terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Como o decreto de imigração de Trump afetou esta fotógrafa

Reprodução
Eman Mohammed, fotojornalista palestina respeitada e palestrante do TED Talk, foi forçada a cancelar seus planos de fazer parte do júri do prestigiado concurso de fotojornalismo World Press Photo em Amsterdã, depois que o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que impõe restrições às viagens de cidadãos de sete países do Oriente Médio.

Mesmo que Mohammed seja uma residente legal dos EUA e não seja de um dos sete países listados na ordem, ela foi aconselhada por sua advogada a não viajar, pois a confusão em torno da ordem executiva do governo dos EUA significa ela corre o risco de ser incapaz de entrar no país quando retornar de Amsterdã", diz um comunicado do World Press Photo. "Nós nos juntamos a sua advogada e a aconselhamos a não viajar," continua o comunicado. "Estamos irritados e entristecidos que o fanatismo tenha impedido que esta talentosa integrante da comunidade fotojornalística se junte a nós esta semana".

Mohammed escreveu um depoimento ao LightBox, blog dos editores de fotografia da revista Time, explicando como recebeu a notícia e o que isso representa para sua carreira e vida pessoal.

Segundo a fotojornalista, ser convidada para julgar o prêmio World Press Photo foi uma grande honra, que não teria sido possível receber enquanto ainda vivia em Gaza, cercado por fronteiras fechadas. "Nenhum dia se passou sem que eu me lembrasse da sorte que tenho de viver com tal privilégio. Experimentei o que é ser cercado e sem liberdade", conta. "Eu estava preocupado que alguém não gostasse do uso da minha outra língua, ou talvez da nossa pele mais escura. As decisões surrealistas que o presidente Trump fez em sua primeira semana na Casa Branca amplificaram esses temores. Não havia palavras que pudessem silenciar a inquietação que sentia por esta viagem sob o governo do novo presidente."

Na noite de sexta-feira (27), Eman estava fazendo suas malas quando recebeu o alerta de última hora chegou, confirmando seus piores temores: o presidente acabara de proibir os viajantes de sete países de entrarem nos EUA. Ela conta que correu para conferir a lista de países. "Suspirei com uma patética e injusta sensação de alívio quando vi que 'a Palestina' não estava entre esses países". Algumas horas mais tarde no entanto, sua advogada expressou reservas contra seus planos de viagem. "Eu perguntei como eu poderia estar sujeita à proibição já que eu sou palestina e ela explicou que meu país, de acordo com os EUA, não é um país, mas um território ocupado. Como eu poderia ter esquecido? Afinal, isso é o que eu luto para explicar aos agentes de linha aérea cada vez que eu reservo um bilhete eu mesmo."

Essa situação não apenas colocou em xeque a carreira de Eman, como também criou uma sensação de insegurança em relação a sua família. "Não só eu provavelmente seria detida e interrogada, mas minhas duas filhas poderiam ser tiradas de mim, o advogado me disse", explica. "A notícia era simplesmente devastadora. Ser fotojornalista e mãe nunca foi uma questão de prioridades. Até agora", continua. "Este incidente só mostra que a proibição do Presidente Trump é, na verdade, atacar famílias civis inocentes, quebrando-as. Esta poderia ser a vitória que ele estava buscando desde o início: ele encheu nossa vida de medo, fez nossos dias mais longos e muito mais difíceis de conseguir, dividiu nossa nação e exigiu de nós para escolher os lados."

Leia o depoimento na integra (em inglês).

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