segunda-feira, 1 de março de 2021

Prêmio Foto Hera 2021

março 01, 2021 | por Resumo Fotográfico


“Sentimento”, de Bruno Kriger, 1º lugar na categoria Cerimônia do Prêmio Foto Hera 2020

Estão abertas as inscrições para o Prêmio Foto Hera 2021, concurso de fotografia de casamento promovido pelo Resumo Fotográfico que contempla cinco categorias (Pré-casamento, Making of, Cerimônia, Recepção, Ensaio de Noivos) e oferece um prêmio em dinheiro ao grande vencedor.

As inscrições podem ser feitas até 14 de novembro de 2021 e cada participante pode concorrer enviando até duas fotos por categoria. As taxas são de R$ 20 e R$ 30 para 6 e 12 fotos, com descontos para inscrições antecipadas. Acesse o regulamento e preencha o formulário online.

As dez melhores fotografias de cada categoria da Escolha dos Jurados serão colocadas em votação popular no site do concurso, entre os dias 01 e 18 de dezembro de 2021. A imagem mais votada pelo público durante esse período será a vencedora da Escolha Popular.

Premiação

O resultado final será divulgado em 20 de dezembro. O grande vencedor da Escolha dos Jurados receberá uma premiação em dinheiro no valor de R$ 1.000. As 10 melhores fotografias de cada categoria serão publicadas em um catálogo online e seus autores receberão selos e certificados.

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Porto Alegre inaugura galeria ao ar livre com retratos de Gilberto Perin

fevereiro 27, 2021 | por Resumo Fotográfico

Junto ao Viaduto Otávio Rocha, na avenida Borges de Medeiros, Galeria Escadaria será espaço permanente de arte a céu aberto


Morgana Kretzmann, atriz e escritora | Foto: Gilberto Perin

A partir de segunda-feira, dia 1º de março, um dos lugares mais conhecidos e icônicos de Porto Alegre receberá um espaço de arte permanente a céu aberto. A Galeria Escadaria, no Viaduto Otávio Rocha, na avenida Borges de Medeiros, no centro da cidade, tem direção e curadoria do produtor cultural e fotógrafo Marcos Monteiro. A primeira exposição será Retratos do fotógrafo Gilberto Perin com a apresentação de 32 imagens em grande formato em 14 painéis de 2x1m.

“São retratos que nos convidam a viajar nos sentimentos que podem despertar em nós o olhar de cada um dos fotografados. Para mim, essas imagens soam como um ato de libertação e resistência em uma época de convivência limitada e restrições causadas pela pandemia. Reencontrar no meu arquivo imagens de gente sem máscara foi um pequeno oásis nesses tempos difíceis”, revela Perin.

As fotografias são inéditas e foram feitas por Perin nos últimos dez anos. Ganham destaque na exposição imagens de escritores, atrizes, atores, artistas visuais, músicos, amigos e desconhecidos, jornalistas, modelos, cineastas, indígenas – gente daqui e de fora do país - e também um autorretrato de Gilberto Perin.


Vaneza Oliveira atriz | Foto: Gilberto Perin

À frente da Galeria Escadaria está o fotógrafo e produtor cultural Marcos Monteiro – reconhecido por seu trabalho no Chapéu Acústico, grande palco de talentos da cena musical do estado, e na Street Expo Photo, considerada uma das maiores mostras fotográficas a céu aberto do país. Monteiro sentiu a necessidade de fazer o Rio Grande do Sul acompanhar as novas tendências que já são realidade em algumas das cidades mais visionárias do mundo:

“Com tantas mudanças ocorrendo em todos os cantos, é fundamental que a gente conduza a cena cultural gaúcha a este cenário de vanguarda e destaque. Neste sentido e em consonância com a responsabilidade social exigida durante a pandemia, nada melhor que a gente levar arte e cultura às ruas. Alimenta a alma e nos conforta diante de tempos tão desafiadores”, afirma Marcos Monteiro.

Retratos, a exposição inaugural da Galeria Escadaria, estará até 31 de março na Escadaria Verão, junto ao Viaduto da Borges de Medeiros. O acesso ao local é gratuito e a exposição pode ser visitada 24 horas por dia, em qualquer dia da semana.


Júlio Zanotta Vieira, dramaturgo e escritor | Foto: Gilberto Perin

Sobre o fotógrafo

É formado em Comunicação Social pela PUC-RS, em 1976. Suas exposições individuais recentes foram no MARGS (Porto Alegre), Museu do Futebol (São Paulo), em Lisboa (Portugal) e Genebra (Suíça). Possui dois livros de fotografia publicados: “Camisa Brasileira” e “Fotografias para Imaginar”. Tem obras em museus, entidades culturais e coleções particulares, no Brasil e Exterior, além de fotos publicadas em jornais e revistas brasileiras e estrangeiras e imagens que ilustram capas de livros.

Para idealizar a exposição, Gilberto Perin buscou inspiração na obra do filósofo e poeta francês Gaston Bachelard, em “O Direito de Sonhar”, quando diz: “Somos seres profundos. Ocultamo-nos sob superfícies, sob aparências, sob máscaras, mas não somos ocultos apenas para os outros, somos ocultos para nós mesmos. (…) Muitas vezes acreditamos estar descrevendo apenas um mundo de imagens no exato momento em que descemos em nosso próprio mistério”; e através da simplicidade da poesia de Alberto Caeiro (um dos heterônimos do poeta português Fernando Pessoa) que afirma: “O meu olhar é nítido como um girassol. / Tenho o costume de andar pelas estradas / Olhando para a direita e para a esquerda, / E de vez em quando olhando para trás... / E o que vejo a cada momento / É aquilo que nunca antes eu tinha visto.”

SERVIÇO
Exposição “Retratos”, de Gilberto Perin
Data: 1 a 31 de março de 2021
Horário: 24h
Local: Galeria Escadaria - Viaduto Otávio Rocha, Av. Borges de Medeiros, Porto Alegre/RS

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Tesouro fotográfico descoberto no sótão de um prédio em Nova York

fevereiro 26, 2021 | por Resumo Fotográfico



Recentemente, um entusiasta de antiguidades realizou a descoberta de sua vida no sótão de um prédio na pequena cidade de Geneva, interior do estado de Nova York, nos Estados Unidos. O advogado David J. Whitcomb comprou o antigo prédio para expandir sua prática e, durante as obras de remodelação em um andar superior, descobriu uma portinhola oculta que levava a um sótão com os restos de um estúdio fotográfico do início do século XX. Entre os tesouros encontrados estão raros retratos das primeiras sufragistas, incluindo a lendária Susan B. Anthony.

Whitcomb e um amigo exploraram exaustivamente o sótão no dia seguinte. Eles encontraram muitas peças incríveis que datam do final do século XIX e início do século XX. O loft abrigava negativos de vidro, gravuras antigas e grandes equipamentos fotográficos antigos. Estava claro que o equipamento pertencera a um fotógrafo comercial de retratos. O nome de James Ellery Hale levou Whitcomb a entrar em contato com a Sociedade Histórica de Geneva para obter mais informações. Por meio da investigação do ex-presidente da sociedade, Dan Weinstock, Whitcomb soube que Hale morou em Genebra entre 1892 e 1920. É provável que o fotógrafo tenha comprado o edifício Whitcomb por volta de 1900.

Das imagens descobertas na coleção de Hale, muitas retratam pessoas locais cujas identidades estão envoltas em mistério. Entre elas estão retratos formais de mulheres jovens com uma estética Gibson Girl e fotos de grupos de times esportivos locais. Essas imagens são registros valiosos da evolução histórica, incluindo a participação precoce das mulheres em esportes competitivos. No entanto, entre as imagens, existem vários rostos familiares. Hale fotografou várias mulheres importantes dentro do movimento sufragista - o norte do estado de Nova York era um centro de atividade sufragista. Whitcomb acredita que uma das imagens representa Elizabeth Cady Stanton, uma leal líder do movimento desde o seu início.


A descoberta mais significativa entre as imagens é uma grande impressão de Susan B. Anthony. A imagem foi tirada pelo próprio Hale em 1905, um ano antes da morte de Anthony. A imagem - retratando uma mulher que lidera a luta pelos direitos das mulheres há décadas - é amplamente conhecida. É considerado o retrato oficial de Anthony, já que Hale atribuiu os direitos autorais à Susan B. Anthony Memorial Association. Também é uma imagem em arquivo da Biblioteca do Congresso. No entanto, a descoberta desta impressão original é monumental. Whitcomb também relata que descobriu o negativo de vidro original correspondente. Ele foi encontrado quebrado em muitos pedaços e ainda não está claro se pode ser reconstruído.

Whitcomb consignou as relíquias encontradas na casa de leilões One Source Auctions & Antiques em Canandaigua, Nova York. As peças serão conservadas e leiloadas. Whitcomb manteve várias de suas peças favoritas e pode esperar um bom lucro com o resto da coleção. As imagens de Susan B. Anthony devem ser vendidas por US$ 10 mil a US$50 mil. A coleção inteira está avaliada em cerca de US$ 100 mil. Para tornar esta importante descoberta disponível para todos, a casa de leilões e Whitcomb colaboraram em uma página do Facebook que publicará as imagens e descobertas mais proeminentes da coleção. Com certeza haverá ainda mais joias escondidas entre as massas de material antigo.

Você pode seguir a página J E Hale / Susan B Anthony Collection para se manter atualizado sobre esta cápsula do tempo. Para ainda mais imagens, você pode conferir as fotos tiradas pelos fotógrafos da equipe do jornal Democrat and Chronicle, de Rochester.

Os bailes cariocas de Marco Antonio Perna

fevereiro 26, 2021 | por Thais Andressa



Seguindo a linha da fotografia documental, o fotógrafo carioca Marco Antonio Perna tem dedicado boa parte de sua trajetória aos registros dos shows e bailes cariocas, influenciado também pelo seu amor pela dança. Mas, segundo conta o fotógrafo, apesar de já ter uma rico material, ele não conseguia ver a possibilidade de fazer um livro com a documentação dos bailes. Mas a história mudou quando ele foi tendo contato com outros trabalhos, que tinham a mesma abordagem. “Ao longo dos anos fui colhendo referências internacionais de fotógrafos de rua, principalmente Joel Meyerowitz e mais recentemente o livro famoso de Robert Frank, 'The Americans'”. Mas foi ao conhecer Martin Parr e menos de um ano depois, ter contato com o livro “Small World”, que Marco decidiu tirar a ideia do papel e percebeu o potencial para reunir essas imagens no livro “Bailes Cariocas”. Sua experiência como fotógrafo de dança de salão e de modalidades como danças étnicas, jazz e ballet, ajudou a desenvolver seu olhar fotográfico e possibilitou o projeto do livro, percebendo então a necessidade de documentar os eventos nos quais participava.

O fotógrafo

Marco Antonio Perna é profissional de TI e pesquisador com mestrado, dançarino de dança de salão e um apaixonado por fotografia desde sempre. Iniciou sua carreira de fotógrafo, em 1997, registrando o II Encontro Internacional de Dança, no Hotel Glória (RJ). Foi assim que o fotojornalismo surgiu em sua vida. A ideia da elaboração de um livro já estava presente, mas sei saber de que forma esta ganharia o mundo. Acesse: www.marcoantonioperna.com.br.






quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Exposição: “Puxirum”, de Ricardo Ribeiro

fevereiro 25, 2021 | por Resumo Fotográfico


A partir deste sábado (27), a Galeria Marcelo Guarnieri apresenta “Puxirum”, primeira exposição individual do artista Ricardo Ribeiro na sede da galeria em São Paulo. A mostra reúne fotografias feitas entre 2016 e 2018 em São Pedro, povoado localizado às margens do Rio Arapiuns, no estado do Pará. A série apresenta um olhar poético e político do cotidiano de uma comunidade ribeirinha que organiza seu modo de vida entre as economias de subsistência e mercantil. “Puxirum” foi editada em livro homônimo, impresso em 2020 com o suporte da Pollock-Krasner Foundation. A abertura da exposição marca também o lançamento da publicação.

“Puxirum” é uma palavra de origem tupi que define uma prática social e cultural ainda encontrada em áreas rurais na qual um grupo de pessoas reúne-se por um dia para desenvolver coletivamente um trabalho na roça. Em língua portuguesa pode ser traduzida como “mutirão”. Durante as nove visitas que fez a São Pedro ao longo de dois anos, o fotógrafo Ricardo Ribeiro acompanhou de perto a dinâmica em torno desse trabalho. Em sua primeira visita, ainda em 2016, chegou ao povoado munido apenas de um bilhete, no qual seu amigo Zair pedia a sua mãe Zeneide que o recebesse e o apresentasse aos demais moradores de São Pedro. A partir de então, Ribeiro passou a negociar sua presença naquele lugar através de pequenos serviços que podia oferecer enquanto fotógrafo, restaurando fotografias antigas, corroídas pela umidade, ou fazendo retratos das crianças em trajes de festa.


Enquanto aprendia a observar o seu entorno e a conviver não somente com aquele grupo de pessoas, mas também com a própria natureza, sob um ritmo de vida bem mais desacelerado ao que estava habituado, Ribeiro fotografava. Não pretendia desenvolver ali qualquer tipo de trabalho antropológico, a sensação de estranhamento e o estado de deslocamento lhe permitiriam, afinal, entregar-se ao desenvolvimento de sua linguagem poética. Esse exercício, no entanto, não era imune às problemáticas que configuravam o contexto em que estava inserido, e acabava por traduzir, em imagens, as percepções do fotógrafo. “Isolada pela paisagem e pela falta de eletricidade, a cultura está à beira de uma ruptura com um passado baseado na família, religião, costumes e trabalho comunitário. Os jovens que se beneficiaram dos programas governamentais bem-sucedidos nas últimas duas décadas para reduzir a fome, agora, rejeitam tradições estabelecidas há muito tempo e não se resignam mais às perspectivas limitadas de seus pais”, escrevia Ribeiro em seu diário.

Em “Puxirum”, Ricardo Ribeiro retrata essa sensação de um tempo vagaroso com a ajuda de sua câmera Hasselblad, em um processo totalmente analógico. Por meio de cores pouco saturadas e da baixa luz, suas fotografias transmitem a atmosfera melancólica que envolve a vila de São Pedro, através, por exemplo, do registro de seus habitantes em momentos de introspecção. Em uma delas, retrata a cena ao redor de uma jovem repousando em uma rede azul após ter sido atingida por um raio. “Tampouco havia zum zum zum”, escrevia o fotógrafo, “​havia silêncio, um compasso de espera pelo que o tempo haveria de dizer”​. Tal vagarosidade, que também o acompanhava durante o trajeto de dez horas que tinha que percorrer desde Santarém até São Pedro, é novamente abordada em “Novo Relógio Velho”, filme que também integra a exposição.


Muitas das fotografias que fez em São Pedro foram expostas pela primeira vez na própria comunidade, distribuídas em espaços públicos da vila e exibidas em diversos formatos. Reuniu no Barracão Comunitário 32 fotos em uma exposição, e na noite da abertura preparou um telão na quadra de futebol onde foram projetadas outras tantas imagens. Na escola indígena e na escola regular montou varais de fotos com cinco cópias de cada, permitindo que cada criança pudesse levar para casa aquelas que mais gostassem. Ao ar livre, em pontos onde as fotografias haviam sido captadas, montou alguns painéis das imagens impressas em lona, material resistente às chuvas e à umidade típicas da região. Ainda na casa onde funcionava a retransmissora local, montou uma videoinstalação com a projeção de “Filha Ausente”, filme que fez sobre os filhos que se vão de São Pedro. O título faz referência à música homônima composta por Sr. Riso (cancioneiro local), dedicada a um de seus oito filhos. Ao retornar para São Paulo pela última vez em 2018, Ribeiro deu início a edição do livro “Puxirum”, que além das imagens, reúne fragmentos do diário que escreveu no período em que esteve na vila paraense.

Ricardo Ribeiro nasceu em 1978 em São Paulo, onde vive e trabalha. Fotógrafo e artista visual, concluiu em 2016 o programa de Práticas Criativas do International Center of Photography - ICP em Nova York. Seu projeto “Puxirum” foi exibido in loco, em São Pedro, comunidade situada às margens do Rio Arapiuns, no oeste do Estado Pará, onde foi fotografado entre 2016 e 2018, em mostra concebida e organizada em parceria com os residentes locais. O mesmo trabalho foi premiado, em 2019, pelo 7o Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, e, em 2018, pelo 9o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. Foi ainda exibido em Salvador/BA, Belém/PA, Porto Alegre/RS e Santos/SP. Seu mais novo projeto, “Norte-Sul Esquerda-Direita”, ainda em andamento, foi escolhido e é hoje financiado pela Fundação Pollock-Krasner (Pollock-Krasner Foundation), com sede em Nova York, EUA.


SERVIÇO
Exposição: “Puxirum”, de Ricardo Ribeiro
Data: de 27 de fevereiro a 27 de março de 2021
Horário: de segunda a sexta-feira de 10h às 18h e aos sábados de 10h às 17h
Local: Galeria Marcelo Guarnieri – Alameda Lorena, 1835, São Paulo/SP
Informações: (11) 3063 5410 | www.galeriamarceloguarnieri.com.br

Francesca Woodman, fotografia e performance em autorretratos enigmáticos

fevereiro 25, 2021 | por Adriana Vianna


Francesca Woodman (Denver, 1958) deixou para trás uma obra de grande força poética que fala por si mesma. Mais de 800 fotos impressas, nas quais aparece normalmente fantasiada ou nua, como uma figura semioculta, ou como uma presença fantasmagórica em silenciosos quartos abandonados onde a arquitetura e os objetos ao redor parecem ter uma presença física mais tangível que a sua própria. Estes cenários foram interpretados por alguns como uma prévia de sua morte trágica, e dotou sua lenda de uma aura romântica e maldita que alimenta o mistério que paira sobre sua figura.



Quando se completaram 35 anos de sua morte, por suicídio, no inverno, dia 19 de janeiro de 1981, depois de saltar para o vazio do telhado de um edifício do East Side de Nova York, vítima de depressão, sua obra foi exposta no Foam Museum de Amsterdã, sob o título de Francesca Woodman, On Being an Angel, em uma exposição que reuniu 120 fotografias e seis vídeos feitos durante sua curta carreira. Seu talento precoce foi reconhecido e acolhido como uma avis rara dentro do panorama da fotografia, onde até agora não existiam, como ocorre na música e na literatura, reconhecimentos tão prematuros, e serviu de inspiração para as gerações seguintes, assim como estímulo a seus pares, Cindy Sherman, entre outras. Depois de sua morte, algumas críticas de arte feministas usaram a obra dela em seu “discurso”, disse a curadora da exposição em Amsterdam. “O que eu acho importante é situar sua obra no meio do caminho entre a performance e a fotografia. Suas obras funcionam, às vezes, como fotografias e outras como documentos de uma performance.”


O tratamento que a jovem artista fotógrafa deu ao corpo explorando sua relação com o espaços vazios, ruínas, escombros, sugerem uma obra sublimada pelo sofrimento. Amigas próximas diziam que ela não saberia ser outra coisa a não ser “ser artista”. Com influências surrealistas da fotografia, fotografia de moda e influência gótica da literatura, a obra de Francesca escapa de qualquer rótulo e mantém sua singularidade autêntica no âmbito da originalidade. Sobre sua obsessão com autorretratos costumava responder: “É questão de conveniência, estou sempre disponível” - motivo recorrente na história da arte e da fotografia. Mas, ainda há um debate que investiga se a obra se trata de uma autobiografia. Relatos de pessoas de sua convivência trazem a ideia que de Francesca - filha dos artistas Betty e George Woodman, vivia numa casa que era centro da cena artística da cidade - era muito excêntrica, o tipo de pessoa que não fica indiferente, era brilhante, carismática e teatral; gostava de dramatizar e tudo a afetava profundamente. Era forte, embora brincasse de ser frágil. Parecia estar sempre se divertindo e tinha um sentido particular de humor. No entanto, seu final triste e trágico, suscita dúvida e seu público, por vezes, costuma sentir verdadeira intriga pelos detalhes autobiográficos que acreditam que sua obra revela.

Vamos saber mais sobre Francesca Woodman, sua obra está no programa do nosso curso online “O Nu Feminino na Fotografia e nas Artes Plásticas”, que acontecerá entre 22 de março e 2 de abril. As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas através do Sympla.



Fonte: El País

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Fotofalando #2 - Marco Antonio Perna

fevereiro 24, 2021 | por Resumo Fotográfico



Neste sábado (27), às 19h, acontece a segunda edição do Fotofalando, programa de entrevistas e debates do Resumo Fotográfico, com transmissão ao vivo pelo YouTube e Instagram. Adriana Vianna entrevista o fotógrafo Marco Antonio Perna, autor do livro Female Sculptures.

Sobre o fotógrafo

Marco Antonio Perna é profissional de TI e pesquisador com mestrado, dançarino de dança de salão e um apaixonado por fotografia desde sempre. Iniciou sua carreira como fotógrafo registrando o II Encontro Internacional da Dança, em 1997, no Hotel Glória (Rio de Janeiro), quando além de fotografar percebeu a necessidade de documentar os eventos - foi assim que o fotojornalismo surgiu em sua trajetória. Com vasta experiência em fotografia de dança de salão e de modalidades artísticas como danças étnicas, jazz, ballet e outras, desenvolveu seu olhar para o corpo humano, aventurando-se nesse projeto de nu artístico (2015-2017). A obra do fotografo pode ser vista no seu site: www.marcoantonioperna.com.br.

Curso: O Nu Feminino na Fotografia e nas Artes Plásticas

fevereiro 24, 2021 | por Resumo Fotográfico


Autorretrato de Viktória Kollerová, 2014 (fotografia gentilmente cedida pela artista)

No dia 22 de março, daremos inicio ao curso “O Nu Feminino na Fotografia e nas Artes Plásticas”, com a fotógrafa e professora Adriana Vianna. As aulas serão realizadas ao longo de duas semanas, em seis encontros de duas horas, ministradas de forma online através da plataforma de videoconferências Zoom, com gravação disponível para consultas por até 15 dias após o curso. As inscrições podem ser feitas pelo Sympla.

Sobre o curso

O nu artístico sempre foi tema controverso, sobretudo da figura feminina, que os artistas tomavam como desafio. Entre mudanças culturais, técnicas e estéticas, a pintura passou à fotografia um legado de debates sobre o corpo que ainda hoje pertence às interpretações sociais.

Nesse curso faremos uma imersão na fotografia de nu como uma força poderosa de libertação, pois o corpo desnudo desperta discussões apaixonadas sobre o sagrado, o pecado, o gênero, a sexualidade, a ciência, a identidade cultural e questionamentos quanto aos padrões da beleza.

Habitamos um corpo poético, político e com memórias. O surgimento dos debates feministas revelou também um corpo com o status de Manifesto. Dentro desse contexto, vamos destacar obras femininas que revelam a libertação dos padrões de figuração do nu, como resistência.

Programa

Aula I (22/03) - O nu artístico idealizado, entre as artes plásticas e a fotografia. A construção de significados na relação entre o apreciador e a obra. 

Aula II (24/03) - A estética do nu na fotografia experimental, surreal, expansiva, hibrida, documental, feminista. Desconstruções, construções, transformações, política.

Aula III (26/03) - Nu erotizado, sensual, pornográfico. Imagens do masculino, do feminino, do  híbrido, do exótico, do erótico. Eros e Thanatos em (des)limites sensuais entre paixão e desejo.

Aula IV (29/03) - Fotografia de nu feminino na natureza. Erotismo e empoderamento orgânico, resiliência, comunhão, resistência. Processos de criação. 

Aula V (31/03) - O nu feminino na fotografia de autorretratos. Percepções na autorrepresentação, reconhecimento de si, autoconsciência. Identidade, autobiografia e documentação. Processos de criação. 

Aula VI (02/04) - Espaço livre para apresentação de trabalhos dos participantes do curso para momentos de leitura e filosofia da imagem, crítica e autocrítica, orientação e mentoria. Com a participação de Cid Costa Neto, editor do Resumo Fotográfico.

Sobre a professora

Adriana Vianna é formada com Licenciatura Plena em Artes Visuais e Especialização em Filosofia e Arte pela PUC-Rio, foi produtora de exposições de arte contemporânea na Galeria Paulo Fernandes. Trabalha com artes plásticas e fotografia, desenvolvendo seus projetos autorais por meio dos quais adquire experiência com processos artísticos. Em 2020, participou de exposições com trabalhos fotográficos que contornam a poética do tempo e do efêmero. Escreve diariamente sobre nu artístico no projeto DriDrinkMe e regularmente no Resumo Fotográfico, onde expõe seu interesse por filosofia da imagem, curadoria e crítica na fotografia.

Para ler seus artigos, acesse: www.resumofotografico.com/adriana-vianna.

SERVIÇO:
Curso “O Nu Feminino na Fotografia e nas Artes Plásticas”, com Adriana Vianna
Data: de 22 de março a 2 de abril de 2021
Horário: segundas, quartas e sextas, de 19h às 21h
Inscrições: Sympla (R$ 100, com desconto de 15% para inscrições antecipadas até 6 de março)
Local: online, através da plataforma Zoom (o link será enviado após a inscrição)
Informações: contato@resumofotografico.com

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Encontros Visuais na Esquina do Brasil: mostras têm início nesta semana

fevereiro 22, 2021 | por Thais Andressa

Indicamos mais um festival de fotografia para colocar na agenda

Encontros Visuais na Esquina do Brasil acontece de forma online e encerra no próximo sábado, 27 de fevereiro. A programação é marcada por mostras, palestras, oficinas, círculo de leituras e 300 exposições. As mostras iniciam nesta terça-feira (23), com fotógrafos de várias regiões do Brasil. A ação é organizada pela editora Deu na Telha em parceria com o Círculo da Imagem.


Mostras

Foram contemplados 40 fotógrafos para as Mostras e 30 projetos para compor a Exposição Compartilhada. Cada artista selecionado fará um apresentação de seu trabalho, com 20 minutos de duração e transmissão online pelo YouTube e Facebook. De 23 a 27 de fevereiro, o público poderá conferir os encontros e interagir com os fotógrafos, que compartilharão suas experiências e processos criativos. Serão duas mostras por dia, às 9h30 e às 15h. O artista visual belo-horizontino Angelo Arantes participará da mostra e relata seu sentimento com relação à oportunidade. “Eu fiquei muito feliz quando soube do resultado da seleção, sobretudo, pela qualidade dos trabalhos dos artistas participantes. Acho muito importante estes espaços para circulação dos projetos. Além da visibilidade, temos a oportunidade de diálogo e interação com outros fotógrafos. São os festivais de fotografia, que têm nos dado apoio - artistas emergentes. É muito importante o trabalho que os produtores de festivais têm feito, sobretudo nesse momento tão difícil para as artes”, conclui. Acesse o site e conheça todos os fotógrafos selecionados e tenha acesso ao link para assistir cada apresentação.

Exposição Compartilhada

Está aberta a convocatória para os interessados em receber a Exposição Compartilhada em casa. Serão distribuídos gratuitamente 300 kits, com imagens no tamanho A5 para as residências apenas no Rio Grande do Norte. Os Kits serão enviados para os 300 primeiros cadastrados a partir do formulário online.

Organizadores

Conversamos com dois organizadores do evento, Pablo Pinheiro e João Pedro Tavares, sobre o papel do festival no atual momento. João Pedro destaca a criação de um campo de relações. “O intuito neste momento, sobretudo em época de pandemia, é que possamos criar redes de conexões para que as pessoas possam saber umas das outras, saber o que estão produzindo, colocar os artistas em evidência, reforçando o panorama das artes no Brasil; criar um laço, um afeto com o lugar onde estamos e com o global. Um espaço para compartilhamento de estéticas, políticas e poéticas”, conclui.

Com relação à importância dos festivais para os fotógrafos, Pablo Pinheiro, destaca que os fotógrafos, de certa forma, estão apontando a forma de se contar a história. “Como estamos guardando nossa história e onde a gente quer chegar. O fotógrafo no final das contas, está responsável por talvez desenhar um caminho lá na frente, e ao mesmo tempo, preservar aquilo que está passando. Eu considero que o papel dos fotógrafos nesses festivais é estar atento, ser uma pessoa sensível para perceber o entorno, e mais do que tudo, disponibilizar a forma de compartilhamento de sua produção, pois assim, conseguimos ter trocas que são reais, concretas e construtivas. O festival termina sendo um momento de nos encontrarmos com o fazer um do outro”, afirma.

sábado, 20 de fevereiro de 2021

A fotografia viral de Brendan Smialowski

fevereiro 20, 2021 | por Resumo Fotográfico



A cena de uma ciclista mostrando o dedo do meio para a comitiva de Trump não foi a primeira nem a última fotografia de Brendan Smialowski a viralizar na internet. O fotógrafo da agência AFP é o responsável por capturar a cena do senador Bernie Sanders sentado na posse de Biden, que se transformou em uma enxurrada de memes.

Brendan, que se dedica principalmente à cobertura política em Washington, também fotografou a troca de camisas entre Bolsonaro e Trump e viu rodar o mundo a foto que fez da chefe de campanha de Trump, Kellyanne Conway, ajoelhada no sofá do Salão Oval. Em entrevista para a revista Trip, o fotógrafo contou a história por trás do meme:
“Eu estava a uns 50 metros do Sanders. Naquele momento minha câmera estava apontada para os senadores Ted Cruz e Josh Hawley, que questionaram fortemente o resultado das eleições. Então vi Sanders sentar-se”.








Fonte: Trip/Instagram