quarta-feira, 28 de julho de 2021

As cores no cinema: Como elas influenciam a narrativa de um filme?

julho 28, 2021 | por Viviane Pedroso


Cenas dos filmes da “Trilogia das Cores” de Krzysztof Kieslowski | Fonte: Delirium Nerd

Estudada desde 1666, quando o físico Isaac Newton descobriu o prisma e suas peculiaridades, a influência das cores nos sentidos humanos é cientificamente comprovada.

Mais recentemente, a pesquisa da socióloga Eva Heller, apresentada no livro “A Psicologia das Cores: Como as cores afetam a emoção e a razão” (HELLER, Eva; 1ª edição; ed. Olhares; Maio de 2021), é considerada uma consulta essencial para trabalhar com cores, seja nas artes visuais, na arquitetura, em designs de interiores ou em terapias alternativas.

Agregando uma ampla análise histórico-cultural aos resultados de sua pesquisa, realizada com duas mil pessoas de variados perfis, Heller confirmou que sim, as cores interferem em nossas sensações. Isso acontece através de alguns padrões que estão gravados em nossa mente inconsciente e outros, que vêm do nosso universo social, histórico e cultural.

O significado das cores

Eller verificou, também, que as mesmas cores podem transmitir sensações negativas ou positivas, de acordo com o contexto do filme e ou a cultura do espectador. Por exemplo, de um modo geral, cores quentes como o vermelho, amarelo e o laranja transmitem emoções mais alegres e intensas, como paixão, amor, alegria, erotismo, mas também podem instigar sentimentos de vingança, ciúmes e violência. Isso se deve à percepção de calor e luz solar que os tons nos passam e às nossa referencias culturais e sociais inconscientes. Já as consideradas cores frias como o azul, o violeta e o verde transmitem praticamente o contrário e são usadas para evidenciar sobriedade, equilíbrio, passividade, tristeza, espiritualidade, calma, solidão, infância, introspecção ou um clima frio. A cor preta, na maioria das vezes, é relacionada ao proibido, ao misterioso, ao secreto, à elegância, mas também à tristeza, ao luto. E o branco nos conduz à inocência, à bondade, à paz, à união, à pureza, mas, igualmente, ao vazio, ao neutro.

A semiótica das cores na fotografia cinematográfica

A utilização das cores no cinema gerou muita discórdia no início, como toda novidade tecnológica. Respeitáveis cineastas se posicionaram contra a cor, pois acreditavam que ela tiraria a atenção do espectador do que realmente importa numa história. Em entrevista concedida em 1966, Andrei Tarkovski declarou: “No momento eu creio que o filme colorido não é nada mais do que um truque comercial”. Porém, mesmo com tanta resistência, todos acabaram por aceder aos apelos das cores e passaram a utilizá-la a favor de suas narrativas.

Atualmente é fácil constatar a importância das cores num filme, quando lembramos que, já nas cenas iniciais, elas nos levam a perceber o tipo de narrativa, lugares, épocas, aspectos psicológicos da história e dos personagens. Às vezes, de forma tão obvia que dá nome ao filme, como na trilogia das cores da bandeira francesa, de Krzysztof Kieslowski: “A Liberdade é Azul”, em que predomina nas imagens o azul da serenidade e da harmonia, mas também da tristeza e da melancolia; “A Fraternidade é Vermelha”, em que temos o vermelho representando o amor, a necessidade humana de empatia; e em “A Igualdade é Branca”, em que percebemos a cor branca, de forma mais sutil nas imagens, nos figurinos, porém evidente e representando “o todo”, a união de todas as cores, a possível(?) igualdade. Outras vezes, as cores atuam de maneira pontual e sutil, como em “A lista de Schindler”, Steven Spielberg , em que o vermelho, mesmo meio fosco do vestido da menina, se destaca num cenário em preto e branco sóbrio, melancólico, consternado, remetendo à energia, à vitalidade (frágil, da menina) e à empatia possíveis, em contraposição à crueldade da guerra e suas consequências.


“A Lista de Shindler”, de Steven Spielberg, direção de fotografia de Janusz Kamiński

As cores são uma ferramenta tão fundamental ao se contar uma história cinematográfica, que originam uma paleta exclusiva para cada filme e acabam por definir o estilo do diretor. Quem não ouviu falar das “cores de Almodóvar”? Suas paletas de cores fortes e marcantes acabaram por se tornar sua marca registrada. E as cores fantásticas, escolhidas a dedo para cada cena por Wes Anderson, que inspiram até mesmo a moda e o design de interiores? São inúmeros os exemplos de diretores que valorizam as cores em suas películas.

Portanto, sob a tutela dos diretores geral, de arte e de fotografia, as cores de um filme, além de direcionarem olhares a épocas, lugares e situações e provocar sentimentos e emoções, contribuem significativamente para a plasticidade fotográfica e identidade visual da película, assim como pela definição do estilo dos diretores.

Veja, abaixo, algumas cenas de filmes que se destacam pela utilização das cores em sua fotografia e suas respectivas paletas:


Em “La La Land” (de Damien Chazelle e direção de fotografia de Linus Sandgren, 2016), as cores simbolizam a personalidade dos personagens e sua diversidade


Em “O Cisne Negro” (de Darren Aronofsky e direção de fotografia de Matthew Libatique, 2010), a paleta de cores é marcante, principalmente, nos figurinos da protagonista, que evidenciam, a cada nuance, suas alterações psicológicas em sua evolução na dança e na vida


Em “O Fabuloso Destino de Amèlie de Poulain” (de Jean Pierre Jeaunet, direção de fotografia de Bruno Delbonnel, 2001) a mistura do vermelho (energia, otimismo) ao rosa (pureza) e ao verde (imaturidade), entre tons pasteis (oníricos), anunciam o peculiar mundo da protagonista

“É fácil fazer uma paleta que seja esteticamente agradável,
mas difícil fazer com que ela preste um serviço à história”
Roger Deakins – Diretor de fotografia britânico

Aprecie mais imagens cinematográficas e suas respectivas paletas em Color Palette Cinema.

Fontes:

terça-feira, 27 de julho de 2021

A borboleta enclausurada de Guilherme Bergamini

julho 27, 2021 | por Resumo Fotográfico

Na série intitulada “Butterfly”, o fotógrafo mineiro Guilherme Bergamini retratou sua filha Manu, de apenas cinco anos, obrigada a ficar em casa durante o isolamento social imposto pela pandemia de covid-19.
“Minha filha Malu de cinco anos não tem aulas há mais de 370 dias. São apenas 40 alunos em sua escola e apenas 10 estavam pagando as mensalidades regularmente. O isolamento social gerou muito desemprego, além de o Brasil está passando por uma crise generalizada das instituições. Uma tragédia política e social. Ontem recebi uma mensagem da sua escola: fechou suas portas! Ainda não tive coragem de contar à Malu que sua escola não existe mais.”






Sobre o fotógrafo

Mineiro de Belo Horizonte, é com a fotografia que Guilherme Bergamini expressa suas vivências pessoais e visão de mundo. Entusiasta e curioso pelas novas possibilidades contemporâneas que a técnica permite, o artista visual tem a fotografia como meio de crítica política e social. Premiado em concursos nacional e internacional, participou de festivais e exposições coletivas em diversos países do mundo, além de ter suas fotografias publicadas em diferentes veículos de comunicação brasileiros e estrangeiros.

Para conhecer mais sobre o trabalho de Guilherme Bergamini, acesse: guilhermebergamini.com

sexta-feira, 23 de julho de 2021

O povoado chinês que se transformou em palco para fotos do Instagram

julho 23, 2021 | por Resumo Fotográfico

Em artigo para o site espanhol Photolari, Iker Morán discute sobre a teatralidade em torno das fotografias que são encenadas para serem publicadas na rede social.


Fotos encenadas com o objetivo de evocar uma China bucólica se tornaram a especialidade de Xiapu | Foto: Gilles Sabrié

O Instagram é uma mentira. Pode parecer o resumo típico um tanto injusto dessa rede social que em algum momento se presumiu fotográfica, mas está muito próximo da realidade. E há cada vez mais evidências disso.

E o caso de Xiapu, na China, é possivelmente o exemplo mais claro do tipo de circo em que se tornou. Personalizar a cena para a foto não é nenhuma novidade. Nem os protagonistas posam no que a priori parecia um instantâneo tirado na mosca.

Grandes fotógrafos já tiveram que dar explicações sobre isso. Na fotografia de natureza não há concurso que se livre do escândalo quando se descobre que aquele lobo não é tão selvagem ou que uma foto aparentemente documental faz parte de um passeio montado para fotógrafos.


Então Xianpu foi apenas o próximo passo lógico: transformar uma cidade em uma espécie de parque temático para instagramers.

Os locais atuam como atores daquela foto épica de um pescador ao pôr do sol em um barco, outros queimam ervas para fazer parecer que há nevoeiro no campo e, em suma, cenas de uma China rural que não existia há muitos anos são ou que, pelo menos, não é como nessas fotos.

Uma reportagem recente publicada no The New York Times revela o que, na realidade, não era um segredo, mas um negócio que parece estar indo muito bem.

A cidade se tornou o destino preferido de muitos fotógrafos que querem pular aquela parte de buscar a melhor cena e luz e preferir que tudo esteja pronto para a foto perfeita.


Conforme explicado na reportagem, a cidade é visitada por até 500 pessoas por dia, que pagam para tirar fotos nos diversos ambientes.

Em alguns há até fotos de exemplos do que pode ser alcançado, caso alguém esteja apenas inspirado. Tem até coordenadores que têm um walkie-talkie na mão que cuidam de colocar as modelos na posição perfeita para a foto.

Na verdade, nada que já não existisse, apenas mais organizado, massivo e sem disfarces. Dizer se é real ou não está nas mãos dos fotógrafos, embora seja fácil imaginar que poucos ou nenhum explicará na foto que o que se vê não é uma cena real, mas quase um parque temático.

E, depois da surpresa inicial de descobrir que algo assim existe, a pergunta é obrigatória: quantas dessas fotos perfeitas que vemos todos os dias - e não só no Instagram - são simplesmente uma cena encenada para a ocasião?

Fonte: Photolari

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Convocatória Dodho Magazine #18

julho 22, 2021 | por Resumo Fotográfico



Estão abertas as inscrições para a convocatória da Dodho, revista especializada em fotografia que está selecionando ensaios para sua próxima edição. A publicação tem como objetivo divulgar e promover o trabalho de fotógrafos emergentes e estabelecidos de todo o mundo.

A revista Dodho é distribuída gratuitamente em formato impresso e digital, exclusivamente para a maioria dos profissionais e especialistas da indústria da fotografia de todo o mundo, começando com as mais importante galerias, festivais, agências e editoras.

As inscrições podem ser feitas através do site da convocatória, até o dia 31 de agosto de 2021, em duas modalidades: Cover e Magazine. As fotografias inscritas serão avaliadas em quatro elementos decisivos: técnica, composição, fatores emocionais e estilo.

Leia a convocatória.

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Exposição: “F23 - Encontros Fotográficos”

julho 21, 2021 | por Resumo Fotográfico


Carolina Lacaz
Nesta quarta-feira (21), o Clube Paulistano recebe a coletiva “F23 - Encontros Fotográficos”, sob curadoria de Sergio Scaff e Bel Lacaz. Longe de ser uma mostra padrão de fotografias, a exposição oferece ao visitante a possibilidade de conhecer e se aproximar de mundos inteiros de criação de imagem, de autoria de 23 fotógrafos que estarão disponíveis em locais determinados pela curadoria. Exposições individuais de profissionais convidados, em diferentes momentos de trajetória, oferecem um amplo conjunto de opções imagéticas, em um total de 1.213 imagens, agrupadas em 23 conjuntos, retratadas pela visão de mulheres e homens fotógrafos

Fazem parte da mostra: Alessandra Rehder, Antonio Mora, Betina Samaia, Carol Lacaz, Fabio Colombini, Fabio Figueiredo, Fabiano Al Makul, Giovanna Nucci, Ivan Padovani, Jose Roberto Bassul, Lucas Lenci, Luciano Bonomo, Luiz Aureliano, Melissa Szymanski, Paul Clemence, Pico Garcez, Renan Benedito, Renata Barros, Robério Braga, Romulo Fialdini, Tuca Reinés, Uiler Costa-Santos e Valentino Fialdini, trazem seu universo de imagens para que o público conheça e se aproxime de sua criação. “Esta exposição irá permitir apresentar as diferentes leituras, conceitos, trabalhos e a evolução da fotografia, no olhar destes fotógrafos”, explica Scaff.

Longe de ser uma exposição estática, em formato padrão, a mostra totalmente digital, estará posicionada nas alamedas internas do Paulistano em totens identificados por artista: “cada fotógrafo terá um totem individual para apresentar sua biografia, currículo e coleção fotográfica representativa dos trabalhos executados, durante a sua carreira artística e profissional”, define o curador. Isso possibilita ao visitante o contato com um amplo número de imagens que os transportará a diversos universos criativos peculiares e particulares de cada artista.

As imagens que os artistas apresentam, com seleção de Sergio Scaff, passeiam por temas diversos, distintos e plurais. Incluem temas como arquitetura, meio ambiente, fauna, flora, vida urbana noturna, cotidiano, moda, sonhos, emoções, fantasias, abraçam a vida!

Como um conjunto de possibilidades adicionais à realização da mostra de fotografias, a curadoria disponibiliza uma agenda de ações complementares com ampla programação de visitas guiadas à exposição, encontros, palestras, visitas a ateliês e galerias cuja agenda definitiva estará disponível nas redes sociais do Paulistano para inscrição e agendamento.

SERVIÇO
Exposição “F23 - Encontros Fotográficos”
Abertura: 21 de julho de 2021
Vernissage: 5 de agosto de 2021, às 18h
Período: de 21 de julho a 19 de setembro de 2021
Horário: de segunda a sexta-feira, das 10h às 21h
Local: Clube Atlético Paulistano - Rua Honduras, 1400, São Paulo/SP
Entrada: franca (com convite para não sócios)

terça-feira, 20 de julho de 2021

Fotógrafo registra Rio de Janeiro vazio durante a pandemia

julho 20, 2021 | por Resumo Fotográfico

Na série “Pandemia - Um Rio de vazios”, o fotógrafo Sergio Fonseca retratou o esvaziamento da cidade do Rio de Janeiro durante o isolamento causado pela pandemia de covid-19. Segunda capital mais populosa e um dos principais destinos turísticos do Brasil, a Cidade Maravilhosa ficou com as ruas praticamente desertas.
“A alma do Rio não está apenas em suas belas paisagens, ao contrário. A alma da minha cidade é o povo. Nesses tempos de pandemia, a cidade está diferente. Circulo de bicicleta à procura de imagens dessa 'alma encantadora das ruas', como dizia o cronista João do Rio ainda no início do séc XX. Todas as imagens foram produzidas em dias de semana num Rio aparentemente deserto. Porém, como pergunta o escritor e historiador contemporâneo Luiz Antônio Simas, 'quem disse que a rua anda vazia?'.”










Sobre o fotógrafo

Sergio Fonseca é fotógrafo freelancer. Carioca, morador do Rio de Janeiro. Em 1998, foi um dos criadores do website Photosynthesis, primeiro portal de fotografia brasileiro. Participou de vários workshops, eventos e seminários sobre técnicas fotográficas. Apaixonado por fotografia há mais de 30 anos, Sergio é um apreciador da fotografia de natureza, da fotografia de rua e gosta de compartilhar a sua visão do mundo. “O elemento humano é o que me move.”

Para conhecer mais sobre o trabalho de Sergio Fonseca, acesse seu site ou Instagram.

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Prêmio de Fotografia Arteterapia 2021

julho 19, 2021 | por Resumo Fotográfico



Estão abertas as inscrições para o Prêmio de Fotografia Arteterapia 2021, concurso de fotografia promovido pela instituição Natureza e Coração de Yoga.

As inscrições devem ser realizadas até 16 de novembro 2021, através do formulário online ou através do email digitalboards@bol.com.br, com envio das fotos e ficha de inscrição preenchida.

Categorias

O participante pode se inscrever em uma ou nas cinco categorias abaixo:
  • Cena de Rua – Cenas urbanas, detalhes captados nas cidades, desenhos tipo grafite, imagens da tecnologia urbana, arquitetura.
  • Natureza – Vida selvagem, macrofotografia, fotos que envolvam elementos naturais, como plantas, minerais e animais.
  • Paisagem – Representação de espaços urbanos, naturais ou rurais em que a presença humana é um elemento secundário; imagens de cenários noturnos e astrofotografia
  • Asanas de Yoga Autorretrato - Sua própria representação na imagem de um asana, postura de yoga, montado.
  • Asanas de Yoga Pessoas - Imagem de outras pessoas praticando yoga, pode ser um asana de uma pessoa, ou coletivo praticando.

Premiação

Os 25 finalistas farão parte do livro comemorativo, divulgado na Amazon e sites do prêmio. Os 15 finalistas das 5 categorias receberão medalhas de Ouro, Prata e Bronze, respectivamente, e farão parte de uma exposição que será inscrita em editais por todo país em outras seleções, e da exposição virtual. Um fotógrafo escolhido pela Comissão Julgadora entre os 15 premiados receberá o troféu Prêmio de Fotografia Natureza e Coração de Yoga 2021.

Leia o regulamento.

sexta-feira, 16 de julho de 2021

8ª edição do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger

julho 16, 2021 | por Resumo Fotográfico

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até dia 23 de julho


Felipe Fittipaldi
Com o objetivo de incentivar, divulgar e valorizar a produção fotográfica brasileira, a Fundação Cultural do Estado (Funceb/SecultBa) lançou a 8ª edição do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, que irá premiar quatro ensaios fotográficos oriundos de todo o país. As inscrições – gratuitas e online – seguem até 23 de julho. Podem participar fotógrafas e fotógrafos acima de 18 anos e residentes no Brasil.

Nesta edição, os prêmios serão dados de acordo com três categorias: Ancestralidade e Representação, na qual serão apreciados os ensaios que abordem a etnofotografia enquanto possibilidade de registro e interpretação dos aspectos relacionais, familiares, sociais, e dentre outros; Questões Históricas, na qual serão apreciados os ensaios fotográficos que dialoguem com o momento histórico contemporâneo, considerando a realidade pandêmica e suas consequências e, por fim, a categoria de Livre Temática e Técnica, que premiará ensaios fotográficos documentais que registrem de forma livre no que se refere a sua temática e técnica utilizada e que tragam aspectos despercebidos na observação do cotidiano. Cada participante concorrerá em apenas uma das categorias.

Premiação

Nestas categorias, três participantes receberão um prêmio no valor de R$ 30 mil, um quarto participante com a prerrogativa de ser baiano, ou se estrangeiro residente legalmente por mais de dois anos na Bahia, será premiado com uma residência artística em parceria com o Instituto Sacatar, além do valor de R$ 10 mil. Os ensaios fotográficos devem ser inéditos (podem já ter sido expostos), mas não podem ter sido premiados no Brasil ou no exterior.

Já para a exposição coletiva (física e virtual) e do catálogo do 8º Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger serão selecionados 15 ensaios fotográficos, sendo quatro oriundos das premiações e os demais (11) indicados pela comissão de seleção. Cada um destes 11 selecionados receberá uma ajuda de custo de R$ 2.500. O público também poderá – por meio de Consulta Pública – indicar profissionais de reconhecida atuação na área da Fotografia para compor a Comissão de Seleção do Prêmio. Após análise, a Comissão será nomeada pela Diretora Geral da Funceb, que será composta por cinco integrantes, sendo três da Bahia e dois de outros estados brasileiros.

A exposição física acontecerá no Palacete das Artes de 4 de novembro de 2021 (nascimento de Pierre Verger) a 30 de janeiro de 2022 e estará aberta para visitação pública, com entrada gratuita e sujeita aos protocolos sanitários decorrentes da pandemia. A expo virtual também estará disponível no mesmo período, no site da Funceb. Nesta 8ª edição, será lançada a Coleção Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, que será composta por doações de fotografias por parte dos selecionados para o acervo da Funceb. Os premiados também receberão bolsas de estudo nos cursos de Francês oferecidos pela Aliança Francesa.

Para saber mais, acesse: www.fundacaocultural.ba.gov.br

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Galeria virtual “Centennials” combina fotografia, audiovisual, desenho e poesia

julho 15, 2021 | por Adriana Vianna



Mudanças vertiginosas de paradigmas estão em andamento. Se por um lado provocam desconstruções diárias, por outro, acontecem reações violentas para conter essas desconstruções, que abalam estruturas milenares de poder. Na galeria virtual multimídia “Centennials”, que será lançada no dia 8 de agosto e poderá ser visitada online, a fotógrafa mineira Márcia Charnizon propõe um encontro com o ‘novo’, com as perspectivas das pessoas entre 16 e 19 anos de idade que cresceram com a cibercultura e não conheceram o mundo sem internet. Trata-se da primeira geração que teve a adolescência atravessada pela pressão e a ambiguidade da expressão das redes sociais e que está crescendo num tempo de colapso do edifício binário: homem x mulher, feminino x masculino, heterossexual x homossexual.



A galeria virtual multimídia “Centennials” contará com acessibilidade em libras e descrições. O projeto foi viabilizado com o apoio do Ministério do Turismo e do Governo de Minas Gerais por meio de edital da Lei Aldir Blanc.

Márcia Charnizon

Márcia Charnizon é natural de Belo Horizonte e graduada em Comunicação Social pela PUC-MG. Começou a fotografar em 1983, combinando práticas artísticas diversas (fotografia, vídeo, escrita e arte sonora). Tem uma especial atuação no campo da criação de memória e a produção de novos sentidos com a fotografia documental de família, com trabalhos reconhecidos no Prix de la Photographie Paris, de 2009 a 2011. Seu livro “Memorabília da Casa do Azevedo” recebeu o XIII Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, em 2013. A artista se interessa pelas forças afetivas, o movimento que elas provocam e como isso dialoga com questões da vida contemporânea. A imagem, para ela, é sempre uma construção junto à pessoa fotografada com a escuta de histórias, dores e desejos mais íntimos. Márcia acredita que a potência do seu trabalho acontece dentro do espaço da intimidade, espaço que de fato a interessa.

“Em Bolhas” e “Caça às Palavras” são seus projetos mais recentes. “Em Bolhas”, realizado em 2019 e 2020, e apresentado no Memorial da América Latina – Uma Janela para a América Latina–SP e na Fotodemic - NY/EUA, aborda as bolhas sociais e a mutação desse signo após a pandemia Covid-19. E “Caça às Palavras”, lançado em outubro de 2020, expressa através de imagens os discursos invisibilizados de violência contra a mulher. Foi apresentado na Revista de Fotografia Latinoamericana Ampolleta Roja e no FestfotoPoa -Porto Alegre/RS, sendo finalista da convocatória Nuvens de Silêncio.

FICHA TÉCNICA
Centennials
Criação, pesquisa, fotografia, produção e desenho do site – Márcia Charnizon
Trilha e efeitos sonoros – uai, pepo
Assistente de produção – Pedro Moreira
Desenvolvimento do site – Paula Oliveira
Interpretação em libras e descrições – Marcella Sousa

SERVIÇO
Galeria virtual multimídia “Centennials”, de Márcia Charnizon
Lançamento: 8 de agosto de 2021
Disponível em libras e descrições
Acessível no link:  www.centennialsmarciacharnizon.com.br

quarta-feira, 14 de julho de 2021

Agnès Varda - A fotógrafa que influenciou o cinema mundial

julho 14, 2021 | por Viviane Pedroso


Agnès Varda no set de seu filme “Sans toit ni loi”, em março de 1985 | Foto: Micheline Pelletier/Gamma-Rapho

Agnès Varda (Bélgica, 1928-2019) iniciou sua carreira profissional como fotógrafa, o que marcou profundamente sua atuação como cineasta. Tardiamente reconhecida como uma das precursoras da Nouvelle Vague (final da década de 1950), ao lado dos reconhecidos Godard e Truffaut, Agnès influenciou intensamente a linguagem do movimento, através da simbólica e meticulosa narrativa fotográfica de seus filmes, tendo sido referência e inspiração para grandes autores como Ingmar Bergman, em “Persona” (1966), Woody Allen, em “Love and Death” (1975) e David Lynch, em “Mulholland Dr” (2001), entre tantos outros, até hoje.

Logo em seu primeiro longa, “La Pointe-Courte”, em 1955 (aos 25 anos), a autora desliza por uma fotografia marcante, cinemática, cautelosamente desenhada para contar a história com imagens mais protagonísticas que os próprios personagens. Ela costumava dizer que a câmera era sua “caneta” de “escrever” filmes.


Em 2015, Agnès Varda recebeu a Palma honorária de Cannes | Foto: Mathilde Petit/FDC

Sempre com engajamento político e revolucionário, Agnès retratou, a 24 assertivos fotogramas por segundo, tanto o vasto e peculiar mundo feminino e feminista (Cléo de 5 a 7, 1962; Resposta das Mulheres: Nosso Corpo, Nosso Sexo, 1975 e Uma Canta, Outra Não, 1977, entre outros), quanto o combate ao racismo e à desigualdade social (Panteras Negras, 1968 e Os Catadores e Eu, 2000).

Por meio de construções fotográficas auspiciosamente elaboradas e com extrema sensibilidade e proximidade aos temas, Varda torna reais e tangíveis tanto as histórias reais quanto as de ficção.

Cada película da cineasta, primeira diretora a receber um Oscar honorário pelo conjunto da obra (2017), é pura poesia imagética que envolve e move profundas emoções em corações e mentes.

Veja algumas de suas principais influências:

Composições fotográficas em vários planos de perspectivas, em “La Pointe Courte”, 1955;
 


Imagens refletidas, em “Cléo de 5 a 7”, 1962;



Sobreposições de rostos em primeiro plano, também em “La Pointe Courte”:



Enquadramentos jornalísticos, em “Daguerreotipos”, 1976;



E uma dica: o bom humor de Agnes, a “vovó punk” (apelido adquirido graças a seus cabelos exóticos) e belíssimos retratos gigantes podem ser apreciados na deliciosa viagem do filme-ensaio “Visages, Villages”, produzido por Agnès e pelo fotógrafo itinerante de mega retratos, JR.