sábado, 1 de abril de 2017

Seriam as selfies arte? Esta nova exposição diz que sim

"Between Cells and Metadata" de Marta Moraschi (Itália)

Botão iniciar, abrir a câmera, acionar a câmera frontal, clicar; são necessárias quatro ações e menos de cinco segundos para tirar uma selfie em um Iphone comum. Talvez não seja nenhuma surpresa o fato de que se estima que sejam tiradas cerca de um milhão de selfies por dia, frequentemente arriscando-se carreiras, assim como vidas e a vida de pessoas próximas a fim de se conseguir a melhor selfie.

Mas esta ação comum é meramente uma forma inata de autopromoção ou seriam as selfies na verdade, um meio moderno de expressão visual e comunicação que deveria ser levado mais a sério?

Este é o questionamento que uma nova exposição em uma galeria de Londres tenta responder. From Selfie to Self-Expression, que foi inaugurada ontem (31) na Saatchi Gallery of Contemporary Art, é uma das primeiras exposições a explorar o fenômeno das selfies e celebrar seu potencial como forma de expressão artística.

Apresentando conteúdo interativo, digital e gerado por usuários e por uma grande diversidade de artistas como Tracey Emin, Van Gogh, Rafael Lozano-Hemmer, Rembrandt e Cindy Sherman, a mostra ilustra como os smartphones permitiram a indivíduos comuns documentar o mundo ao seu redor além de acompanhar os autorretratos ao longo do tempo.

Além de mostrar o trabalho de artistas já estabelecidos, a exposição apresenta exemplos de selfies bem conhecidas, incluindo a imagem que viralizou tirada pelo primeira ministra dinamarquesa Helle Thorning-Schmidt com o ex-presidente americano Barack Obama e com o ex primeiro ministro do Reino Unido David Cameron na homenagem a Nelson Mandela no estádio Soccer City em Soweto em dezembro de 2013.

"White Water" de Gabriel Saplontai (Bélgica)

“Ao longo dos últimos cinco séculos, os seres humanos mostram esta compulsão por criar imagens de si mesmos e compartilhá-las, a única mudança é a maneira como o fazemos”, diz Nigel Hurst, CEO da Saatchi Gallery e curador da exposição. "As selfies são com facilidade a forma mais expansiva de comunicação visual que qualquer um de nós poderia experimentar por gerações, os que as torna dignas de nota por seu próprio mérito. Elas não podem ser ignoradas como instituição cultural.”

Hurst idealizou a exposição From Selfie to Self-Expression junto a um casal de amigos em uma mesa de cozinha na cidade de Oxford há cerca de um ano e meio atrás. “Pensamos que a exposição seria muito oportuna e não conseguíamos acreditar que ainda não havia sido feita”, afirma.

Um pouco surpreendido, Hurst conta que a galeria não enfrentou nenhuma crítica por ter apresentado uma exposição sobre uma ação fortemente associada a estrelas de reality shows como Kim Kardashian e repudiada por muitas pessoas como algo autoindulgente ou mesmo infantil. No entanto muitas pessoas questionaram se as selfies poderiam ser consideradas como obras de arte.

“A resposta mais simples para isso é que tudo pode ser arte se for seguido pelo artista com bastante convicção e coerência, e também quando pessoas o suficiente aceitam e acreditam que seja arte”, afirma Hurst. “Não estamos dizendo que uma apresentação de um adolescente experimentando várias poses é um trabalho tão importante quanto uma obra de Rembrandt, no entanto o mundo da arte não deve ignorar este fenômeno.”

Assim como as selfies tornaram-se a maneira favorita de expressão dos millennials atualmente, como as próximas gerações escolherão se apresentar? Através de sua pesquisa para a exposição, Hiurst tem notado que a maré de selfies está começando a experimentar uma mudança de direção.

“Quando os telefones com câmeras começaram a aparecer eles eram muito básicos e com câmeras de resolução muito ruim, assim só era possível tirar fotos de um prato de comida na sua frente ou do seu próprio rosto”, afirma. “Agora a tecnologia dos smartphones revolucionou completamente e as pessoas começaram a utilizar suas câmeras novamente como câmeras. Sim as pessoas seguirão tirando selfies, mas notei que elas cada vez mais têm escolhido se expressar documentando o que acham de bonito e interessante do mundo ao seu redor.”

"Heading For the Sun" de Jagoda Turk (Croácia)

"Crying" de Francesca Ricciardi (Itália)

"Waving Witch" de Henriette Gasteren (Países Baixos)

"Yellow" de Georgina Harrison (Reino Unido)

"Dr Wells 3" de Igor Kudelin (Ucrânia)

"Dried Girl" de Mona Ashtari (Itália)

"Broken Mirror" de Ralf Waldhart (Áustria)

"Torn" de Sarah Carpenter (Reino Unido)

"Resting" de Sophie Ryleigh (Reino Unido)

"Black Balloon" de Tadao Cem (Lituânia)

"Prete" de Tanja Van Deer (Líbano)

"Beehive" de Tatiana Ledyaeva (Rússia)

"Photomontage Portraits" de Saria Hamaamin (Reino Unido)

Fonte: Time

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