quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Abusada e Censurada

Obra em exposição na Casa da Cultura de Paraty foi removida sem explicações

Protesto feito pelo fotógrafo Phelipe Paraense em resposta à censura da exposição

Uma das funções da arte é provocar o debate, expor questões, transgredir, fazer pensar etc. Neste sentido foi criado o trabalho fotográfico "Abusada" por Phelipe Paraense e a sua turma de alunos de fotografia. É um trabalho de nu que expõe o machismo, os abusos, especialmente os verbais, aos quais as mulheres são expostas com frequência.

O trabalho "Abusada" é um corpo nu, que na realidade é um conjunto de vários pedaços de corpos nus, de várias mulheres, não precisamente encaixados, que são anônimas no trabalho. Quem vê o trabalho não sabe quem são as modelos, e qual parte é de cada modelo. A ideia é manter o anonimato, que pode significar qualquer uma, e ao mesmo tempo todas, tal como o Severino do poema de abertura da obra Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto. Em cada parte tem uma mensagem escrita, que é alguma frase machista comumente associada a esta parte, que muitos homens costumam falar para mulheres.

As alunas da turma de fotografia, além de fotografar, ficaram incumbidas de escolher as frases (algumas vindas de experiências pessoais), e talvez algumas das alunas até estejam entre as modelos, mas só elas sabem.

É um trabalho provocador que tive a honra de não só conhecer, como estar na reunião na qual ele foi proposto, e participar daquele primeiro debate.

Durante a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) ele, e outros trabalhos igualmente provocadores, foram apresentados na Casa da Cultura de Paraty, sem qualquer incidente, e pude ver o resultado. Estava em uma sala de fácil acesso ao público. Agora, durante o Paraty em Foco, foi recolocado em exposição, mas desta vez na cafeteria da Casa de Cultura de Paraty.

Na manhã de sábado (17/09) ele foi retirado sem avisar ao professor de fotografia, o Phelipe Paraense, e nem aos alunos dele. Eles souberam do fato por terceiros. Existem muitas informações desencontradas, mas uma delas diz que o trabalho foi retirado por conter nudez e estava exposto onde crianças poderiam ver, e alguns pais não gostaram disto. Em discussões no Facebook existem muitas opiniões favoráveis ao trabalho, e contra a retirada de exposição, inclusive por gente da curadoria de arte da Casa de Cultura, onde o Paraty em Foco acontecia. Parece que um dos curadores da Casa de Cultura que pediu a retirada de exposição do trabalho, sem consultar os autores e os outros curadores de arte, os autores e mais ninguém.

Nenhuma das informações até agora apontam qualquer relação entre a organização do evento do Paraty em Foco e a retirada deste trabalho de exposição, apesar desta exposição estar acontecendo no mesmo prédio em que acontecia uma boa parte do Paraty em Foco.

O fotógrafo Phelipe Paraense publicou a seguinte nota às 21:45 do dia 19, dois dias depois de censura, com uma "versão censurada" do trabalho:



Quem é apontado como responsável pela censura pouco se manifestou pelas redes sociais. Aparentemente só se manifestou contra o protesto mostrado na primeira foto do texto. Quando indagado por detalhes ele não respondeu. Caso tenha uma resposta, será feita uma atualização informando assim que possível.

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1 comentários:

  1. Não quer ver, não entre. Aconteceu a mesma coisa em Camboriú, SC. Tem que acabar com essa caretice hipócrita das pessoas. É o mesmo que acontece na TV. Existe controle remoto pra isso. Tire do canal.

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