quinta-feira, 2 de maio de 2013

Assis Horta, pioneiro no registro da classe operária mineira

Exposição revela os primórdios da fotografia de trabalhadores em Minas


Ouro Preto recebe mostra do trabalho de Assis Horta, conhecido por ser pioneiro no registro de representantes da classe operária. Hoje com 95 anos, o fotógrafo foi responsável por registrar um pouco da história mineira, já que manteve um estúdio em Diamantina entre as décadas de 1940 e 1970.

A exposição se divide em três blocos. Um deles traz fotos 3 x 4 ampliadas, feitas para carteiras de trabalho na década de 1940. O outro investiga o retrato fotográfico como gênero. O terceiro reúne imagens de famílias ou grupos de operários. A partir dali, o brasileiro humilde adotou o hábito de frequentar estúdios. Levava esposa, filhos e amigos para se colocarem diante da câmara “com olhar de poder”, observa Guilherme Horta. As poses se inspiram em fotos de diretores de empresas, monarcas e autoridades.

Com o objetivo de situar o visitante no tempo, de modo a promover o entendimento das regras usadas por Assis Horta na década de 1940, a exposição reconstituirá o estúdio do fotógrafo em Diamantina.  

Vencedora do Prêmio Marc Ferrez de Fotografia de 2012, na categoria Reflexão Crítica, a exposição, com curadoria do próprio Guilherme Horta, recupera, por meio de imagens de retratos daqueles tempos, como ocorreu a democratização da linguagem fotográfica naquele período. Após a Consolidação das Leis do Trabalho (C.L.T.), em 1° de maio de 1943, milhares de trabalhadores sentaram diante de uma câmera fotográfica para regularizar o seu registro profissional e aplicar o seu retrato 3x4 na C.T.P.S. – carteira de trabalho e previdência social.

A fotografia, que até então se destinava a retratar a sociedade burguesa, começou a ser descoberta pela classe operária. Foi o instante em que o retrato entrou na vida do trabalhador comum com várias funções: seja para realizar sonhos, dignificar as pessoas, atenuar a saudade, eternizar esse ser humano e mostrar a sua face. A exposição resgata aquele período do início do uso do retrato pela classe operária brasileira após o decreto em 01/05/1943.

Assis Horta com sua câmera de fole (Viver Brasil/Reprodução)
Assis Horta conta que fotografou o Brasil do Oiapoque ao Chuí. Registrou infinitos rostos em 3x4, paisagens urbanas, monumentos e momentos que marcaram o país. “Fotografei a inauguração do Cristo Redentor, em 1931". Nascido em Diamantina, ele trabalhou por mais de três décadas como fotógrafo para os institutos de Patrimônio Histórico estadual e federal. Manteve o estúdio Photo Assis e, com o ofício, criou 10 filhos.  

Horta tinha um método rígido diante da técnica fotográfica. Fazia uma chapa só, o que lhe exigia dedicação e preparo até disparar a máquina. Com sua câmera de fole, com tripé, usando luz natural, que entrava por uma janela lateral no estúdio, com fundo pintado e tapete persa, ele ajudava os clientes a preparar a pose ideal.

A elegância dos modelos nas fotos de Assis Horta tem motivo. Os trabalhadores caprichavam ao posar pela primeira vez. “Eles faziam a barba e penteavam o cabelo, as mulheres se maquiavam”, conta o veterano. A maioria se vestia com apuro para ficar bem na foto. Amante declarado da beleza, o retratista emprestava chapéus, paletós e gravatas a seus clientes, além de incentivar poses. “Uma boa roupa transforma a pessoa, melhora inclusive o rosto”, garante ele, mostrando a foto em que o cidadão, com sorriso discreto, saboreia o momento em que faz pose grã-fino. Ver-se pela primeira vez numa foto gerava surpresa. “Eles diziam: ‘Sou eu mesmo. Fiquei lindo!”, conta Assis.

SERVIÇO:

Exposição “Assis Horta: A Democratização do Retrato Fotográfico”
Abertura: 1º de maio, às 10h, no Centro Cultural e Turístico do Sistema FIEMG
Período de visitação: 1º de maio a 2 de junho de 2013, de segunda a domingo, de 9h às 19h
Entrada gratuita
Mais informações: (31) 3551-3637 


Fonte: Ouropreto.com.br

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