sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Coletivo cria banco de imagens para quebrar os estereótipos sobre a periferia

Jardim Celeste, São Paulo.

Partindo da percepção de que as periferias e favelas são registradas pelos mesmos meios e da mesma forma estereotipada há décadas, cinco jovens fotógrafos de São Paulo decidiram criar o Foto Coletivo DiCampana.

A ideia do grupo é apresentar ao mundo uma imagem das ‘quebradas’ que a mídia tradicional não mostra, além de formar um banco de imagens para contribuir com a criação de um imaginário, que contemple os múltiplos recortes dos bairros mais afastados dos grandes centros.

“O cotidiano destas regiões, que abrigam milhões de pessoas, ultrapassa o estereótipo midiático reforçado por clichês e estigmas que cativam o povo. No entanto, a cultura, o lazer, a rotina e a vida do nosso povo é diferente”, explica o coletivo.

O DiCampana surgiu em novembro de 2016 e já vem sendo observado por alguns veículos e grupos de comunicação, interessados no olhar diferenciado e único dos profissionais. Um dos propósitos do grupo, também, é falar sobre os perigos dos estereótipos de violência que denigrem as imagens das favelas.

“Às vezes as pessoas tem dificuldade de entender na prática os efeitos colaterais da estereotipação da favela. Mas, é só perguntar qual a imagem vem na mente quando falamos favela, isto é, qual a visão a pessoa tem de favela? Geralmente, viram conflitos relacionados às drogas, tráfico, péssima infraestrutura urbana, lugar sujo. A favela tem seus problemas, entretanto o cotidiano na favela é muito mais que isso”, ressaltam.

Ao todo, oito bairros da capital paulista já foram fotografados, entre eles: Jardim Ângela, Monte Azul, Jardim São Luís, Capão Redondo, Campo Limpo, Jardim Maria Sampaio, Jardim Piracuama, Brasilândia.

As imagens, a princípio, serão distribuídas gratuitamente para iniciativas socioculturais, meios de comunicação alternativo e independentes, principalmente os veículos de comunicação que abordam o cotidiano das periferias. Todas as fotos estão sendo disponibilizadas na plataforma Flickr e na Fanpage do Facebook.

“Será uma organização gradativa, isto é, à medida que saímos nas quebradas para fotografar, vamos disponibilizando o material”, contam.

Acreditando que cada periferia tem as suas próprias características e sua própria identidade, o grupo sabe que os espaços abrigam milhares de pessoas com diferentes culturas e condições econômicas e merecem ser retratados com respeito e verdade.

Consolação, São Paulo, 2016

Monte Azul, São Paulo, 2016

Jardim São Luis, São Paulo, 2016

Jardim São Luis, São Paulo, 2016

Jd. Ibirapuera - São Paulo, 2016

Jd. Monte Azul, Zona Sul de São Paulo, 2016

Campo Limpo, São Paulo, 2016

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8 comentários:

  1. Maneiro o trampo da galera. Bom que outras iniciativas estão rolando pelo País, sou parte de um grupo de fotógrafos também oriundo de favelas e periferia já a 13 anos na pista, sou do Complexo da Maré aqui no Rio de Janeiro. Parabéns viu!

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    1. Onde que a gente pode seguir o trabalho do teu coletivo?

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  2. Válido a iniciativa , trabalho com imagens e sei que as mídias estereotipam demais as favelas ..

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  3. Ótima iniciativa, parabéns! Vou divulgar.

    Só tirem o "denigrem" da matéria. É um termo racista que devemos evitar ;)

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  4. olá. muito boa a iniciativa. da maior importância. e bacana também a matéria. eu somente editaria retirando a palavra 'denegrindo', no 4º parágrafo. das palavras que foram naturalizadas mas que possuem alto grau de preconceito e tals.

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  5. Adiei descobrir essa iniciativa. Estudo jornalismo na Unesp Bauru, vindo da região dos Pimentas, em Guarulhos. Me aperfeiçoei com a fotografia na universidade e adoraria participar de algo assim, colaborando com imagens. Até já fotografei umas situações. :)

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  6. SOU DA FAVELA AQUI NO RJ E FAÇO ISSO DESDE ADOLESCENTE! Fico muito feliz em ver que estão respeitando e mostrando para o mundo algo verdadeiro que eu também há mais de 15 anos venho lutando e também mostrando isso para o mundo como no meu CLIPE QUE LANCEI NO INICIO DE 2013 (CONFERE LÁ NO YOUTUBE TONZÃO DESSE JEITINHO) mostrei uma parte dá Cidade de Deus que 90% dos moradores dá favela não conhecem, inclusive passaram a conhecer ano passado 2016 quando derrubaram o helicóptero lá infelizmente!
    Mas essa realidade vai mudar pois Deus é justo!

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