quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Reuters é criticada por morte de fotógrafo adolescente


A agência de notícias Reuters vem sedo alvo de críticas por ter enviado Molhem Bakarat, um jovem sírio entre 17 e 18 anos, para fotografar um conflito em Aleppo, na última sexta-feira (27), quando acabou morto após rebeldes invadirem e tomarem um hospital estratégico.

Bakarat, que trabalhava como freelancer para a Reuters desde Maio no ano passado. "Ele era muito jovem. Começou a tirar fotos das manifestações com seu telefone celular no início da revolta contra Bashar al-Assad, que se transformou em guerra civil", explicou o sírio Mohammed al-Khatib, que vive em Aleppo e que também atua como jornalista.

Vários profissionais da comunicação manifestaram-se publicamente contra a agência, entre eles Hannah Lucinda Smith, que conhecia pessoalmente o jovem e chorou a sua morte: "Ele perguntava-me muitas vezes se podia trabalhar comigo e eu recusava porque não queria a responsabilidade de ter um rapaz de 17 anos sem experiência em cenários de guerra nos meus ombros", contou, dirigindo-se também, diretamente, à Reuters: "Espero que, se ele morreu a tirar fotografias na esperança de vendê-las à agência, assumam uma responsabilidade para com ele".

Stuart Hughes, jornalista da BBC, chegou a enviar um inquérito à Reuters para averiguar a idade da vítima, se recebia algum tipo de treino para exercer as suas funções e como era pago. A resposta da empresa não foi conclusiva: "Estamos profundamente entristecidos com a morte do Molhem Bakarat. Para proteger os jornalistas que estão no terreno, numa zona perigosa e volátil, pensamos que é inapropriado fazer mais comentários".

As informações são do Jornal de Notícias e Folha de São Paulo.

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