sexta-feira, 14 de maio de 2021

Exposição: “de EXU a Jesus Cristo”

maio 14, 2021 | por Resumo Fotográfico


Neste sábado (15), em São Paulo, a Galeria Base recebe a exposição “de EXU a Jesus Cristo”, do fotógrafo Mario Cravo Neto, com texto de Diógenes Moura. A mostra individual é composta por 30 trabalhos, prioritariamente vintage e, em sua maioria, com a técnica de gelatina e prata, da série “O Eterno Agora”, uma das mais importantes criadas pelo artista, todas em preto e branco, acrescidas de três, coloridas, em grandes dimensões.

Suas fotografias escultóricas são um convite a apreciar, apropriar e unir duas ou mais formas contemplativas dentro de um só quadro expressivo. As obras são, em sua totalidade, feitas em estúdio, onde destaca seu domínio na utilização da luz, o claro e escuro, que é foco diferencial de seu trabalho, evidenciando figuras humanas, além da inserção de aves, peixes, plantas, pedras, criando um universo de simbologias.

“(...)uma exposição com suas imagens será sempre um livro aberto: página por página poderá mudar a cada instante. Mesmo para quem já tenha visto grande parte da sua obra, aquelas que são “possíveis” de ver no primeiro instante. Possíveis de ver porque haverá sempre, em todas elas, um segredo por dentro do outro. É neste exato momento que o homem despe os sentidos: dependendo do olhar de quem vê, enxergar será sempre uma raridade” - Diógenes Moura.



Seu compromisso com a ética fotográfica cria atributos específicos definindo sua assinatura estética da expressão imagética que lhe é característica de respeito e reverência à religiosidade católica e ao candomblé.

“Não estamos apenas diante de uma série de imagens de um homem que partiu muito cedo porque teve sua Orí interrompida, naquele dia 9 de agosto de 2009. Estamos diante de um homem que iluminou a menina dos próprios olhos para deixar para “os outros”, ele mesmo, um segredo por dentro do gozo”, completa Moura.

Mario Cravo Neto captou registros, com acuidade e visão únicas, de representações religiosas da Bahia e aproximou do espectador uma realidade de fé tão presente e necessária atualmente. “Ele foi o primeiro fotógrafo que me despertou interesse, o que me fez colecionar suas obras há mais de uma década”, declara Daniel Maranhão, coordenador artístico da galeria.



SERVIÇO
Exposição “de EXU a Jesus Cristo”, de Mario Cravo Neto
Abertura: 15 de maio, sábado, de 12h às 18h
Período: de 18 de maio a 2 de julho de 2021
Horário: de terça a sexta-feira, das 11hs às 19hs; sábado, das 11hs às 15hs.
Local: Galeria Base – Al Franca 1030, Jardim Paulista, São Paulo/SP
Informações: (11) 3062 6230 | www.galeriabase.com

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Autorretratos como catarse

maio 13, 2021 | por Adriana Vianna

Desde o Renascimento e o Barroco, a prática artística de retratos e autorretratos rompeu com as formalidades da arte encomendada, deixando à fotografia um legado de expressões autorais

No campo feminino, temos muitas fotógrafas atuando no segmento da auto representação com diversas finalidades: do lúdico ao político, do sonho à superação da realidade. Na Oficina de Retratos e Autorretratos que vamos ministrar neste mês de maio será oferecido um amplo repertório poético com 50 referências contemporâneas para serem apreciadas em casa. Até o dia da oficina, vamos demonstrar alguns exemplos aqui no Resumo Fotográfico.

Brittany Markert nasceu em 1987 na Califórnia, formou-se em Matemática pela Universidade de Santa Clara e foi modelo antes de tornar-se fotógrafa, após uma viagem de trabalho na China, cujo contexto despertou a consciência que aquela indumentária que a modelava, diante do espelho, não a representava. Migrou em 2012 para Nova York, onde se matriculou em um workshop tradicional de impressão em preto e branco na International Center of Photography School, por sua afinidade com fotografia P&B. Desde então, ela trabalha essencialmente com métodos analógicos. Começou com registros informais de viagens até que teve um encontro com as fotografias de Francesca Woodman e mudou sensivelmente seus conceitos sobre imagem. Seguindo sua mentora, conectou-se com seu eu teatral, utilizando a fotografia analógica como meio de libertação catártica e exploração de si mesma. Ela também guarda os negativos de suas primeiras fotos em uma caixa lacrada, datada de 2011 quando pegou pela primeira vez uma câmera 35mm.

Apaixonada pelo processo analógico, ela mantém em sua casa uma câmara escura onde exerce paciência, precisão, sentimento e intenção. Segundo a fotógrafa, cada impressão que decide mostrar é um momento único e decisivo que fala de algo maior do que a sua própria voz. Amante da matemática, ela também percebe os valores de luz e composição como uma experiência que busca solução em nuvens de caos e informações, sobretudo da própria subjetividade que distribui expressões em segmentos do nu artístico e da fotografia de gênero em cenas com objetos antigos que remetem aos anos 40 e 50 onde localizou questões femininas de maus tratos com repertórios de repressão, temas que trata na série de narrativa contínua “In Rooms” e na série “Repulsion & Desire”.

“Apesar de todas as palavras que eu nunca poderei escrever,a câmera se tornou minha caneta”
Brittany Markert
 
Autorretrato, Califórnia, 2014
Impressão de prata gelatina com base em fibra tonificada com selênio

Autorretrato, Califórnia, 2015
Impressão de prata gelatina com base em fibra tonificada com selênio

Autorretrato, Los Angeles, 2015
impressão de prata gelatina à base de fibra

Autorretrato, Nova Orleans, 2016
Impressão de prata gelatina com base em fibra tonificada com selênio

Toybox Theatre, Nova Orleans, 2017
Impressão de prata gelatina à base de fibra

Autorretrato, Nova York, 2018
Impressão de prata gelatina à base de fibra

Autorretrato, Nova Orleans, 2019
Impressão de prata gelatina à base de fibra


“A parte mais difícil da fotografia é pegar a câmera”
Brittany Markert

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Fotofalando #13 - Marilene Ribeiro

maio 12, 2021 | por Resumo Fotográfico



Neste sábado (15), às 19h, acontece mais uma edição do Fotofalando, programa de entrevistas e debates do Resumo Fotográfico, com transmissão ao vivo através do YouTube. Adriana Vianna vai conversar com a artista visual e pesquisadora Marilene Ribeiro.

Sobre a fotógrafa

Doutora em Artes Criativas pela University for the Creative Arts, Marilene Ribeiro recebeu treinamento pela Magnum Photos e atualmente é pesquisadora visitante da Escola de Mídia & Cinema da University of Winchester. Em seus trabalhos, mescla fotografia, vídeo, intervenção e colaboração, com foco em assuntos contemporâneos e temas socioambientais.

Para conhecer mais sobre seu trabalho, acesse: www.marileneribeiro.com.

terça-feira, 11 de maio de 2021

A paisagem urbana de Ouro Preto nos registros de Mila Damasceno

maio 11, 2021 | por Thais Andressa

A histórica Ouro Preto (MG) é uma cidade repleta de encantos e cenário inspirador para a fotógrafa Mila Damasceno. A ouro-pretana iniciou na fotografia no ano de 2015, identificando-se com os ensaios de casal e retratos. “No mesmo ano, participei do evento “Fotógrafos em Ouro Preto”, no qual fui assistente em montagem de exposições, e tive contato com diversos fotógrafos, o que me encantou naquele momento, foi quando percebi que queria ir fundo no ramo”. Novas experiências foram ganhando espaço e a fotógrafa passou a documentar também as manifestações e festividades religiosas como Semana Santa e Congado, experimentando também a Fotografia de Rua, que faz parte de seu cotidiano e a qual expressa grande interesse e amor. “Caminhando e sempre com o exercício da observação, a rua me encanta, pois vejo a relação pessoa x lugar, isso em outros locais também. Mas Ouro Preto, com sua beleza única, nos proporciona belas cenas na rua, por exemplo, em que a sombra e forma se entrelaçam. Tenho o privilégio de retratar o cotidiano onde o sentido de ser e estar na cidade é grandioso, logo, é sempre válido ver as belezas em detalhes”. 




Mila conta que suas referências foram sendo construídas a partir de pessoas próximas que já estavam no ramo da fotografia e que compartilhavam seus conhecimentos. Com o aprofundamento nos estudos e o contato com cursos, outras inspirações foram surgindo como: Annie Leibovitz, Sebastião Salgado, Vivian Maier e Henri Cartier Bresson. Mila também destaca a importância da conquista de espaço das mulheres no âmbito fotográfico. “Ser mulher na fotografia é um grande passo, onde cada vez mais mostra que pode atuar em diversas áreas e que todas podem e fazem belos registros. Acredito que o olhar feminino é diferente e mais detalhado para algumas coisas. É sempre bom ir em busca de mais espaço e apoio, para que seja amplo o reconhecimento para todas que estão, e que querem trilhar no ramo”.  Acompanhe o trabalho da fotógrafa no Instagram









segunda-feira, 10 de maio de 2021

O adeus a German Lorca

maio 10, 2021 | por Thais Andressa

“Homem guarda-chuva”, de German Lorca 

“A fotografia sempre foi a paixão de minha vida”. No último sábado, 8 de maio, German Lorca faleceu, aos 98 anos, com mais de 70 anos de carreira, deixando um grande legado nas páginas da história da fotografia brasileira e mundial. No ano de 1938, o paulistano se tornou um dos integrantes do Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB), uma associação responsável por desenvolver tendências e atividades no âmbito fotográfico, trazendo luz aos trabalhos de fotógrafos como José Yalenti, Thomaz Farkas e Geraldo de Barros. Lorca registrou a vida urbana de uma São Paulo em desenvolvimento, e entre tantas experiências marcantes, também foi fotógrafo oficial das comemorações do IV Centenário da capital. Com uma carreira extensa, marcada por importantes trabalhos e premiações, trazemos alguns pontos importantes, e acima de tudo, uma homenagem a esse nome consagrado na fotografia.

Seu início na fotografia se deu por meio dos registros de família, em 1938, documentando a vida cotidiana com sua Kodak Bullet 127, e assim, desenvolvendo seu olhar sobre a criação artística. A primeira vez que exibiu suas fotografias foi no 7° Salão Internacional de Arte Fotográfica realizado na Galeria Prestes Maia, em São Paulo. Em 1952, inaugurou o G. Lorca Foto Studio no mesmo espaço em que estava localizado seu escritório de contabilidade. Desde 2016, suas obras compõem o acervo do MoMA - Museu de Arte Moderna de Nova York.

German Lorca | Galeria Zilda Fraletti

No ano de 2018, o Itaú Cultural foi palco da exposição “German Lorca: Mosaico do Tempo,70 anos de Fotografia”, com curadoria de Rubens Fernandes Junior, e assistência de José Henrique Lorca. A mostra de retrospectiva englobou as diferentes produções da carreira do fotógrafo, dos registros artísticos aos publicitários, além de ressaltar momentos marcantes de sua trajetória, bem como apresentar elementos que tiveram papel importante em sua caminhada: porta-retratos familiares, certificados de premiação e homenagens. Em palavras do curador Rubens Fernandes Junior, em texto de apresentação da exposição: “Suas obras expressam de modo exemplar toda a experiência do período modernista e chegaram aos dias de hoje com o mesmo frescor que o aproxima de algumas manifestações e de alguns procedimentos da arte contemporânea”.

O nome de German Lorca será sempre uma referência e inspiração, pelo seu brilhantismo e paixão pela fotografia. 

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Livro: “Seis Formas de Ver o Mundo”

maio 07, 2021 | por Resumo Fotográfico



Seis artistas fotógrafos, seis ensaios autorais, seis formas distintas de ver e representar o mundo em que vivemos através da fotografia. Alexandre Santos, Damião Paz, Flávio Aquino, Henrique José, Meysa Medeiros e Vlademir Alexandre formam o Coletivo daFoto! e nos apresenta recortes artísticos que se confundem com suas próprias vidas. A arte existe porque a vida não basta, já nos alertava o escritor e poeta Ferreira Gullar. O livro “Seis Formas de Ver o Mundo” é uma publicação inédita e será lançado neste domingo, dia 9 de maio às 10h no canal do Coletivo daFoto! no YouTube. A publicação encerra também o projeto Foto Coletiva que promoveu uma série de seis entrevistas entre os fotógrafos participantes sobre os processos criativos de cada um deles. O lançamento ocorre no formato de live e conta com a participação dos seis autores.

O fotógrafo nem sempre escolhe um tema, às vezes é o tema que o escolhe, como na série “Brincantes” de Alexandre Santos, uma coletânea de imagens feitas em festas e folguedos populares do nordeste ao longo da última década. Na sequência somos arrebatados pela simplicidade perene da fotografia de Damião Paz, que nos apresenta um olhar afetivo sobre uma família da comunidade quilombola de Acauã em Poço Branco/RN. Saímos da representação pura do real e entramos no realismo fantástico de Flávio Aquino que nos apresenta um projeto experimental que nos chama à reflexão sobre a influência e a ocupação no espaço urbano de Natal/RN. Depois de observar a realidade criada por Flávio, o leitor se depara com as linhas captadas nas arquiteturas de Natal por Henrique José e suas “Natalinhas” que viaja pelo grafismo colorido das construções e suas linhas arquitetônicas e pelo redimensionamento do espaço e das cores e captadas pelo “olho bom” da fotografia contemplativa (Miksang). Chegamos a um dos blocos mais tradicionais do carnaval potiguar e quem nos conduz é Meysa Medeiros com “Os Homens de Lama” , ensaio artístico que faz uma imersão no mar de lama que invade o mangue do bairro da Redinha na capital do Rio Grande do Norte e que dá origem ao mais antigo bloco carnavalesco de lama do Brasil. Finalmente chegamos ao trabalho humanista de Wlademir Alexandre que nos mostra que o mar é de fato uma outra terra e que as famílias que sobrevivem da pesca artesanal mantém viva uma das mais ancestrais formas de desenvolvimento socioeconômico e cultural da humanidade.

SERVIÇO
Lançamento do livro “Seis Formas de Ver o Mundo”
Data: 9 de maio de 2021, às 10h
Local: YouTube

quinta-feira, 6 de maio de 2021

“Maria disse não” contempla a beleza feminina no corpo político

maio 06, 2021 | por Adriana Vianna

Em resposta à atual visibilidade do conflito feminino entre habitar um corpo político que reivindica o direito de existir fora dos padrões de beleza comercial e ter o poder sobre o próprio corpo, muitas mulheres estão participando de projetos fotográficos de Nu Artístico


A resposta feminina que a Idade Contemporânea demanda vem de conflitos gerados por séculos ao Corpo Feminino, ora sob o julgo da castidade, do excesso de proteção familiar, tabus, violências, ora submetido e encaixado nos padrões de beleza comercial para habitar um corpo maquiado, artificial, muitas vezes transformados pelas edições digitais atuais, quando questões econômicas e de saúde deveriam conduzir a emancipação feminina.  

No projeto “Maria disse não”, a negação joga para positivar as modelos amadoras que parecem buscar diante da câmera uma aceitação da auto imagem e afirmação da liberdade moral, física e subjetiva para encontrar o lugar de existência livre dos padrões sugeridos pelas mídias. Para tanto, estão enfrentando os tabus que lhes foram impostos pela educação e cultura na qual cresceram em nossa sociedade e dizem respeito ao poder sobre o próprio corpo que, historicamente, num passado recente, era legado aos homens com os quais eram casadas ou de algum modo sustentadas. 

Alguma ideia desse contexto podemos constatar no recente livro “Rondó” da escritora brasileira Sonia Sant'Anna, nascida em 1938, que traz, sobretudo, entre outros contos, um relato pessoal de como as mulheres viviam na época da sua infância e juventude, perseguidas pelos fantasmas do status quo da castidade e da subserviência familiar, para não sofrerem a discriminação social. 

O que está em jogo não é só superar a cultura social, local ou regional sobre conceitos e padrões de beleza da moda vigente que encaminha centenas de modelos à anorexia ou  à baixa autoestima; não é só superar um segmento da fotografia que é a do Nu Artístico ainda circulado por preconceitos e tabus em relação ao corpo nu da mulher. 

A superação é mais profunda. 

"Libertador, senti a minha presença, me conectei comigo mesmo"

O que está em jogo é justamente superar a parte subjetiva da cultura - e as consequências, entre elas a baixa autoestima e o medo de discriminação social - na qual mulheres são formadas e formatadas para pensar e sentir, sobretudo, que os corpos são propriedades dos outros, quando não física, moralmente; ou que a beleza fundamental vem da aparência física; que o belo pertence à virtuosidade das formas perfeitas; que é nossa obrigação viver dentro dessas formas, segundo os padrões de beleza das artes gregas que ditaram conceitos no Século V e que foram atualizados e legitimados no período do Século XV do Renascimento.  

O preço dessa legitimação cultural renascentista sobre o corpo humano e o destaque para as formas visíveis dos músculos cabiam bem naquela época quando Copérnico e Galilei buscavam o funcionamento da natureza e a ciência ainda necessitava conhecer o funcionamento do corpo humano para melhor distinguir as doenças. Sabemos que, na História da Arte, até os artistas se reuniam e faziam dissecação de cadáver a fim de conhecer melhor as formas e texturas intrínsecas da carne, pele, vísceras, nervos, músculos. 

O gênio de Leonardo da Vinci foi um desses artistas que explorou as entranhas do corpo humano para aprimorar seus estudos de anatomia e aplicar em seus desenhos e pinturas a fim de atender à modernidade renascentista. Assim os corpos passaram das representações veladas pela religião na Idade Média para as representações encarnadas e demasiadamente humanas na Idade Moderna. 

A proposta do projeto “Maria disse não”, de Marco Lobo, fotógrafo residente em Chapecó, Santa Catarina, une-se aos debates que colocam as poéticas fotográficas para pensarem nas questões e nas necessidades reais das mulheres comuns que optaram por habitar seus corpos naturais e encontram o poder de os revelar de modo bonito e político, fugindo dos estereótipos. Iniciado em 2017, o fotógrafo espera chegar a mil fotografias e depoimentos, apurando as transformações sociais. As fotografias são realizadas gratuitamente, em acordo com as modelos, maiores de idade, que escolhem as locações, sempre acompanhadas. O projeto foi exposto em 2018 no Instituto Federal Sul-rio-grandense e na Bienal das Artes no SESC-DF, em 2019 foi exposto na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. 

"Os trejeitos sociais, as improvisações, os riscos, as vias e as demais dicotomias que formam o universo cotidiano de uma mulher comum, desta que está fora das páginas de uma revista, servem ao mesmo tempo como inspiração que revela de várias formas as vidas e personalidades despercebidas das modelos profissionais fotografadas. Nesse contexto eu tento captar em cada pose nuances da personalidade de mulheres que se aceitam como realmente são. Revelando esse lado escondido delas mesmas, ao se despirem acabam se libertando, mostrando de forma sutil um viés artístico humano" - Marco Lobo
  
"Autoconhecimento, libertação, quebra de padrões mentais, crenças limitantes, reconexão comigo mesma, manifestar o meu estado natural com a mãe terra" 

"Fantástico! Me senti muito a vontade e muito, mas muito, maravilhosa!"

"Fazia tempo que eu não fazia algo pela primeira vez, me senti muito a vontade e realizei algo que queria fazer a muito tempo"

"Foi uma experiência diferente, porém muito boa. Um pouco de nervosismo no começo, mas deu tudo certo"

"Incrível, uma energia maravilhosa"

"Tranquilo. A lente é mais gentil que o espelho. Permiti e perdoei meu corpo, meu rosto"

"Foi uma experiência incrível, me senti empoderada, amei"

"Uma magia que só entende quem tem a ousadia da experiência"

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Lançamento da revista Zum #20

maio 05, 2021 | por Resumo Fotográfico


A 20ª edição da revista Zum traz ensaios visuais, artigos e entrevistas sobre temas como o trabalho dos entregadores na pandemia, a representação das mulheres negras e a ressignificação da fotografia pelos povos indígenas – assunto de três matérias da edição.

“Tamo junto não é gorjeta”, ensaio de Allan Weber, é um dos destaques da Zum, também ilustrando a capa da revista. No trabalho, o fotógrafo carioca registra sua rotina como entregador de aplicativo.

A fotógrafa baiana Lita Cerqueira é a entrevistada da edição. Em conversa com a jornalista Maria Hirszman, a artista relembra os mais de 40 anos de sua carreira, marcada pela formação autodidata, o compromisso com a cultura brasileira e o reconhecimento tardio.

Esta edição também publica a série icônica Mesa da cozinha, da fotógrafa americana Carrie Mae Weems. Lançado há 30 anos, o ensaio se tornou um marco da representação das mulheres negras. Em 20 fotografias em preto e branco, tiradas sempre na cozinha de sua casa, a artista registra os dilemas de seu cotidiano.

O artista Denilson Baniwa concebeu um trabalho inédito para a revista. Na série “Ficções coloniais”, ele faz intervenções irônicas em fotografias dos povos indígenas feitas por Theodor Koch-Grünberg no século XIX, inserindo ícones da cultura pop, como King Kong, E.T. e Alien.

A publicação também traz uma série de imagens provenientes do arquivo dos Paiter Suruí, que habitam os estados de Rondônia e Mato Grosso. Os registros recém-organizados mostram a vida dos moradores da aldeia e as consequências dos contatos com os brancos, em especial dos processos de evangelização. Este trabalho é acompanhado do texto de Ubiratan Suruí.

Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2006, o escritor turco Orhan Pamuk assina o ensaio Laranja, composto por fotografias e textos de sua autoria. O autor produziu as imagens enquanto perambulava pelas ruas de Istambul, registrando o rastro alaranjado das antigas luminárias urbanas, que estão sendo substituídas por lâmpadas frias.

A Zum publica ainda um conto inédito da escritora Ana Paula Maia, “Pássaro contra os dentes”. O texto é inspirado nas fotografias coloridas e surreais da revista Toiletpaper, criada pelos artistas italianos Maurizio Cattelan e Pierpaolo Ferrari. Na narrativa, intercalada por imagens, um pássaro e um escritor atormentado enfrentam-se em um desfecho violento.

Ainda sobre as relações entre os povos indígenas e a fotografia, o arquiteto Paulo Tavares assina o artigo “Arqueologia do progresso”. O autor escreve sobre a investigação pericial que coordenou, em 2016, para compilar indícios do processo de extermínio do povo Xavante promovido pelo Estado brasileiro entre as décadas de 1940 e 1960. Aqui, suas fotografias ganham um novo papel, de documentação de um massacre.

A 20ª edição da revista Zum tem previsão de lançamento para 20 de maio, mas já pode ser encomendada através da Loja do IMS.

Fotofalando #12 - Bia Chaves

maio 05, 2021 | por Resumo Fotográfico



Neste sábado (8), às 19h, acontece mais uma edição do Fotofalando, programa de entrevistas e debates do Resumo Fotográfico, com transmissão ao vivo através do YouTube. Adriana Vianna vai conversar com a jornalista e fotógrafa pernambucana Bia Chaves.

Sobre a fotógrafa

Natural de Recife, Bia Chaves é formada em Jornalismo pela FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas) e atua há 5 anos com fotografia e produção de eventos pelo Brasil. Em 2021, publicou o livro “Ser(tão): Vidas e Cores”, que retrata os moradores de Várzea Queimada, povoado no Piauí.

terça-feira, 4 de maio de 2021

Oficina online: Retratos e Autorretratos Conceituais com Objetos Afetivos

maio 04, 2021 | por Resumo Fotográfico

A partir de Susan Sontag e três breves estudos de caso na literatura de Clarice Lispector


“Double Portrait”, de Dora Maar, 1930

Nos dias 24, 26 e 28 de maio, a fotógrafa e professora Adriana Vianna vai ministrar a oficina “Retratos e Autorretratos Conceituais com Objetos Afetivos”. As aulas serão online, através da plataforma de videoconferências Zoom. As inscrições devem ser realizadas pelo Sympla.

Sobre a oficina

Propomos uma prática poética de diálogo entre palavra e fotografia, jogando com a memória e a imaginação; convidamos para o ato fotográfico que envolve a apropriação do espaço onde a pessoa se encontra em relação aos objetos com os quais convive e os sentimentos que experimenta durante o processo artístico. Como conclusão faremos uma edição de ebook com uma literatura visual e outras linguagens artísticas que surgirem, de modo que nossa apresentação seja um memorial coletivo desse período.

Sobre a professora

Adriana Vianna escreve regularmente sobre fotografia na página do Resumo Fotográfico, onde expõe tendências para filosofia da imagem, curadoria e crítica, com ênfase no universo feminino. É formada com Licenciatura Plena em Artes Visuais, Especialização em Filosofia e Arte, e estudos em Fenomenologia no Doutorado da Universidade de Filosofia Nova de Lisboa, Portugal. No Rio de Janeiro trabalhou na Galeria Paulo Fernandes. Vivendo em Minas Gerais há oito anos, leciona História da Arte e sobre Mulheres na História da Fotografia. Seus projetos pessoais envolvem a fotografia autoral e conceitual, autorretratos e processos artísticos que contornam a poética do Tempo e do Efêmero.

Para ler seus artigos, acesse: www.resumofotografico.com/adriana-vianna.

SERVIÇO
Oficina “Retratos e Autorretratos Conceituais com Objetos Afetivos”
Data: dias 24, 26 e 28 de maio de 2021
Horário: segunda e quarta de 19h às 20h30 e na sexta-feira de 19h às 21h
Inscrições: R$ 80, através do Sympla
Local: online, através da plataforma Zoom (o link será enviado após a inscrição)
Informações: contato@resumofotografico.com ou adriana@resumofotografico.com