sábado, 17 de junho de 2017

10 fotógrafos renomados e emergentes que ainda usam filme

Com o ressurgimento da fotografia com filme, o British Journal of Photography entrevistou uma série de fotógrafos quem mantém o formato vivo. Eles escolheram suas melhores fotos e contaram o que exatamente os motiva a usar filme.

Lewis Khan

Lewis Khan

O fotógrafo

Sou um fotógrafo que trabalha com fotos, vídeos e uma narrativa baseada no realismo, contada por meio de indivíduos, comunidades e lugares.

A foto

Esta foto é parte de um projeto fotográfico intitulado ‘Fictions’ (Ficções) que realizei em Cuba há alguns meses. Fotografei um festival de fogos de artifício, usando-o como um prisma para direcionar o olhar para conceitos globais mais amplos, como guerra, nações e religião. Ele é a figura de um anjo na série. Ele também poderia se juntar aos militares; na verdade, a mãe dele só queria que ele tivesse uma aparência renovada para o festival.

Por que filme?

Em meus trabalhos fotográficos pessoais, só fotografo com filme. Estou aberto a qualquer mídia ou meio — não acho que as ferramentas utilizadas para a execução de um trabalho devem defini-lo. O trabalho é o trabalho. Porém descobri que alcanço os melhores resultados quando uso filme. Gosto da lentidão do filme, do foco necessário e também da aparência das imagens e da sensação que transmitem.

Joanne Coates

Joanne Coates

A fotógrafa

Sou uma fotógrafa cujo trabalho está profundamente enraizado nas histórias cotidianas, na cultura e no empoderamento da classe trabalhadora.

A foto

Acho difícil retirar uma foto de uma série. O sentido fica dissociado. Esta foto da nadadora de águas frias, Nicki, expressa algo a mais — uma amizade, um lugar, uma pessoa e uma comunidade. Não posso dizer que ela se destaca e define o meu trabalho, mas retrata aquele empoderamento do assunto que considero indispensável para minha prática e para quem sou pessoalmente.

Por que filme?

Nunca tive condições de ter uma câmera cara. Quando terminei meu bacharelado, meu avô me deu essa câmera médio formato — o que demonstrava que alguém acreditava em mim e no meu trabalho. Essa ideia me motivou a usar a câmera. Também sou bem tímida e desajeitada e, ao capturar retratos, acho mais fácil desacelerar, reservar um tempo para conversar com as pessoas e interagir com elas durante o trabalho — e a câmera de filme me possibilita isso.

Gosto de usar somente filme onde posso. A maior parte do meu trabalho é realizada com filme, ainda que haja algumas solicitações de fotos digitais. Há algo na alquimia e no processo do filme para mim. Há toda uma experiência proveniente do uso do filme que é inexistente para mim no processo digital.

Alan Knox

Alan Knox

O fotógrafo

Minha prática explora os temas do sublime e misterioso nos quais meu papel é a reconciliação de uma necessidade humana básica de plenitude versus a fragmentação do assunto na fotografia.

A foto

Uma foto voa pelo espaço e pousa em um cenário extraterrestre. Para criar esta foto, inspirei-me no astronauta Charles Duke da Apollo 16, que deixou na lua uma foto de família. Espalhando as cinzas do meu avô, procurei transformá-las em uma paisagem lunar para sugerir que a natureza de todos nós é inerentemente cósmica. A foto do meu avô foi criada pelas mesmas forças que criaram a terra, a luz e a própria vida.

Por que filme?

Meu interesse pelo filme consiste em ver o negativo analógico e, por extensão, a foto impressa como um objeto sublime que desperta a consciência de verdades universais normalmente invisíveis ao olho humano. O uso que faço do filme geralmente implica em reformular fotos de família arquivadas, nas quais busco traçar na impressão analógica uma linhagem material para nossa origem na poeira estelar após o Big Bang. Nas partículas cósmicas do filme, encontro provas de uma memória primordial que emana do nascimento do universo.

Sian Davey

Sian Davey

A fotógrafa

Minha formação é em arte e política social. Nos últimos 15 anos, trabalhei como psicoterapeuta humanista. Meu trabalho é uma investigação dos meus cenários psicológicos e daqueles ao meu redor. Minha família e minha comunidade são essenciais para a minha prática.

A foto

Escolhi esta foto porque ela me afeta em diversos níveis.Temos a jovem olhando para mim, sua mãe. Aqui ela expressa sua vitalidade, seu poder e sexualidade.

Ela não está inibida nem receosa do seu corpo em formação. Há uma troca de olhares entre nós, aquele olhar complexo refletido, que está começando a mudar à medida que ela tenta estabelecer seu próprio senso de identidade. Aqui também está presente uma certa irritação, ela está saindo e peço para que ela fique parada para mais uma foto. Para ela já chega, e ela exige, de qualquer maneira, com seu enfado adolescente, que eu pare e a deixe em paz.

Por que filme?

Eu só usei filme, então, não sei se posso fazer uma comparação precisa. Amo filme por diversos motivos; amo vê-lo em minha geladeira, pois está repleto de expectativas e exige algo de mim.

Sempre precisei ansiar por alguma coisa e amo surpresas — o filme me proporciona isso. Eu o revelo em lotes e espero ansiosamente ver o processo criativo das últimas semanas.

Também nunca sei o que a química desse meio revelará, portanto está fora do meu controle e muitas vezes me conduz a novas maneiras de pensar. O mundo não está em alta definição — não o vivenciamos fisicamente dessa maneira, então sinto que o filme dá espaço para as complexidades da vida, particularmente quanto ao trabalho que realizo.

Ele também requer uma pós-produção relativamente breve, e você não fica com brutais quantidades de fotos para filtrar. Por último, é claro, trata-se de uma meditação e requer presença absoluta.

Alexander Mourant

Alexander Mourant

O fotógrafo

Sou um leitor voraz e, como consequência, a maior parte do meu trabalho provém da literatura e da experiência como ponto de partida para conceitos e projetos.

A foto

A foto que enviei é de um novo conjunto de obras intitulado Aurelian. O trabalho foi criado em resposta à minha viagem de 4 meses pelo coração da África. Por meio do tema de casas de borboletas britânicas, exploro, investigo e represento uma visão subjetiva da experiência. De certa forma, cada foto é autobiográfica, ajudando a decodificar a estrutura do espaço, essencialmente como o ‘aqui’ e o ‘lá’ se estabelecem em um diálogo permanente. Esta foto específica sugere, interpreta e estimula uma resposta psicológica do espectador.

Por Que filme?

Especificamente para o meu processo, é fundamental fotografar com filme. Na minha prática conceitual, interesso-me bastante pela materialidade — explorando o impacto das mudanças atmosféricas e erros na emulsão — desse modo, por meio do próprio aspecto físico do meio, posso explorar a transferência literal e figurada de um ‘espaço’ para outro. Neste trabalho específico, utilizei filme analógico não usado e degradado das minhas viagens pela África. Este elemento suporta ainda mais a noção de transferência. Uma câmera digital não consegue essa ressonância conceitual; o filme é um objeto físico, tangível e geralmente frágil. Para mim, será sempre único.

Cian Oba-Smith

Cian Oba-Smith

O fotógrafo

Sou um fotógrafo nigeriano irlandês, nascido e criado em Londres. Realizo um trabalho que me estimula e desafia os estereótipos acerca de raça e classe; a relação entre a experiência humana e o ambiente é a base do meu trabalho.

A foto

Achei difícil selecionar uma foto minha como a melhor, pois fotos diferentes me tocam em níveis diferentes. Resolvi escolher esta foto porque, na época, ela se diferenciava de muitos outros retratos que eu estava fazendo, parecia realmente representar a experiência de crescer em Londres e ainda desafiava estereótipos do que significa ser uma criança negra crescendo em um alojamento social.

Por que filme?

Só fotografo com filme. Eu nem tenho uma câmera digital, além do meu iPhone. O principal motivo de usar filme é a maneira como ele me desacelera quando fotografo — isto se deve, em parte, à câmera que eu uso, mas principalmente pelo fato de haver uma quantidade limitada de fotos que podem ser capturadas com um rolo de filme.

Na era digital, as fotos tornaram-se mais descartáveis, e todos esperam ver as fotos de imediato; acho que o filme contraria essa maneira de pensar já que você é obrigado a esperar para ver as fotos. Para mim, isso agrega valor à foto.

Theo McInnes

Theo McInnes

O fotógrafo

Tenho 25 anos e trabalho como fotojornalista em Londres. Minha abordagem fotográfica é baseada em quem aprecia a não conformidade. Ao fotografar com filme, meu fascínio diz respeito ao aspecto dinâmico das cidades modernas, com o qual me envolvo por meio da fotografia de rua.

A foto

A criança espera pacientemente para juntar-se aos irmãos enquanto eles transitam com cuidado, aparentemente conscientes da presença dele — mas não da sua proximidade imediata. O momento também é complementado pela composição, pela transição de claro para escuro — o forte contraste do menino esperando nas sombras enquanto suas vítimas inocentes transitam sob a luz. Em essência, a foto conta a história de algo prestes acontecer — criando uma profunda sensação de curiosidade do que está por vir.

Por que filme?

Câmeras digitais são excelentes, mas podem tornar as coisas fáceis demais. Você pode capturar centenas de fotos em pouco tempo apenas para obter uma foto final. Com filme isso não acontece — é preciso pensar e esperar pacientemente até encontrar, finalmente, o momento certo para pressionar o disparador do obturador. Então, há o mistério: consegui a foto? Para mim, usar filme é um desafio bem maior, e é por isso que amo filme. Também prefiro seu aspecto físico — você produz um negativo, não apenas um arquivo raw. Nesse quesito, sou um fotógrafo à moda antiga, e este é o provável motivo pelo qual ainda coleciono DVDs.

Emma Uwejoma

Emma Uwejoma

A fotógrafa

Sou uma artista nigeriana britânica cuja prática utiliza autorretratos para a documentação da minha identidade. Faço uma autoanálise da minha memória de minha herança africana ante a presença britânica.

A foto

Esta foto descreve muito bem quem sou. Embora o autorretrato tenha sido capturado há mais de 3 anos, até hoje ele resume meus pensamentos e sentimentos a respeito de ser uma mulher negra na Grã-Bretanha. O conceito por trás do autorretrato teve origem no fato de meu pai nigeriano nunca ter falado sobre sua antiga casa. Fui criada em uma casa que parecia bem inglesa com sinais de uma estrutura nigeriana. Tenho a aparência de uma cultura, mas sou tratada como forasteira pela outra.

Por que filme?

Prefiro fotografia com filme à fotografia digital em virtude da restrição da quantidade de fotos por rolo. Esta consciência me obriga a refletir mais quando fotografo. Estou posicionada corretamente? O que minha foto realmente representa? E o fundo? Tenho mais consciência da minha atenção aos detalhes. Há a expectativa e, de certa forma, o incômodo de ter que esperar a revelação do filme. Esperar pela revelação do filme traz a sensação familiar do seu aniversário nesta semana ou de um evento amanhã! Ah, e o alívio de não ter havido outro vazamento de luz na sua Bronica!

Joseph Conway

Joseph Conway

O fotógrafo

Sou de Gloucester e estudei fotografia em Brighton. Estou agora no leste de Londres. Divido meu tempo entre trabalhos encomendados e projetos pessoais. Meu trabalho é amplo, porém unificado pelo interesse em documentários, no momento e nas oportunidades.

A foto

Tinha uma ideia fixa de como queria esta foto, mas não sabia quantas tentativas seriam necessárias. Foi ótimo quando olhei os negativos e vi que havia funcionado, então ela se tornou uma das minhas favoritas. É uma boa lembrança da empolgação de receber seus negativos do laboratório. Ela dialoga com o resto do projeto, mas acho que ela também funciona de forma individual e é uma boa representação dos temas gerais do meu trabalho.

Por que Filme?
Ao fotografar com filme, eu diminuo o ritmo da minha fotografia. Há um sentimento real de processo e propósito para cada quadro que me faz ponderar minha foto de maneira mais intensa. O filme implica em um custo financeiro para cada quadro, o que não ocorre com a fotografia digital. Em vez de considerá-lo um fator restritivo, tento encará-lo como um fator que me torna mais disciplinado e atento a cada quadro. Para o projeto do qual essa imagem foi retirada, eu também desejava manter os meios para tornar o trabalho tão orgânico e prático quanto possível, assim como o assunto.

Owen Harvey

Owen Harvey

O fotógrafo

Meu nome é Owen Harvey, sou um fotógrafo que vive em Londres e geralmente tem como foco jovens, subcultura e identidade.

A foto

Esta foto foi retirada da minha série pessoal Skins & Suedes. Escolhi esta foto por apreciar a qualidade da luz, a expressão desconcertada e o forte senso de envolvimento com a câmera. Por isso, sinto que Mykie (a retratada), parece forte e, de certa forma, bastante vulnerável ao mesmo tempo.

Por que filme?

Uso filme porque gosto do processo de esperar para ver o que há nos rolos. Também gosto do quão bem ele lida com as diferenças entre sombras muito marcadas e altas luzes e mantém os detalhes em ambos.

Fonte: British Journal of Photography

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
COMUNICAR ERRO

0 comentários:

Postar um comentário

 
Copyright © 2010-2017 Resumo Fotográfico. Termos de uso.
Belo Horizonte, MG - Brasil