quinta-feira, 21 de março de 2013

Profissão de fotógrafo exige persistência, talento e dedicação


Ainda há quem acredite que ser fotógrafo é uma das profissões mais fáceis e lucrativas que existem. Basta apertar um botão e voilá: a foto está feita! Agora é só comercializá-la a um preço altíssimo e lucrar com o esforço de apenas um dedo. A realidade, no entanto, é muito diferente, e esconde algumas verdades pouco conhecidas.

"Vire fotógrafo em um dia" e "compre uma câmera e lucre de forma extraordinária" são algumas das propagandas enganosas encontradas por aí, assim como a falácia de que apertar o botão de uma máquina profissional forma um fotógrafo instantaneamente. Em nota publicada no site da Arfoc-PR (Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos), a entidade concorda que a fotografia realmente está em alta. Porém, "a democratização e popularização de câmeras fotográficas, inclusive as de celulares, não substituíram a visão, o olhar e o conhecimento de um fotógrafo profissional e especializado".

Para o presidente da Arfoc-PR, Valquir Danilo Aureliano, além do tempo de profissão, de anos de prática diária e investimentos financeiros em equipamentos de ponta, a profissão passa pelo campo teórico e de formação. "Não por menos, há cursos de formação superior, especialização e cursos técnicos ministrados por escolas e professores sérios", afirma. "Além disso, em determinadas áreas há necessidade de conhecimento específico, registro profissional - tal como os repórteres fotográficos", lembra Aureliano.

De acordo com o professor de fotografia e diretor do Naptec (Núcleo de Aprendizagem Profissional e Tecnológico), Píndaro Cancian, as instituições que oferecem módulos curtos na área de fotografia, como o Naptec, visam um público diversificado - desde amadores que compram uma câmera e querem aprender a manuseá-la, até fotógrafos mais experientes, que já buscam os módulos mais avançados, para o aprimoramento profissional e conhecimento de novas tecnologias. "Porém, para quem deseja ingressar na área, deve cursar pelo menos três módulos e praticar bastante, antes de mergulhar na profissão", aconselha Cancian.

Sandra Fantin finalizou o terceiro módulo em fevereiro. Atualmente ingressando na área, ela começa a produzir os primeiros books. Na opinião da administradora, o curso foi essencial para que ela começasse a dar os primeiros passos na carreira. "Os conceitos e técnicas jamais poderiam ter sido ensinados em menos tempo. Não é somente apertar um botão, como algumas pessoas ainda pensam ser", comenta. Hoje, ela já sente as dificuldades dos profissionais e sabe que conquistar seu espaço no mercado não será fácil. "Tem que estudar muito e não buscar ganhar dinheiro com um trabalho ‘mais ou menos’. Ou você é bom ou não é. Primeiro investe-se, torna-se um profissional de qualidade, e somente aí vem o retorno", ressalta.

Valterci Santos, Fotojornalista (Divulgação)
A experiência de mais de 20 anos ajuda o repórter fotográfico Valterci Santos a conquistar a clientela. "É importante possuir um belo material fotográfico e conhecer uma boa rede de pessoas, porque a indicação é que faz o profissional ser valorizado", explica. Segundo ele, quem procura os cursos de fotografia pensando em adquirir um salário alto com pouco esforço e pouco tempo de experiência, está no caminho errado. "Se pensar primeiro no dinheiro, pode esquecer. Fotografia é para quem gosta. Depois se pensa no salário", defende Valterci.

Além do fotojornalismo, a profissão tem um amplo leque de mercado: fotografia de moda, fotografia publicitária, fotografia de produto, de pets, social, arquitetura, retratos, de esportes, de natureza, etc. De acordo com o fotógrafo Leandro Neves, de São Paulo, o segredo é a especialização. "Antigamente, os fotógrafos trabalhavam em diversas áreas da fotografia, mas com a especialização cada vez mais crescente hoje vemos fotógrafos de casamento que só fotografam um determinado tipo de cerimônia como mini weddings, ou vintage weddings", diz. Segundo ele, os campos mais promissores para a carreira são a fotografia publicitária e a fotografia de casamento.

Neves conta que abandonou a faculdade de Administração para dedicar-se à fotografia: "foram 18 meses de estudos e preparação para os primeiros trabalhos", lembra. "Só quem é fotógrafo sabe de todas as trilhas que percorremos, de todas coisas que deixamos para trás e de todas as lágrimas e suor que derramamos para fazer o nosso trabalho ser cada vez melhor. Por isso, dizer que é possível virar fotógrafo em um dia é mais do que uma afronta - é quase jogar por terra todo o esforço de uma vida!", desabafa.

Para aqueles que, apesar das dificuldades, decidem seguir em frente, o destino é a realização. É isso que garante Valterci Santos: "Depois de um tempo, você acaba vendo que valeu muito a pena ter se dedicado a tudo aquilo, lá no começo. Hoje, sou realizado profissionalmente", comemora o fotógrafo curitibano.

Central Press

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