quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Nova Nikon D780: A saga das DSLR continua?

janeiro 08, 2020 | por Frederico Reis


A preparação da Nikon para as olimpíadas com a Nikon D6 já foi, de certa forma, surpreendente em uma realidade em que as câmeras mirrorless parecem dominar a vontade dos consumidores. Coincidentemente com o número da câmera, no último dia 6 a Nikon anunciou o lançamento da D780 juntamente com alguns outros novos equipamentos: a Nikon P950, a lente teleobjetiva AF-S NIKKOR 120-300mm f/2.8E FL ED SR VR (quantas abreviações!) e a grandiosamente aguardada Z 70-200mm f/2.8 VR S para a linha mirrorless. Deixa a gente saber nos comentários se você quer mais informações sobre essa câmera e lentes. 


Voltando a falar da D780, o lançamento foi realmente uma surpresa uma vez que os desenvolvedores da Nikon estavam totalmente voltados para as mirrorless Z6 e Z7 e suas lentes nos últimos meses. Surpresas a parte é legal ver a Nikon se preocupando com o que seus consumidores já tem a mão e é válido colocar que as vendas da D750 foram bem satisfatórias.

O que realmente surpreende é que tem um monte de funções e facilidades da Z6 nessa nova câmera através do Live View e outras características da D850 e D5. Então vamos as especificações da câmera: O sensor é full frame com 24.5 megapixels BSI (back illuminated sensor, ou seja, o sensor é iluminado) e utiliza o processador Nikon Expeed 6. A Nikon D750 utiliza o Expeed 4 e parece que pularam o 5, mas não tem problema, né? Uma das maiores vantagens é o que a Nikon promete com a performance do ISO que agora chega a 51.200 e pode ser expandido até 204.800.

Obviamente é improvável alguém utilizar tamanho número a não ser para testes, mas a grande vantagem é que no alcance natural a sensibilidade fica significativamente maior. Uma outra grande vantagem é a velocidade, já que a câmera permite até 7 fps em RAW contínuo e uma velocidade do obturador de 1/8000 para ação em dias muito ensolarados.

O pulo do gato, pra mim, é a capacidade eletrônica da câmera. Se você utilizar o sensor eletrônico, por exemplo, pode chegar a 12 fps e as vantagens aumentam utilizando o Live View. A Nikon uniu tudo o que aprendeu com o mundo mirrorless e integrou isso a essa nova câmera. Parece estranho ter dois sistemas de foco, mas o óptico que utiliza os espelhos tem 51 pontos de foco e um algoritmo herdado da D5 com 15 pontos de foco cruzados e um sensor de 180 mil pixels que melhora a capacidade de foco em baixa luz até -4 EV. Impressionante. Agora em Live View a câmera utiliza um sistema diferente que faz a leitura diretamente do sensor e parece ser capaz de muito mais.

As características herdadas da Z6 incluem um sistema de foco híbrido com 273 pontos cobrindo 90% da tela e um excelente sistema de foco automático para vídeo - uma mágica para as DSLR. Esta é a primeira com sistema automático de foco EYE AF o mesmo utilizado pela sony a7III, por exemplo, e funciona com uma foco automático que se baseia na leitura que o sensor faz do olho do objeto enquadrado. Ainda falando de vídeo a capacidade de gravação UHD em até 4k com 30fps e a função slo-mo em n-log 10 bits e uma opção em HDR com conexão HDMI batem de frente com o melhor apresentado hoje no mercado.

Tem também algumas funções da D850 como o focus stacking que permite alterar automaticamente o foco durante a captura de várias imagens para que tenhamos o assunto exatamente em foco e também a tela com movimento tilt. A vida da bateria é garantida até 2.200 clicks, mas eu acredito que possa superar isso facilmente. A câmera também é protegida contra pequenas intempéries e tem slot para dois cartões. Uma benção, né? Os preços variam entre $2.200 (corpo) e $2.800 (com a lente 24-120mm f/4) e a câmera deve começar a ser comercializada agora mesmo em janeiro.

Surpreendente como é a Nikon apostou mais uma vez nas DSLR e criou uma nova híbrida com as maiores qualidades dos dois mundos. É válido a gente se lembrar de que uma grande quantidade de fotógrafos ainda prefere as DSLR pelo blackout da cortina, o feedback físico da câmera quando se aperta o botão, o tamanho e a familiaridade com o sistema mesmo as mirrorless sendo menores, mais leves e tendo uma grande capacidade de leitura e processamento de informação.

É realmente impressionante porque parece que agora temos a opção de ter uma mirrorless dentro de uma DSLR.

Agora eu preciso saber de vocês: O que vocês preferem? Vocês acham que ainda há espaço pras DSLR? E as Mirrorless? São realmente o futuro?

P.S.: Quando/se alguém adquirir uma dessas e quiser dividir conosco para um teste em vídeo seria lindo.