segunda-feira, 2 de maio de 2011

Entrevista: Rodrigo Bressane

Foto: Lucia Honda
Formado em Jornalismo e trabalhando como designer, Bressane decidiu transformar o hobby em profissão. Referência na Fotografia e no tratamento de imagens, Rodrigo ministra workshops de fluxo digital no Brasil e no exterior.

Você é formado em Jornalismo. Chegou a trabalhar nessa área?

Sim. Escrevi por mais de sete anos para o caderno de informática e telecomunicações do jornal Estado de Minas e fui colaborador de outras publicações. Sempre gostei de escrever e, provavelmente por força dos meus gostos pessoais, acabei sempre caindo pra essa área da tecnologia.

Você começou a trabalhar com design na Alemanha. Como foi isso e qual carga essa experiência tem no seu trabalho fotográfico hoje?

Enquanto trabalhava com tecnologia, no jornal, descobri o Photoshop. Isso foi no final dos anos 90, comecinho da popularização da Internet, especialmente no Brasil. Me apaixonei pelo design e quis aprofundar no assunto. Surgiu esta oportunidade em um estúdio de design da Alemanha e eu agarrei com unhas e dentes. Mudou a minha vida. Não só pelo trabalho e por ter literalmente mudado o rumo da minha carreira profissional, mas pelo contato com uma cultura totalmente diferente. Sinto saudades do meu tempo na Alemanha todos os dias.

Como foi a decisão de transformar o hobby fotográfico em profissão?

Eu tinha um estúdio de design e desenvolvimento e andava meio cansado de trabalhar com projetos e serviços web de longa duração. Por alguma razão acabei decidindo aprender a fotografar e passei a me dedicar a isso com uma paixão enorme. Naturalmente comecei a receber ofertas de trabalhos fotográficos. E tive medo, inclusive, do que seria da minha paixão quando virasse trabalho. Mas, felizmente, foi um processo rápido e prazeroso. Adoro esse trabalho.
 
Você ministra workshops no Brasil e nos Estados Unidos. Quais as diferenças que você percebe entre esses dois universos na fotografia? E em termos de mercado?

Nos Estados Unidos eu já dei cursos para turmas de fotógrafos brasileiros e americanos. Curiosamente, não percebo muita diferença. A grande vantagem, por lá, é o acesso que os alunos têm a equipamento muito barato e de primeira linha. Isso muda muito com relação às turmas daqui. No Brasil a gente sofre um bocado pra conseguir montar uma estrutura mínima, especialmente para os que estão começando. Mas estes desafios não podem fazer diferença pra quem é apaixonado com a coisa.
 
Você é considerado uma referência na Fotografia e tratamento de imagem. Como você recebe isso pessoalmente?

Esse tipo de reconhecimento sempre me deixa muito lisonjeado e agradecido. Ao mesmo tempo, procuro ter o cuidado de lembrar, sempre, que todos nós temos muito chão pela frente. O fotógrafo referência pode muito facilmente transformar-se em um profissional parado no tempo. Isso é um grande perigo. Embora reconheça que meu trabalho seja lembrado positivamente por muita gente, pessoalmente me considero um iniciante. E pretendo que seja assim para sempre. Acredito que, pensando assim, sempre vou buscar o crescimento. E aprendizado não tem fim.

Você possui dois projetos autorais paralelos, um com pessoas tatuadas e outro com sardas. Como surgiram esses projetos e qual a importância deles pra você?

Os meus projetos pessoais são de importância vital. Embora eu seja apaixonado pelo trabalho, quando estou fotografando para algum cliente, nunca consigo realizar totalmente o que eu quero. Existe sempre um “briefing”, um roteiro, uma linha de raciocínio que deve ser seguida e, nem sempre, é a maneira como eu abordaria o trabalho se tivesse o controle absoluto. Nos meus projetos eu mantenho acesa aquela chama do amador, do fotógrafo que está sempre experimentando. Meus projetos não têm prazo de validade, nem objetivo certo. Um dia, acredito, vão render algum reconhecimento maior do que eu imaginava. Mas continuo fazendo independentemente disso. O que eu quero é ter, sempre, algum trabalho em que eu tenha absoluto prazer e nenhum compromisso.

Como é a escolha das modelos? Algum motivo particular por serem todas mulheres ou faz parte do seu inconsciente masculino?

São sempre pessoas comuns. E quase todas me procuram porque souberam do projeto por algum amigo, ou pelo meu blog. Quando comecei com o primeiro projeto, que foi o de tatuadas, a ideia era fotografar todo mundo. Homens e mulheres, jovens ou não. Mas a procura foi praticamente só de mulheres no começo e aí eu resolvi focar. Mas quero fazer um só com homens em breve, com uma outra leitura. Ambos os projetos são essencialmente de nu. Como você faz para que as modelos percam a inibição e se sintam à vontade? As pessoas que me procuram normalmente já conhecem o trabalho e, principalmente, tem a perfeita noção do resultado. Acho que isso é o mais importante. Vez ou outra alguém fica mais inibida, mas é raro. E eu, pessoalmente, nem penso muito nisso. Eu tenho meu jeito e acho que as pessoas se sentem naturalmente à vontade quando fotografam comigo. Sem liberdade, tanto para o fotógrafo quanto para a modelo, é sempre muito mais difícil produzir coisa boa. Estar de bem com o processo é essencial.

Quais características você acredita que são as mais importantes em um bom fotógrafo? 

Pra quem fotografa gente, como eu, o mais importante é saber lidar com as pessoas. E falo isso sem a menor propriedade, porque sou extremamente anti-social e muito mais tímido do que pensam que eu seja. Mas no estúdio, fotografando, me sinto à vontade e consigo me aproximar do outro. Muito mais que num ambiente social qualquer. Além disso, é importante estar sempre empolgado com a coisa. Esse é um trabalho movido pelo prazer, pela curtição. Fotografar sem vontade não dá certo.

Quais fotógrafos cujo trabalho você admira e qual a relevância deles na sua produção?

Gosto muito de Joey Lawrence, Ryan McGinley, Patrick Hoelck, entre outros. Eu curto maluquices e experimentos e, quando vejo o trabalho de alguns destes fotógrafos, fico certo de que há sempre algo novo a ser feito.

Existe algo que você faz para renovar seu processo criativo e evitar cair em certas fórmulas?

Pesquisa e aperfeiçoamento são, pra mim, a lenha na caldeira do processo criativo. Ver o que outros fazem, entender que há sempre alguém muito à sua frente e estudar. Este ano, inclusive, pretendo dedicar boa parte do meu tempo a alguns cursos com gente que admiro, especialmente no exterior.

Quem você gostaria de fotografar e ainda não teve oportunidade?

Adoraria fazer um retrato do Christopher Hitchens, um dos escritores e intelectuais que mais admiro. Não tenho a mínima esperança de que isso vá acontecer, mas, fantasiando, é o que vem em mente. No Brasil, a Mel Lisboa, que tem o rosto de um anjo.

Como é o Rodrigo sem câmera na mão? O que gosta de fazer quando não está trabalhado?

Estou sempre trabalhando. Não sei tirar férias e, quando tento, falho assombrosamente. Adoro ciência e passo boa parte do meu tempo livre lendo ou assistindo documentários sobre a vida na Terra, os mistérios do Universo e outros assuntos do tipo. Mas sou um desastre para curtir a vida. Mudar este quadro é mais um daqueles planos para o ano. Se sobrar tempo.

Foto: Rodrigo Bressane






















Para conhecer melhor o trabalho de Rodrigo Bressane, visite o site www.bressane.com

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1 comentários:

  1. Bacana conhecer um pouco mais do Bressane. Sou fã do trabalho dele.

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