quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Livro apresenta um mapa da fé no centro de São Paulo


O sagrado, em suas diferentes manifestações, vive em cada canto da região central de São Paulo. É o que mostra o livro “Sacracidade - Expressões da Fé na Metrópole”, de Xavier Bartaburu. Histórico destino de imigrantes – vindos das mais diferentes regiões brasileiras e também de países com as mais diversificadas culturas –, a capital paulista, que comemora 464 anos nesta quinta-feira, 25 de janeiro, é um mosaico multifacetado. Neste, convivem as mais variadas etnias, que mantêm e expressam suas tradições e, sobretudo, sua religiosidade.

Lançando mão de ferramentas do jornalismo literário e da fotografia documental, Xavier Bartaburu buscou o sagrado em esquinas, vielas e ruas enviesadas. Percorreu igrejas, templos, mesquitas, sinagogas e terreiros para registrar as muitas formas com que os habitantes da maior cidade do Brasil se conectam com o divino. Como resultado, o livro é um dos mais completos registros da diversidade religiosa no centro paulistano. Um retrato de cristãos, muçulmanos, judeus, espíritas, budistas, umbandistas e candomblecistas.

“Sacracidade” pode ser definido como uma coletânea de contos da vida real. “As histórias que coletei são todas reais, mas bem poderiam ter sido inventadas, de tão insólitas. Por isso, apesar de ser um livro de não ficção, optei por um tratamento literário que ilumina sob outros ângulos aqueles lugares e personagens.”


“Todas as fotos foram capturadas pelo ângulo de uma testemunha ocular ao mesmo tempo ativa e passiva desses cenários. Não tem nenhum retrato, nada foi posado. Registrei os cultos como se estivesse no meio da massa de fiéis, imerso naquelas experiências do sagrado”.

Ao dirigir seu olhar para esses universos de conexão e religação com o sagrado, o autor, mais do que coletar imagens, se viu testemunha de situações pouco imagináveis até então. Na introdução do livro, ele escreve: “São Paulo talvez não tenha 365 igrejas como Salvador, mas tem missa em alemão, japonês, italiano, espanhol, armênio, árabe, coreano e latim. Tem boliviano na sinagoga e chinês no terreiro. Trans no púlpito e freira na clausura. Zé Pelintra no Bixiga e Alá no Anhangabaú. Tem padre dando passe e mãe de santo em porta de igreja. Tem pastor peregrino e, também, butique de batina. Tudo isso bem no centro. A três, quatro, não mais que dez quadras de distância. Entre o lixo e o xixi, entre a fumaça e o fuzuê, não tem canto onde alguém não tenha encontrado seu Deus”.

Neste entroncamento de crenças que é a região central, a fé parece estar em permanente congestionamento e floresce ao meio do concreto sujo do território profano da metrópole. “Em todos esses templos que ancoram o sagrado, os cidadãos buscam refúgio, conexão e sanidade numa cidade por si ilógica”, diz Bartaburu. “São muitas as portas abertas. Basta entrar”, sintetiza.



FICHA TÉCNICA

Livro “Sacracidade - Expressões da Fé na Metrópole”
Autor: Xavier Bartaburu
Editora: Origem
Páginas: 224
Preço: R$ 65

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