domingo, 27 de dezembro de 2015

Segurança do metrô de São Paulo quebra lente de fotógrafo

Fábio Vieira/R7/Reprodução

O fotógrafo André Lucas Almeida, de 24 anos, acompanhava o protesto dos estudantes contra a reorganização escolar, ocorrido na última segunda-feira (21) em São Paulo, quando teve sua lente quebrada. Segundo Almeida, um dos seguranças do metrô deu um golpe de cassetete no equipamento. O fotógrafo estava dentro da estação da Sé quando houve a agressão.

— Eu dei um passo para trás e o cara veio nas minhas costas e deu uma cassetada na lente e ele estava sem identificação. Eu fui questionar isso e ele disse que se eu estava lá [no protesto] eu estava disposto que acontecesse algo comigo e que eu poderia procurar os meus direitos.

Na sequência, segundo Almeida, o segurança saiu de canto. Ele trocou a lente de máquina e começou a fazer novas fotos, mas foi intimidado pelo agente.

— Do outro lado da catraca estava a Polícia Militar. Ele [segurança] virou para mim e falou: "A minha tropa é maior" e apontou para trás.

Almeida acompanhou o ato desde o Masp e o encerramento foi na estação da Sé do Metrô. Quando os estudantes decidiram que iam fazer um “catracaço” (pular as catracas da estação), ele e outros fotógrafos foram na frente, pagaram passagem e ficaram aguardando o grupo de jovens.

— Peguei meu bilhete único, passei da catraca e fiquei esperando eles passarem. Quando eles começaram a pular, o chefe da segurança falou: “Deixa passar”. Eles viram que era só estudante e deixaram. A atitude foi legal e os alunos não quebraram nada, não teve nenhum vandalismo.

No entanto, segundo o fotógrafo, o grupo logo começou a se dispersar e um dos manifestantes ficou para trás. Quando esse jovem chegou na catraca, ficou com receio de pular.

— Foi quando um segurança que parecia mais exaltado falou: “Ninguém mais pula”. Quando o estudante tentou pular, o segurança começo a dar cassetada nele. Foi quando eu dei um passo pra trás e meu equipamento foi atingido.

Segundo Almeida, foi nesse momento que começou a confusão entre os seguranças e alguns estudantes que ainda estavam por ali. Um vídeo mostra o momento em que um dos jovens é agredido por um agente do metrô. Depois da confusão, o fotógrafo conta que foi novamente intimidado pelo segurança.

— Ele cruzou o braço e me deu uma piscadinha. Perguntou se eu era mesmo da imprensa e pediu para anotar meu nome.

Almeida, que trabalha para a agência Futura Press, relatou que vai fazer um boletim de ocorrência do caso. A lente quebrada, segundo ele, não tem conserto e custa cerca de R$ 3.500.

Procurado, o Metrô informou não ter conhecimento do ocorrido. Em nota, declarou que um “grupo de manifestantes invadiu o sistema metroviário, burlando as catracas da estação Sé. Agentes de Segurança do Metrô, em conjunto com a PM, atuaram para conter o grupo de invasores. Mesmo sem pagar tarifa, alguns manifestantes conseguiram embarcar enquanto outros foram contidos e retirados da estação. A ocorrência está sendo apurada pela Companhia”.

Do R7

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