quarta-feira, 16 de maio de 2018

Fotógrafo retrata a identidade LGBTQ na Índia


Foi a partir do sonho de uma amiga lésbica - em que ela sempre encontrava outra mulher morta na cama de sua casa -, que o fotógrafo indiano Soumya Sankar Bose criou o seu projeto intitulado "Full Moon in a Dark Night". Na série, ele explora as ramificações psicológicas das leis e da cultura anti-LGBTQ na Índia atual.

"Meu trabalho é sobre pessoas. É preciso tempo para desenvolver a confiança e a conexão. Então, inicialmente, não há muitas fotografias porque eu apenas comecei a conhecer novas pessoas e perguntando sobre seus sentimentos."

Para Sankar Bose, os sonhos e ansiedades de seus assuntos fornecem um terreno fértil para explorar as complexidades que a história e a cultura podem esculpir em nossa psique. Em um projeto anterior, "Let's Sing an Old Song", ele visitou famosos artistas da década de 1960, cujo estrelato desapareceu com o advento do cinema e da televisão. Juntos, eles fabricaram cenas e criaram imagens que relembram os já passados dias de glória que foram permeados por uma melancolia tangível.

Em "Full Moon in a Dark Night", o fotografo explorou a paisagem da comunidade LGBTQ que vive na sombra de uma lei da era colonial que criminaliza a atividade sexual entre pessoas do mesmo sexo.

Bose passou semanas conhecendo as pessoas que se tornaram parte de sua obra, as quais ele conheceu através de amigos, organizações LGBTQ locais e indicações das pessoas que já estavam fazendo parte do projeto. Uma vez que alguém expressava seu interesse, o fotografo procurava se encontrar com essa pessoa várias vezes para que eles pudessem se conhecer. Ele pesquisava postagens em mídias sociais sobre o assunto em potencial e perguntava sobre os pensamentos, medos, desejos e traumas passados de seus modelos. Armados com tudo isso, eles discutiam o tipo de imagem que poderiam fazer juntos.

"Essas pessoas também fazem parte do projeto. Para mim, são como colaboradores, e não o assunto. É meu trabalho entender a pessoa e sua forma de pensar. Cada imagem é uma espécie de história, a história de uma pessoa. "


Apesar do assunto potencialmente severo, as imagens resultantes são tomadas por ternura e são belas de forma sombria. Eles imaginam possíveis futuros, reimaginam passados traumáticos e exploram o que agora poderia ter sido.

"Quando eu estou trabalhando no projeto, a maioria dos meus amigos que participam desse projeto costumam dizer 'Esse projeto não é apenas um projeto. É um aconselhamento. Esse é o único mundo em que estamos fazendo que as pessoas possam expressar seus problemas, desejos ou sonhos.' Isso lhes dá uma espécie de alívio. Para mim, é muito importante fazer esse trabalho."







Fonte: The New York Times

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