quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O olhar de um fotógrafo tcheco sobre as relações entre dois países

O que pode haver em comum entre dois países tão distantes, Brasil e a República Tcheca (antiga Tchecoslováquia)? 

Jindřich Štreit

O renomado fotógrafo tcheco Jindřich Štreit viajou para o Brasil em 2009 e tentou com sucesso retratar em imagens as ligações entre famílias que fugiram da guerra no Velho Continente e emigraram para o Brasil.

Hoje parte da trabalho está em exposição permanente no Museu de Emigração para o Brasil, na cidade de Náhlov, na República Tcheca, inaugurado em 2011. As fotos foram agrupadas no Livro “Braziliáni z Ceska”, em uma tradução livre “Brasileiros das terras tchecas”. Além desse trabalho no Brasil ele retratou costumes da cultura inglesa, indiana e dos ciganos espalhados pela Europa.


O precursor da emigração tcheca para o Brasil

Parte dessa história começou com a emigração do  empresário de sapatos Jan Antonín Bata. Ele chegou ao Brasil em 1941, depois de passar um tempo nos EUA fugindo da perseguição nazista aos judeus que acometia a Europa. Após comprar vários terrenos e grandes áreas para construção de várias fábricas de sapatos, ele inaugurou a paulista Batatuba (Pai Bata, na língua indígena) e em seguida Mariápolis (SP), Bataguassu (MS) e Batayporã (MS).

Com a possibilidade de emprego e a promessa de um clima agradável e um novo começo, 25 famílias vieram morar nas áreas construídas próximas às fábricas, hoje há muitas personagens para contar parte dessa história e foi essa atmosfera que o fotógrafo Jindřich Štreit tentou captar em suas lentes.

Jindřich herdou do pai o gosto pela fotografia e começou cedo, ele dedica parte de seus trabalhos à documentação do dia-a-dia das pessoas que vivem em vilarejos. Formou-se em pedagogia pela Universidade Palackého de Olomouc e depois fez especialização em fotografia.

Sua busca pela ponte de ligação entre os dois países resultou em surpresa para muitas pessoas que não tinham conhecimento dessa vinculação. Muitas exposições foram feitas em Praga e em outras cidades tchecas. As fotos foram feitas em preto e branco e colorida, porém as em cores prevaleceram na série publicada em livro.

Foram 30 dias viajando pelo Brasil, por São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Nova Petropólis, esta última onde vivem tchecos vindos de Liberec e do norte da Bohemia. Ao todo foram 70 famílias visitadas pelo fotógrafo.


Apaixonado por fotografia, Jindřich diz que a arte de fotografar foi o que ele encontrou na vida de mais belo, além do amor. Através dela, ele diz estar em contato com pessoas, conhecer a relação entre elas e capturar todos esses detalhes, ele costuma recomendar a todos como um atividade para a vida inteira.

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