segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Foto do assassinato de embaixador russo na Turquia vence o World Press Photo 2017

Burhan Ozbilici/Associated Press

O fotógrafo turco Burhan Ozbilici, da agência de notícias Associated Press, foi o vencedor do World Press Photo 2017, mais prestigiado prêmio de fotojornalismo do mundo, com uma fotografia que mostra os momentos subsequentes ao assassinato de Andrei Karlov, embaixador russo na Turquia. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (13).

O atentado foi cometido em 20 de dezembro, dentro de uma galeria de Ancara, por Mevlut Mert Altintas, de 22 anos, que aparece na foto com um dedo para o alto e uma pistola na outra mão, enquanto o diplomata aparece ao chão ao seu lado. Altintas disse estar vingando as atrocidades cometidas em Aleppo (Síria).

Os juízes do World Press Photo levaram em consideração a coragem de Ozbilici, que fez a foto diante de um momento de tensão. “É uma imagem explosiva que realmente fala sobre o ódio da nossa época. Cada vez que ela aparecia na tela a gente tinha quase que recuar”, disse a jurada Mary Calvert, em nota.

"Pensei: ‘Estou aqui. Mesmo se ele me ferir ou me matar, sou um jornalista e devo fazer meu trabalho’" - disse o fotógrafo da AP

Quando o agressor começou a disparar, Ozbilici continuou clicando em vez de se proteger dos tiros. “Pensei: ‘Estou aqui. Mesmo se ele me ferir ou me matar, sou um jornalista e devo fazer meu trabalho’. Eu poderia ter me deslocado para me esconder, mas nesse caso como iria responder quando perguntassem por que eu não fiz fotos?”

Ozbilici trabalha há 27 anos para a Associated Press e já retratou, entre outros temas, o êxodo dos curdos do Iraque depois da morte de milhares de pessoas por causa dos ataques com gás ordenados por Saddam Hussein, então no poder. Cobriu também conflitos na Arábia Saudita, Egito e Síria.

Esta edição do World Press Photo teve a participação de 5.034 fotógrafos de 125 países. O júri avaliou 80.408 imagens. Veja todas as fotos vencedoras.

Presidente do júri não aprova foto "de terror"

O presidente do júri da 60ª edição do World Press Photo, Stuart Franklin, não concordou com a eleição de uma “imagem de terror” como foto do ano e afirma ter votado contra a sua escolha para a categoria principal.

Em um artigo de opinião publicado na manhã desta segunda-feira no site do jornal britânico The Guardian, Franklin afirma que o impacto da foto é “inegável”, mas que a imagem “promove a ligação entre martírio e publicidade”.

"A fotografia de Özbilici é uma imagem de impacto, sem dúvida. Contudo, apesar de ter sido totalmente a favor de lhe atribuir o prémio de spot news [notícias locais], que também venceu, opus-me firmemente à sua escolha como fotografia do ano", declara o presidente do júri.

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