quarta-feira, 20 de julho de 2016

O futuro do fotojornalismo sem o meio impresso tradicional

Qual é o futuro do fotojornalismo sem o meio impresso tradicional? A resposta está na Rev. Nacional, de J.R.Duran. É uma publicação feita por um fotógrafo e pensada imageticamente para ser informação visual nutritiva para degustação calma e sem a pressa tão característica desse nosso mundo excitado pela internet e pelos onipresentes mobiles.

A ideia para este artigo surgiu ao ler a publicação de Duran e no devaneio, ao tocar com os dedos e com os olhos, diante a beleza estética de uma composição de diagramação, fotografia, textos, impressão e encadernação de um vigor emocionante. Por que digo que a resposta está nessa revista? Primeiro pela qualidade impressionante e pelo posicionamento do Duran em fazer e publicar seu trabalho com a garra que todos nós temos que ter. Alguém pode dizer: “Mas é o Duran!”. Temos que nos inspirar nos exemplos firmes como o dele.

Vou colocar aqui exemplos, para mim, do que é o futuro (melhor começar a construí-lo no presente) do fotojornalismo impresso como os livros Poder, Glória e Solidão, de Orlando Brito, Canudos - 100 anos, de Evandro Teixeira, Na Lona, de Rogério Reis, Vencedores, de Sergio Dutti, Brasília Submersa, de Beto Barata e tantos outros que não se contentam com o limite editorial dos jornais e revistas tradicionais. Talvez, o artigo fique mais claro com uma afirmação direta: temos que cuidar da nossa própria produção e publicação.

Quando falo isso, não estou me referindo àquela foto publicada em rede social, onde um círculo restrito de “Likes” pode nos dar a falsa impressão de divulsão. Aqui quero apresentar o exemplo de Duran com a emancipação do fotojornalista e a condensação de seu potencial artístico em uma publicação de caráter independente. O futuro do fotojornalismo está no fotógrafo. Ele é a razão da imagem estar fixada na fração do segundo e eternizada em momento noticioso e/ ou mundano.

O próximo passo dessa emancipação da imprensa convencional, como meio de divulgação do seu trabalho, é produzir e publicar a própria visão e projetos próprios. O futuro do fotógrafo é entender que ele é uma marca e precisa se posicionar como tal. Como me confidenciou Duran, sobre a existência de sua revista: “eu decidi me dar de presente um jardim secreto, de tinta e papel, onde pudesse me divertir à vontade”.

Edição 7 da Rev. Nacional, lançada neste ano

Rev. Nacional

Em Maio, J.R. Duran lançou na Galeria de Babel, durante a SP-Arte, a sétima edição da Rev. Nacional. Criada pelo fotógrafo em 2010, a publicação anual não é comercializada e é entregue a uma seleção de personalidades do universo cultural e da moda. Para a edição deste ano, as fotos de Duran acompanham matérias envolvendo personagens diversos como Alexandre Pato, Joaquim Barbosa, Juliana Paes e Zeca Pagodinho.

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3 comentários:

  1. Concordo mas para quem não tem o nome no mercado e precisa sobreviver o dia a dia, não é tão simples e fácil assim.

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  2. É comercializada apartir da sétima edição. ;)

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