos nomes na história do século 20, incluindo Mohammed Reza Shah Pahlavi, Martin Luther King, Jr., Ho Chi Minh, Tito e Marshall e os líderes russos Brezhnev e Khruschev. Em 1956 Vyarawalla registrou a primeira entrada de um jovem Dalai Lama na Índia para a TIME-LIFE. Revistas da alta sociedade como Onlooker e Current pediram a ela "imagens de mulheres bonitas." Não surpreendentemente, eles publicaram várias sobre as visitas da rainha Elizabeth I e da primeira-dama dos Estados Unidos Jackie Kennedy.

Mas Vyarawalla também tinha um estilo próprio. Uma vez, enquanto aguardava a Sra. Kennedy emergir para uma sessão de fotos em 1962, um colega de Vyarawalla sussurrou para o fotógrafo: "Ela ainda não está se vestido adequadamente!" Embora Vyarawalla fosse da comunidade Parsi ocidentalizada onde as mulheres também usavam vestidos, na maioria das vezes ela se vestia com um sari durante suas tarefas. O traje formal oferecia respeitabilidade em tempos conservadores, quando ela era a única mulher entre os fotógrafos. Seus colegas, muitos deles jovens, apelidaram-na de "múmia".

Em um tempo em que as fotografias de surpresa eram favorecidas, ela conseguia as melhores fotos, porém era discreta e respeitava a dignidade de seus auntos. Ela capturou seu assunto favorito, Jawaharlal Nehru, que foi primeiro ministro da Índia, em momentos lúdicos e vulneráveis. Ironicamente, suas fotografias mais famosas de Gandhi foram tomadas durante o seu funeral em 1948. Vyarawalla amava o preto e branco, e processava suas próprias imagens e acreditando que a escolha do preto e branco preservava as imagens para a posteridade. E mais do que 50 anos depois, é fácil perceber porquê. 

Texto: Sabeena Gadihoke
Tradução: Cid Costa Neto

Fonte: Time LightBox

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