quinta-feira, 14 de junho de 2018

O papel da fotografia na era da pós-verdade

No último fim de semana aconteceu a reunião do G7 que foi marcada pela retirada do apoio americano ao comunicado final. A foto que viralizou foi a da chanceler alemã Angela Merkel, porém cada país divulgou a sua própria versão:

A foto de Jesco Denzel, fotógrafo oficial alemão, compartilhada pelo Instagram da chanceler, mostra ela como “dominante e decidida” e o Trump como uma “criança petulante”:

Jesco Denzel/Reuters

O Canadá tem divulgado as fotos de Trudeau (que presidia a reunião) como um "facilitador":


Emmanuel Macron, optou por mostrar a foto do fotógrafo francês que mostra ele no centro enquanto todos os líderes restantes escutam o que ele fala:


A Casa Branca optou por mostrar um Trump "tranquilo e no centro das atenções":


A manipulação de imagens é uma ferramenta corriqueira nas estratégias de propaganda.

A fotografia de Flavio de Barros, que estava em Canudos a serviço do Exército em outubro de 1897 é um exemplo de como os discursos são construídos:



A imagem registra o momento em que mulheres, feridos, velhos e crianças se entregam ao Exército, porém ela foi divulgada como “400 Jagunços prisioneiros”. Esse título de Flavio de Barro é uma tentativa de atribuir, à essa gente desvalida, uma identidade de periculosidade.

Entretanto, essa incoerência é corrigida por Euclides da Cunha em Os Sertões que muda a legenda para “As Prisioneiras”


No fim, toda a verdade é construída a partir de recortes. Só nos cabe escolher em qual lado iremos acreditar.


Leandro Neves, autor convidado, é fotógrafo de publicidade e retratos. Para conhecer mais sobre seu trabalho, visite seu site, Facebook ou Instagram.

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