quarta-feira, 2 de março de 2011

Entrevista: Daniel Magalhães

Fotógrafo há poucos anos, Daniel Magalhães (25) tornou-se referência na fotografia de moda em Belo Horizonte. Formando em Comunicação Social pela PUC Minas, também é professor na Escola de Imagem.

Como foi o seu primeiro contato com a fotografia e como foi a decisão de profissionalizar-se?

DM. Meu primeiro contato mais aprofundado com a fotografia foi ainda na universidade. Nessa época, ainda não pensava na fotografia como profissão, mas decidi aprender mais e comecei a fazer cursos na Escola de Imagem. Meu interesse cresceu com algum tempo e a fotografia começou a ocupar uma parte maior do meu tempo tanto com trabalhos como com estudo e pesquisas nesta área.

Qual a influência da formação em publicidade no seu trabalho como fotógrafo?

DM. Na universidade, me formei em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda. A Comunicação Social me proporcionou uma visão mais abrangente da sociedade, da forma como ela se organiza e se relaciona. Creio que todo conhecimento constrói o indivíduo como ser humano e por conseqüência influencia na sua fotografia. Acredito que as experiências de vida, os aprendizados e a personalidade do fotógrafo são determinantes no modo como ele irá fotografar. O desenvolvimento da técnica e apuramento do olhar são variáveis que influenciam a forma como ele vai exprimir esses fatores.

Você se define como fotógrafo de moda. Muitos fotógrafos levam tempo até definir a sua área de atuação. Como foi essa questão pra você?

DM. Assim que comecei a fotografar tive oportunidade de fazer alguns books. Gostei muito do tipo do trabalho e da liberdade de criação que a fotografia de book me proporcionou. Nesta época, entre muitas pesquisas, descobri alguns vídeos do fotógrafo Settimio Benedusi e o ver fotografando me inspirou muito a seguir nesta área.

Você também é professor de fotografia na Escola de Imagem. Como surgiu essa oportunidade?

DM. Comecei na Escola de Imagem como aluno, fazendo cursos de fotografia e vídeo. Ao fazer um curso de edição de vídeo, soube de uma oportunidade de trabalhar como editor na La Foto, que na época também oferecia vídeos de casamento. Algum tempo depois consegui a vaga e fui trabalhar como videomaker de casamento, sem deixar de lado a fotografia. Mais tarde, tive oportunidade de ministrar aulas de edição de vídeo e posteriormente, de fotografia na Escola. 

Recentemente você publicou na internet um trabalho em vídeo chamado Sophia. O que te motivou a fazer essa migração da fotografia para o vídeo? Como tem sido realizar esse projeto?

DM. Sempre gostei de desenvolver projetos paralelos. Creio que a popularização do vídeo através de canais como YouTube e Vimeo, conexões mais rápidas de internet, e o maior acesso à filmadoras através de celulares e câmeras fotográficas fez com que as pessoas se interessassem mais pelo formato. Entre fotógrafos, vejo uma crescente utilização do vídeo seja para divulgar o trabalho tanto quanto para produzir projetos pessoais e comerciais em paralelo. O “Sophia” nasceu de uma vontade de colocar em prática várias pequenas idéias de filmagens. Pensei em um personagem, e chamei pessoas que já trabalhavam comigo nos books para produzirmos os capítulos. Optamos por um formato que fosse rápido de produzir e editar, sem necessidade inicialmente, de grande infra-estrutura, de forma que o projeto se tornasse viável para todos. São pequenos capítulos, sem diálogos, que costumo definir como uma experiência visual. Todos os capítulos se relacionam de uma certa forma, através de pequenas conexões, mas você pode assistir um ou outro e entender a experiência. O grande atrativo do Sophia é ser um campo de experimentações onde tenho maior liberdade de exprimir idéias.

Quais fotógrafos cujo trabalho você admira e qual a relevância deles na sua produção?

DM. Costumo diversificar muito os fotógrafos que estudo. O primeiro grande fotógrafo que estudei foi Helmut Newton e, mesmo que não possa ver muita relação direta na influência do estilo dele na minha fotografia, creio que a postura vanguardista e ousada de muitos fotógrafos desta era clássica sempre foram referência e incentivo para que eu busque cada vez mais ser fiel ao meu estilo e ao que acredito nas minhas imagens. Hoje em dia, tenho gostado muito do trabalho de fotógrafos como Guy Aroch, Steven Meisel, Richard Kern e Jonathan Leder.

O fotógrafo de moda precisa sempre se manter atualizado. Como você faz isso?

DM. Costumo consultar sempre sites e vídeos de moda. Procuro também por trabalhos diferenciados em sites e blogs menos populares e compro sempre muitas revistas, dando preferência àquelas que ainda não conheço ou são menos conhecidas. Por dar aulas, a convivência com alunos e professores na Escola de Imagem, sempre me ajuda a estar em contato com novos conteúdos e novas referências.

Algum projeto para o futuro como fotógrafo?

DM. Pretendo continuar evoluindo na minha linguagem, e expandir meu trabalho procurando novas experiências e caminhos na fotografia e na relação dela com o vídeo e outras mídias.


Rayana Cruz (V Model MGT) / Daniel Magalhães






















Para conhecer mais o trabalho de Daniel Magalhães visite o site: www.danielmagalhaes.net

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