sábado, 25 de junho de 2016

A foto que colocou o mundo contra os horrores do Apartheid

Há 40 anos, a imagem de um rapaz negro segurando nos braços o corpo do jovem Hector Pieterson, de apenas 13 anos, chocou o público e chamou atenção para o que acontecia na África do Sul.


No dia 16 de junho de 1976, cerca de 20 mil estudantes de escolas secundárias de Soweto, na África do Sul, realizaram um protesto contra a decisão do governo de que eles deveriam ser ensinados na língua africâner, a língua de seus opressores coloniais.

Sam Nzima, um fotojornalista de 42 anos de idade, foi enviado para o local. Ele trabalhava para o The World, um jornal escrito por negros para os negros. Sua publicação irmã, The Star era para os brancos. "Fotógrafos negros não eram autorizados a trabalhar para o The Star", diz Nzima. "Nós só eramos autorizados a entrevistar os negros, e não eramos autorizados a escrever sobre os brancos". Ele chegou a escola Naledi por volta das seis da manhã. Os alunos já estavam preparando seus cartazes. Poucas das crianças tiveram alguma experiência com o estado do Apartheid, mas ele já tinha visto muita repressão policial em seu trabalho. "Eu sabia que seria preso ou morto. Não havia balas de borracha na época. Era munição real. Quando eles sacam a arma, você deve saber que você está morto".

Algumas horas mais tarde, os alunos atravessavam Soweto, agitando os cartazes e cantando. De repente um estrondo e espessas nuvens de gás lacrimogêneo encheram as ruas. A polícia marchava pelas ruas, gritando com os alunos para se dispersarem. Em um determinado momento, Nzima ficou entre os estudantes e a polícia, e viu quando um comandante branco enfurecido disparou sua arma contra a multidão. Os alunos se dispersaram. "Todo mundo estava atirando a esmo", diz Nzima. Ele correu com sua câmera. "Eu vi um menino cair." Mbuyisa Makhubo, com 18 anos, já tinha terminado a escola e não fazia parte do protesto. Ele estava em casa quando ouviu os tiros e correu para tentar salvar o menino baleado. Makhubo colocou o jovem Hector Pieterson, de apenas 13 anos, nos braços e correu para levá-lo a uma clínica médica. Um carro parou em frente a eles para transportar o menino, mas já era tarde demais, ele estava morto.

Desde o momento em que o policial branco disparou o primeiro tiro, até o ponto onde o corpo do menino foi carregado para dentro do carro, Nzima tirou seis fotos. Mesmo tendo antecipando  a violência, ele ainda não estava preparado. "Eu não esperava ver um menino de 13 anos de idade, sendo baleado pela polícia", diz ele. Muitos ficaram feridos ou mortos. Hector Pieterson foi o primeiro. Nzima sabia que as fotos eram boas, mas também sabia que ele iria ser apontado pela polícia por fotografar a violência. Ele então rebobinou o filme e colocou-o em sua meia. Ele começou a fotografar com um rolo novo quando os estudantes enfurecidos se voltaram contra a polícia. Os alunos pegaram um policial, o jogaram no chão e atearam fogo. Quando outros policiais viram que Nzima estava tirando fotos, eles o forçaram a abrir todas as suas câmeras. "Todos os filmes foram expostos", diz Nzima. "E aquele do policial que foi morto pelos alunos foi destruído."

Edição extra do jornal The World
Quando as fotos foram reveladas, algumas horas mais tarde, os editores começaram a questionar sobre sobre publicar ou não a imagem de um Makhubo claramente traumatizada carregando um menino morto em seus braços, com sua irmã correndo ao lado em angústia. "Este filme vai horrorizar as pessoas", disse um editor. "Se usarmos esta imagem, ela vai desencadear uma guerra civil na África do Sul." Outro respondeu que não havia melhor ilustração do que estava acontecendo em Soweto. As crianças tinham sido mortas pela polícia do Apartheid. Este último argumento ganhou, e o The World publicou uma edição extra à noite.

Ninguém estava preparado para o impacto. The World tinha relacionamento com agências internacionais e, no dia seguinte, a foto de Nzima estampava as páginas dos jornais de Nova York a Moscou. De repente, o mundo não podia mais ignorar o horror do Apartheid. Quase de um dia para o outro a opinião internacional endureceu contra o regime do Apartheid na África do Sul. O governo dos Estados Unidos condenou o tiroteio e ativistas em todo o mundo começaram a fazer lobby por sanções econômicas, que eventualmente colocaram o governo do Apartheid de joelhos. Na África do Sul a imagem ajudou a lançar um levante civil e encorajou o movimento de libertação negra.

Para Nzima no entanto, a repercussão da foto foi terrível. Poucos dias após a publicação da foto, ele recebeu um telefonema de um amigo na força avisando que a polícia tinha sido dado novas ordens: Se ele fosse encontgrado fotografando, eles deveriam atirar para matar e então preencher os formulários dizendo que foi uma bala perdida. Nzima imediatamente demitiu-se do The World e fugiu para sua cidade natal de Lillydale. Três meses depois, a polícia o alcançou e colocou-o sob prisão domiciliar. Ele nunca mais tirou uma foto novamente. O governo fechou o The World dois anos depois, e invadiu o escritório. Acredita-se que os negativos do Nzima tenham sido destruídos.

Fonte: Time

sexta-feira, 24 de junho de 2016

As gueixas de Nicolas Guérin

O fotógrafo francês Nicolas Guérin demonstrou seu fascínio pela cultura japonesa em dois de seus ensaios sensuais mais recentes, publicados neste ano em duas revistas distintas.

Em ambos os ensaios, Guérin aborda o nu feminino junto a elementos tradicionais da cultura nipônica, como figurino e locação. Além disso, as fotos ganham destaque por apresentarem as modelos envoltas nas técnicas japonesas de amarração sexual conhecidas como Kinbaku-bi ou Shibari, temática fetichista que foi repetidamente explorada pelo fotógrafo japonês Araki Nobuyoshi.


Voluntary Vulnerability

Em Voluntary Vulnerability, Guérin fotografou Sheri Chiu, uma "editora de moda que adora ficar nua", como ela mesma se descreve. No ensaio publicado na quinta edição da The Opera Magazine ele explorou o uso dos figurinos tradicionais japoneses, bem como a locação.


    


    

    

    

Fotógrafo: Nicolas Guérin
Estilista: Kinoko Hajime
Modelo: Sheri Chiu
MakeUp: Mariko Shimada
Assistente: Esteban Wautier
Publicação: The Opera Magazine # 5
Título: Voluntary Vulnerability
Locação/Agradecimento: Tokyo - Studio 6 Club e Shuji Kobayashi


Poulpe Fiction

No ensaio Pouple Fiction, para a quinta edição da Tartarus Magazine, Guérin fotografou a modelo Tessa Kuragi. Dessa vez ambientado em um estúdio, a modelo aparece por vezes suspensa, nua ou com kimono, e com o sexo coberto por frutos


     


   

   

Fotógrafo: Nicolas Guérin
Estilista: Docile
Modelo: Tessa Kuragi
Publicação: Tartarus Magazine # 5
Título: Poulpe Fiction

Preenchimento no contraluz

Lehigh University/Reprodução

Na imagem acima, temos a silhueta da contraluz preenchida com um isopor e a luz do sol foi aproveitada como luz de cabelo, para separar o modelo do fundo, criando a sensação de tridimensionalidade.

Contraluz é um tipo muito bom de iluminação direta do sol. O modelo está em contraluz quando o sol está atrás da pessoa, iluminando seu cabelo e a linha de seu pescoço e ombros.

Com contraluz, é essencial usar uma boa luz de preenchimento. Quando usar um rebatedor, posicione-o tão perto quando possível do modelo, sem estar no campo de visão da lente da câmera. O rebatedor normalmente é posicionado entre o modelo e a câmera (abaixo da lente) e inclinado para cima, na direção do rosto.

Não confie em seu fotômetro da câmera em situações de contraluz. Ele irá ler o fundo brilhante e os destaques no cabelo em vez da exposição no rosto. Se expuser para a intensidade da contraluz, você irá mostrar a silhueta do modelo. Se não tiver outro fotômetro que o da câmera, aproxime-se bastante e faça uma leitura do rosto do modelo, tendo o cuidado de não bloquear a luz do rebatedor.

É importante checar o fundo enquanto compuser um retrato na luz do sol direta. Uma vez que há consideravelmente mais luz do que num retrato feito na sombra, a tendência é usar uma velocidade de obturador média como 1/250 segundo, com uma abertura menor que usual, como f/11. As aberturas menores irão dar nitidez ao fundo e distrair de seu modelo. Preveja a profundidade de campo para analisar o fundo. Use uma velocidade mais rápida de obturador e uma abertura mais ampla da lente para minimizar os efeitos do fundo.

É sempre melhor, quando usar uma DSLR, disparar algumas vezes como teste e avaliar a exposição do fundo e a geral com várias configurações. Use as funções de aumento e de apara de destaques que a maioria das DSLRs emprega nas rotinas de reprodução no LCD para checar destaques estourados e fundos nítidos demais.


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