terça-feira, 24 de novembro de 2015

8 motivos para você experimentar a fotografia com filme

O fotógrafo neozelandês Stephen Dowling é escritor e fotógrafo no seu tempo livre. Apaixonado por fotografia, ele descreveu 8 razões pelas quais fotógrafos digitais deveriam passar pela experiência de fotografar utilizando filme.

Karsten Seiferlin

Os benefícios de se fotografar com filme, algumas vezes, perdem-se no embate entre os devotos do filme e da fotografia digital. Os pontos positivos - e acredite, há muitos – ficam ofuscados.

Isso é uma pena por dois motivos. A fotografia é uma paixão pessoal e cada indivíduo encontra seu estilo particular de fotografar por razões muito singulares. Não é tão diferente da forma como nos apaixonamos pela música que fazemos (e eu fui um jornalista musical por 20 anos, então tive muitas oportunidades para meditar sobre isso). Há fotógrafos para quem a revolução digital foi uma rota para expressar a criatividade e fazer algo que podem chamar de seu. Não é correto que os fotógrafos que trabalham em analógico desmereçam isso.

Em segundo lugar, as fileiras cerradas de fotógrafos digitais possuem fotógrafos jovens demais para terem iniciado sua experiência com a fotografia analógica. O filme não é algo que eles trocaram pela conveniência do digital, o digital foi sua única experiência. Alguns até se interessaram pelo mundo analógico, mas afugentaram-se por ser muito difícil muito caro ou pouco conveniente. Este texto é uma tentativa de desfazer alguns destes mitos... e incentivar qualquer pessoa que ainda não teve uma chance de fotografar em filme.

#1 Desacelerar

Há hoje uma tentação de clicar com uma frequência exagerada. Captamos nossas vidas através de câmeras e smartphones e compartilhamos estas imagens de várias formas – Instagram, Facebook, Twiter e snapchat, etc. Fazemos isso por ter ao alcance das mãos as mais variadas ferramentas para fotografar, então clicamos e clicamos. Fotografamos dezenas de imagens sem pensar a respeito.

Stephen Dowling/PetaPixel/Reprodução

Nada de cinco frames por segundo aqui Um rolo de filme força uma mentalidade diferente – é necessário uma dose de paciência, uma vez que temos apenas 12, 24 ou 36 fotos antes de precisar trocar o filme. Você poderia se concentrar em um rolo de filme em uma SLR de ponta como uma Canon EOS-1 ou uma Nikon F5, mas por quê? Se você quer velocidade e capturar cenas em um fluxo de frações de segundo, então faz sentido fotografar em digital.

Fotografar com filme pode ser uma experiência mais meditativa. Você pode fotografar um rolo de filme em uma hora, um dia ou ao longo de uma semana. É uma experiência muito diferente do estilo de clicar intensivamente da fotografia digital. E desacelerar faz muitas vezes você esperar por uma imagem que vale à pena ser clicada. A espera, muitas vezes, transforma o que seria uma foto mediana em algo mais gratificante. 

#2 Disciplina

Um rolo de filme custa dinheiro. Paga-se para comprar o filme, processá-lo e transformá-lo em cópias de arquivos digitais. A não ser que você seja feito de dinheiro, você não poderá fotografar 500 fotos por dia, todos os dias do ano. Isto pode ser uma decepção para quem quer tirar o máximo de fotos possível, aumentando suas chances de conseguir uma boa foto, mas a disciplina do número limitado de fotos pode, por outro lado, melhorar sua fotografia.

Stephen Dowling/PetaPixel/Reprodução

Fotografar com uma câmera 6x6, como uma Lomo LC-120 te dá apenas 12 fotos para brincar Quando fotografo utilizando câmeras de médio formato 6x6, com apenas 12 fotos em um rolo de filme, tenho uma tendência de ser mais conservador do que quando fotografo com uma 35 mm. Um filme de médio formato custa em média £6; para tê-lo revelado e digitalizado, custará mais £10. Isto não é nada barato e, portanto induz certa moderação. Você não vai querer desperdiçar uma foto, e por isso fica mais disposto a considerar com mais cuidado a composição e a iluminação ou a razão pela qual você está fotografando algo. Não é uma má ideia para ser reproduzida quando se fotografa em digital.

#3 Experiência tátil

Fotografar com uma câmera digital ou com uma analógica envolve ações físicas muito parecidas – a troca de lentes, o foco as mudanças na velocidade e na abertura, olhar por um visor para enquadrar e compor a foto. Fotografar a partir de um smartphone, já é um pouco diferente – você toca na tela com o telefone estendido na sua frente. Nada muito distante de jogar videogame.

Stephen Dowling/PetaPixel/Reprodução

Fotografar em uma câmera analógica – seja uma compacta desajeitada, uma SLR ou médio formato – significa que você deve carregá-la. Abrir a parte de trás da câmera, colocar o filme no carretel, enrolá-lo... Tudo isso faz parte do ritual de fotografar. E não podemos esquecer-nos de rebobinar o filme, um processo que normalmente necessita duas mãos livres.

#4 Não ficar encarando uma tela

A maioria de nós vive cercada por telas de computador – no tabalho, em casa, no transporte para o trabalho - e fotografar, muitas vezes nos proporciona mais uma tela para interagir. Um smartphone ou tablet pedindo constantemente por nossa atenção, - um e-mail para responder, uma atualização do Facebook para ler, fotos do Instagram para nos debruçar. Fotografar com filme, pode repentinamente libertá-lo de todo este estímulo eletrônico. Nada além do vidro dos visores- e com sorte umas poucas agulhas, LEDs ou pictogramas. Não há mais nada para distrair sua atenção. Minha Zenith E de £4 pode ter seus inconvenientes, mas nunca vai me pedir para ler um e-mail enquanto estou tentando tirar uma foto.

#5 Nada de edição, apenas fotografar

Fotografar com um rolo de filme é um retorno ao básico da fotografia – primeiro você fotografa e a edição acontecerá apenas quando o filme for revelado. Os dois são processos distintos. Muitos fotógrafos digitais os separam com sucesso – eles fotografam e editam suas imagens mais tarde. Mas com uma tela para lhe dar um feedback instantâneo, fica sempre a tentação de dar uma olhada naquela última foto, e então na anterior, e na antes daquela...

Stephen Dowling/PetaPixel/Reprodução

O intervalo entre você fotografar em filme e a edição pode ser muito útil para desenvolver seu olhar fotográfico; se você der um tempo suficiente, você simplesmente esquecerá as emoções que o dominavam enquanto estava fotografando. Se você estava em um dia perfeito, de repente todas as fotos daquele dia parecia tirada sob lentes cor-de-rosa. Olhe para elas algumas semanas depois e você não estará mais dominado pelas emoções daquele dia. Você estará com o olhar mais preparado para selecionar o que realmente vale à pena.

#6 Você aprende a “ler” a luz

Os sistemas de fotometria modernos da maioria das câmeras digitais são altamente sofisticados. Eles podem ler e corrigir a luz melhor com mais precisão que um fotógrafo altamente experiente. Isto evita fotos com exposição incorreta, quase sempre garantindo a exposição perfeita. Muitos fotógrafos digitais nunca saíram do modo automático. E por que sairiam?

Stephen Dowling/PetaPixel/Reprodução

Aprender a fotografar com exposição correta, especialmente em uma câmera analógica, é desafiador. É preciso entender como está a luz da cena a ser fotografada e como afetará a exposição. O assunto está iluminado de maneira uniforme, ou há outras fontes de luz interferindo no fundo? O fotômetro da câmera está centralizado, mas provavelmente incorreto? São coisas que se aprende por tentativa e erro. A boa notícia é que quando se fotografa no analógico, seja preto e branco ou colorido, o filme possui uma latitude muito maior que os sensores digitais tratando-se de recuperar detalhes e realces. É um modo de compensação.

#7 Acidentes felizes nunca podem ser reproduzidos

O filme começa a deteriorar assim que sai da fábrica. É um processo lento e gradual, que pode ser adiado por anos, ou mesmo décadas mantendo o filme refrigerado. Mas cada rolo de filme é único, se degrada e modifica de maneira singular. Isso significa que cada rolo apresentará diferenças sutis.

Stephen Dowling/PetaPixel/Reprodução
Este processo é mais evidente nos filmes que passaram da data de validade. Você pode fazer algumas tentativas com eles e os resultados podem ser fantásticos – e quase impossíveis de serem replicados. É um mundo à parte dos algorítimos por trás dos filtros de edição como os do Hipstamatic e Instagram, que podem ser indefinidamente replicados. Se um efeito pode ser repetido apertando-se um botão, então ele já não é mais tão especial.

#8 Esperar é bom

Esperar uma ou duas semanas após voltar das férias até poder ver suas fotos parece uma piada de mau gosto; você já poderia estar recebendo likes no Instagran poucos segundos depois de tirar as fotos. Para a maioria de nós as fotos foram feitas para ser vistas e o compartilhamento de fotos na internet permite que elas sejam visualizadas por pessoas no mundo todo. Mas isso significa que devemos compartilhá-las imediatamente?

Tenho alguns filmes fotografados há alguns meses, um ano, até mesmo há quase uma década que foram fotografados, e que ainda não foram revelados. Eles serão. E quando forem poderei revisitar as ocasiões em que foram tirados; o show de um amigo em Istambul; um festival de verão em uma ilha na Holanda; uma viagem pela Romênia; um domingo ensolarado em uma praia em Brighton. A espera para buscar as fotos reveladas após um feriado não é tão grande. E na espera – mesmo reclamando dela – podemos refletir se o que queremos, pode ser apenas o que pensamos que queremos – assim, é sempre bom ter um pouco de paciência.

Fonte: PetaPixel
Fotos: Karsten Seiferlin

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2 comentários:

  1. concordo com este artigo ,o digital é uma porcaria em relação ao analógico hoje o fotografo não pensa com 6x6 ,a foto estava feita logo na nossa cabeça . sou do tempo de revelar rolos á mao--ver o blog- sombras de alguém ---jose bonito--fotografiajosebonito--Portugal--dia 4 -12-2015 faz 52 anos de fotografo

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