quarta-feira, 14 de julho de 2021

Agnès Varda - A fotógrafa que influenciou o cinema mundial

julho 14, 2021 | por Viviane Pedroso


Agnès Varda no set de seu filme “Sans toit ni loi”, em março de 1985 | Foto: Micheline Pelletier/Gamma-Rapho

Agnès Varda (Bélgica, 1928-2019) iniciou sua carreira profissional como fotógrafa, o que marcou profundamente sua atuação como cineasta. Tardiamente reconhecida como uma das precursoras da Nouvelle Vague (final da década de 1950), ao lado dos reconhecidos Godard e Truffaut, Agnès influenciou intensamente a linguagem do movimento, através da simbólica e meticulosa narrativa fotográfica de seus filmes, tendo sido referência e inspiração para grandes autores como Ingmar Bergman, em “Persona” (1966), Woody Allen, em “Love and Death” (1975) e David Lynch, em “Mulholland Dr” (2001), entre tantos outros, até hoje.

Logo em seu primeiro longa, “La Pointe-Courte”, em 1955 (aos 25 anos), a autora desliza por uma fotografia marcante, cinemática, cautelosamente desenhada para contar a história com imagens mais protagonísticas que os próprios personagens. Ela costumava dizer que a câmera era sua “caneta” de “escrever” filmes.


Em 2015, Agnès Varda recebeu a Palma honorária de Cannes | Foto: Mathilde Petit/FDC

Sempre com engajamento político e revolucionário, Agnès retratou, a 24 assertivos fotogramas por segundo, tanto o vasto e peculiar mundo feminino e feminista (Cléo de 5 a 7, 1962; Resposta das Mulheres: Nosso Corpo, Nosso Sexo, 1975 e Uma Canta, Outra Não, 1977, entre outros), quanto o combate ao racismo e à desigualdade social (Panteras Negras, 1968 e Os Catadores e Eu, 2000).

Por meio de construções fotográficas auspiciosamente elaboradas e com extrema sensibilidade e proximidade aos temas, Varda torna reais e tangíveis tanto as histórias reais quanto as de ficção.

Cada película da cineasta, primeira diretora a receber um Oscar honorário pelo conjunto da obra (2017), é pura poesia imagética que envolve e move profundas emoções em corações e mentes.

Veja algumas de suas principais influências:

Composições fotográficas em vários planos de perspectivas, em “La Pointe Courte”, 1955;
 


Imagens refletidas, em “Cléo de 5 a 7”, 1962;



Sobreposições de rostos em primeiro plano, também em “La Pointe Courte”:



Enquadramentos jornalísticos, em “Daguerreotipos”, 1976;



E uma dica: o bom humor de Agnes, a “vovó punk” (apelido adquirido graças a seus cabelos exóticos) e belíssimos retratos gigantes podem ser apreciados na deliciosa viagem do filme-ensaio “Visages, Villages”, produzido por Agnès e pelo fotógrafo itinerante de mega retratos, JR.