quarta-feira, 18 de julho de 2018

Exposição retrata o cotidiano de pescadores em Portugal


Não se trata de fotojornalismo documental. Mas, para quem dirige o olhar para as 19 obras que compõem a mostra “Porta do Mar”, a poética do cotidiano retratado por Luiz Moreira salta aos olhos. Primeira individual do artista com vernissage em 19 de julho na Gabriel Wickbold Studio & Gallery, em São Paulo, a exposição é composta por imagens superdimensionadas em papel algodão e ficará aberta ao público entre 20 de julho e 20 de agosto.

Paulistano do Jardim Ângela, ex-modelo na juventude que passou de retratado a fotógrafo de editoriais de moda e formado em Comunicação Social, Moreira decidiu trilhar a descoberta da linguagem fotográfica há três anos. Hoje com 28 anos de idade – e após participar de um coletivo de artistas na Gabriel Wickbold Studio & Gallery e ter um trabalho exposto na SP Arte 2018 (pela mesma galeria), o fotógrafo diz que suas imagens são fruto de sua inquietação quanto às relações humanas, como a do homem com a natureza e com seu próprio espaço e o mais atemporal dos dilemas, a dicotomia da sobrevivência, seja da natureza e do meio ambiente, seja de sociedades inteiras. “A água resume muito isso. Os fluxos e refluxos do oceano nos dão e nos tomam. Pegam e devolvem num ciclo contínuo e secular. A água que também é gestação, signo da vida, também destrói e mata”, reflete o artista.

Instigado por essa temática, Moreira embarcou para Portugal. Na Costa da Caparica e na aldeia montanhosa de Piódão, ainda com a ideia dos fluxos e refluxos e da existência das ondas migratórias – não somente de aves e animais marinhos, mas de imigrantes e refugiados. “Algumas pessoas me perguntaram por que escolhi Portugal. Na verdade, foi uma coincidência ou uma ironia. Hoje já não sei. Estava no país de férias e às margens do Atlântico e comecei a pensar nesse caminho real e imaginário entre as costas portuguesa e brasileira. Olhava o aglomerado de aves e ao mesmo tempo pensava nas aglomerações dos navios negreiros e nos telhados e lajes que compõem o horizonte do Jardim Ângela. Nessa divagação que me incomodava peguei minha câmera e comecei a registrar aqueles momentos”.

Foram dois anos de captação de imagens e tratamentos. O resultado dessa dedicação impressionou o curador da exposição, o fotógrafo e galerista Gabriel Wickbold. “O projeto do Luiz me chamou a atenção pela textura e fotografia vibrantes, assim como a forma com que o olhar dele buscava captar texturas e formatos imagéticos. Foi aí que ele me cativou. Além disso, delimitar a temática a uma viagem, no caso Portugal, permitiu-me exercitar uma curadoria focada em um lugar só e na relação desse local com seus moradores e suas rotinas de vida e trabalho”, afirma Wickbold.

A mostra, conforme afirma Allex Colontônio, jornalista e autor da resenha analítica sobre o conjunto de imagens selecionadas pelo curador, “mais do que uma expressão de sua sensibilidade, é um convite à reflexão em temas abertos que questionam valores e condutas sociais numa época em que as pessoas parecem quase lobotomizadas pela cultura do egocentrismo, da exploração da celebridade e da febre da selfie”. De forma sintética, Collontônio define: “A série é, também, uma janela para um mundo novo sob o olhar de um artista jovem que apresenta um recorte extremamente maduro das relações humanas”.


SERVIÇO

Exposição “Porta do Mar”
Data: de 20 de julho a 20 de agosto de 2018
Horário: segunda a sexta, das 10h às 18h; aos sábados, das 11h às 17h
Local: Gabriel Wickbold Studio & Gallery - Rua Lourenço de Almeida, 167, São Paulo/SP
Ingresso: gratuito (classificação livre) - acesso a portadores de mobilidade reduzida

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