sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Você tem medo da crítica?

"O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a sermos salvos pela crítica." - Norman Vincent.

Foto: SXC
Os fotógrafos, assim como muitos profissionais que trabalham com a criatividade, depositam em suas obras não apenas os seus conhecimentos técnicos, mas também muitos sentimentos. Por terem essa relação tão intima com seus trabalhos, é muito comum que alguns sintam-se atacados pessoalmente quando recebem uma crítica sobre suas fotos. Muitas vezes, recusam-se a refletir sobre elas e tentam rebatê-las da pior maneira possível: querendo diminuir o trabalho do crítico, como se a sua competência em realizar devesse ser obrigatoriamente a mesma em perceber. Mas, sendo assim, deveríamos, ser obrigados a engolir qualquer prato de comida sem o direito de criticar e opinar, caso não tenhamos conhecimentos culinários?

Ao publicar algumas fotos nas redes sociais, é comum que fotógrafos recebam diversos elogios, os quais, na maioria das vezes, não representam na verdade uma qualificação da obra, mas sim uma demonstração de apreço pessoal para com o autor. Ou seja, quanto mais popular a pessoa, maior será o número de comentários do tipo: "que lindo", "maravilhoso", "perfeito", etc... Nada contra os elogios, eles são sempre bem vindos. Mas muitas vezes são apenas gentilezas oriundas de leigos e não servem para medir a qualidade de um trabalho de forma objetiva e muito menos proporcionar uma reflexão construtiva a respeito do mesmo.

Vivemos em um universo selecionado, onde é possível escolhemos o que ouvir (ou ler) criando uma redoma em torno de nós mesmos. Eu mesmo já fui bloqueado do Facebook, por criticar uma atitude de uma colega fotógrafa. Da mesma forma, conheço outras pessoas que foram expulsos de grupos por fazerem o mesmo. Em nenhum dos casos as criticas foram desrespeitosas ou direcionadas de forma a prejudicar a pessoa, mas aparentemente, o ego tomou as dores.

Recebendo e reconhecendo a crítica

Para saber receber uma crítica é importante, antes de tudo, não ignorá-la. Se você considera a crítica uma atitude arrogante ou indelicada, ignorar (ou bloquear) a pessoa, não será mais digno. Tenha paciência para entender o que a pessoa quis dizer com a sua colocação e tente interpretá-la.
A crítica sobre um trabalho deve ir muito além do gosto pessoal. Comentários como: "não gostei", "achei feio", "não gosto dessa cor", etc, não dizem nada a respeito da obra em si, mas sim sobre quem está criticando. São apenas opiniões baseadas no gosto de quem vê. Algo meramente subjetivo. Como não existe em uma obra a intenção de agradar a todos - mesmo porque seria impossível - esse tipo de posicionamento não chega a ser de fato uma crítica, mas apenas uma expressão pessoal de quem está fruindo da imagem.

Comentários sarcásticos ou ainda ofensivos, também não devem ser, de forma alguma, considerados uma crítica. Como já comentei, essa é uma área onde existe muito ego envolvido e por vezes eles entram em conflito. Ou seja, em muitas ocasiões, a motivação do seu "crítico" vem  de um sentimento de competitividade ou pura inveja, tentando diminuir seu trabalho.

É importante saber diferenciar as duas coisas, para não levar para o lado pessoal uma critica que pode ajudar a refletir sobre seu trabalho ou ainda, para não perder a motivação por receber um comentário cujo único interesse é depreciar sua obra.

A crítica genuína é feita quando o autor (da crítica) tenta se concentrar em aspectos objetivos da percepção, geralmente respaldado por estudos teóricos (mesmo quando não citados) que proporcionam aos leitores da obra e ao autor uma reflexão a respeito do que é visto e do meio em que está inserido. Embora o crítico seja um apaixonado pela arte, é desejável que sua avaliação seja analítica.

Rebatendo a crítica

Mesmo que muito bem gabaritados, os críticos não têm sempre razão. Por mais pertinentes e objetivos que sejam na maioria de seus comentários, algumas vezes não conseguem escapar de algumas influências, sejam pessoais ou externas. Como suas interpretações estão relacionadas - além dos conhecimentos histórico, conceitual e técnico - também à parte sensorial da percepção da imagem, não é impossível que sua sensibilidade possa se alterar em determinados momentos. Da mesma forma, pode ser influenciado por determinados conceitos de outros críticos ou mesmo de outros trabalhos.

Nesse momento, é importante que o artista tenha consciência do seu trabalho e, após avaliar a crítica recebida, ponderar se é ou não relevante, reconhecendo-a ou assumindo sua obra como é.

O crítico A. D. Coleman [centro da foto] durante a abertura do New York Photo Festival em 2012. (Reprodução/Demotix)

Se você não tem medo da crítica, pode experimentar postar suas fotos em alguns grupos do Flickr destinados a isso, como o "Aprimorando através da critica fotográfica", que dá continuidade ao inativo "Crítica Fotográfica", assumindo sua finalidade de "ser um espaço sério para receber e fazer críticas compromissadas e construtivas em fotografias".

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2 comentários:

  1. Caro Cid Costa, parabéns pelo seu comentário sobre " A Critica", percebi muita sabedoria em sua palavras, gosto muito da crítica inteligente, pois, ela nos faz evoluir como pessoa, e como profissional, seja qual for a área. O difícil é encontrar pessoas dispostas à criticar para o bem da evolução.
    Abraços!!

    Milton

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