sábado, 10 de dezembro de 2016

Direitos Humanos e Fotografia

10 de dezembro é o Dia Internacional dos Direitos Humanos. A data foi instituída em 1950, dois anos após a Organização das Nações Unidas (ONU) adotar a Declaração Universal do Direitos Humanos como marco legal regulador das relações entre governos e pessoas.

“Repressão Policial contra secundaristas” de André Lucas Almeida

Os Direitos Humanos são amplamente discutidos através da fotografia. O Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, que contempla anualmente, entre outras categorias, a Fotografia, talvez seja o maior expoente desse gênero de registro em nosso país. Na edição deste ano o vencedor foi André Lucas Almeida, com a foto “Repressão Policial contra secundaristas”, publicada no Brasil Post.[1]

Segundo Raquel Willadino, coordenadora de Direitos Humanos da Escola de Fotógrafos Populares da Maré, a fotografia tem um papel fundamental na busca pela efetivação dos Direitos Humanos. A documentação permite dar visibilidade às violações desses direitos e possibilita, ainda, combater a criminalização de determinados setores e movimentos sociais. Para a coordenadora, a inclusão visual, ao criar novas imagens de territórios e sujeitos marginalizados, pode vir a ser uma importante fonte de construção de novos direitos.[2]

João Roberto Ripper

Índios Korotire do Pará, camponeses em Conceição do Araguaia, palafitas na favela da Maré, trabalho escravo em fazenda do Mato Grosso do Sul. Essas são algumas das realidades que já foram retratadas pelo fotógrafo João Roberto Ripper. Ao longo de três décadas e meia, o fotodocumentarista retratou os excluídos e marginalizados de forma distinta, buscando contrariar os estigmas propagados pela grande mídia.

Ripper tenta unir arte com militância política. Para ele, a fotografia tem o dever de dar voz àqueles que estão sendo fotografados: “Como a gente pode falar de favela se a gente não ouve o povo favelado? É grave quando, editorialmente, há a determinação de que sejam esquecidas a beleza, a alegria e a vida da favela. O que a população não conhece não existe. Eu acho fundamental fazer a denúncia, mas é revolucionário buscar a beleza dos espaços segregados”, explica.[2]
Fotos: João Roberto Ripper 



Retratando a própria realidade

O fotógrafo Milton Guran destaca o surgimento da tecnologia digital como um fator favorável às classes de menor renda. Segundo ele, grupos sociais menos favorecidos estão conseguindo operar equipamentos a baixo custo. “A fotografia digital incluiu setores que só aparecem na mídia no momento de tragédia. Agora, esses sujeitos podem colocar em circulação a sua própria imagem e, quem sabe, imprimir na sociedade uma nova maneira de ver o mundo.”[2]

“A fotografia é um conjunto de olhares sobre o mundo, sendo um estímulo à conscientização do sujeito sobre a sua interferência pessoal na tentativa de transformação social do ambiente em que vive.” A afirmação é de Luciana Araújo de Paula, estudante do curso de Direito na Unisinos e bolsista do Núcleo de Direitos Humanos, recentemente criado na universidade.

O projeto “Olha Só!”, oportunizou jovens moradores de periferias a retratarem a sua própria realidade através das lentes de uma câmera fotográfica. Segundo a estudante, o equipamento se torna o passaporte para a visibilidade social dos nossos jovens da periferia e uma ferramenta que funciona como “um espelho e como uma janela”. O homem e seu universo são a fonte de inspiração dessa “fotografia documental da periferia”. Esta busca representar a realidade a partir de imagens tiradas do cotidiano dessas pessoas por elas mesmas, do meio social onde estão imersos e, principalmente, para mostrar o lado humano da periferia, para romper com esses preconceitos criados e cultivados pela mídia.[3]

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