sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Exposição: “Luana Muniz, a Rainha da Lapa”

Icônica travesti carioca da Lapa que eternizou o bordão “Tá pensando que travesti é bagunça”, é o destaque de exposição fotográfica de Pedro Stephan

Pedro Stephan

A vida imita a arte: volta em cartaz, dez anos depois, a exposição fotográfica que trouxe a questão transgênero na sociedade brasileira. Nos dias atuais as questões de gênero estão em amplo debate, mas há uma década era considerada uma questão exótica. A travesti Luana Muniz tornou-se um mito comparável ao lendário malandro Madame Satã. Entretanto,em 2006, época que o fotógrafo Pedro Stephan começou a fotografá-la, ela era apenas “aquele travecão encrenqueiro” que ficava sentada num banquinho da avenida Mem de Sá, no bairro mais boêmio do Rio. O olhar do fotógrafo enxergou além: a Rainha da Lapa, comandando do seu trono o seu território. E a Lapa, como cenário espetacular da noite perfumada e sensual do Rio,onde as travestis fazem seu trottoir cheio de gestos e poses como um ballét e se comunicam com seus clientes através de uma linguagem corporal silenciosa. Tudo isso foi registrado pelo ensaio fotográfico que fez sucesso por revelar esse olhar benevolente sobre a prostituição transgênero. O ensaio foi apresentado em Portugal no “Encontros da Imagem”, em Braga e no “TurinPhoto Festival”, na Itália.

Daí em diante Luana virou uma celebridade, foi capa da “Revista Global”, publicação acadêmica financiada pela OpenUniversity, e chegou aos olhos do grande público no programa “Profissão Repórter” comandado pelo repórter Caco Barcelos, na TV Globo. Fazendo jus à sua fama de malvada, deu um “tapão”em um cliente abusado, lançando o bordão “tá pensando que travesti é bagunça?” A cena viralizou na internet e se tornou um grande bordão desde então. Apareceu desde em festas de celebridades até junto com padres popstars. No auge da fama adoeceu, morreu e virou mito.Já fizeram filmes sobre sua vida que ganharam prêmios em festivais de cinema.

De lá para cá, a temática transgênero e seu dabate tornou-se amplo em nossa sociedade. Apareceram uma série de ícones e artistas tavestis/transsexuais, e essa última eleição várias transsexuais foram votadas e conseguiram se eleger como representantes do seu segmento.

Esse ensaio, agora volta ao cartaz como precursor de todo esse movimento em busca de visibilidade para a causa transgênero.

SERVIÇO

Exposição “Luana Muniz, a Rainha da Lapa”
Abertura: 8 de dezembro de 2018, às 11h
Horário: terça a sábado, de 11h as 18h
Local: Galeria Encontro do Artista – Rua do Rosário, 38, Rio de Janeiro/RJ
Ingresso: gratuito

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