segunda-feira, 1 de junho de 2020

Resultado da Convocatória Portfólio em Resumo #2

junho 01, 2020 | por Resumo Fotográfico

“Pralém da morte, há vidas muitas”, de Gabriel Bicho

O Resumo Fotográfico tem o prazer de anunciar os ensaios e portfólios selecionados através da Convocatória Portfólio em Resumo, que recebeu inscrições de diversas partes do Brasil:

Ensaios
  • “Cognição”, de Junior Franco, Niterói, RJ
  • “Gotas de Orvalho”, de Renato Marcelo, Cajobi, SP
  • “Quanto lixo somos nós”, de Mauro Sampaio, Brasília, DF
  • “Passagens”, de Vanessa Stollar, Jundiaí, SP
  • “Poéticas do Efêmero”, de Thais Andressa, São João del-Rei, MG
  • “Pralém da morte, há vidas muitas”, de Gabriel Bicho, Porto Velho, RO
  • “Sem Identificação”, de Gilberto Perin, Porto Alegre, RS
  • “Sonho abandonado”, de Fábio Maciel, Itaboraí, RJ

Portfólios
  • Arquitetura - Ary Attab, São José do Rio Preto, SP
  • Arquitetura - Regina Rocha Pitta, Campinas, SP

Os ensaios e portfólios selecionados serão publicados em português e em espanhol, em nosso site, e em inglês no site Bored Panda. Os autores serão informados por email.

sábado, 30 de maio de 2020

Projeto reúne mais de 300 fotógrafos mineiros em ação solidária

maio 30, 2020 | por Resumo Fotográfico

Inspirada na ideia "para imaginar um mundo novo", a iniciativa irá beneficiar projetos sociais mineiros afetados pela pandemia

Patrick Arley

Mobilizado pela pandemia de Covid-19, um grupo de fotógrafas e fotógrafos mineiros se uniu para uma iniciativa solidária em prol de entidades e grupos sociais impactados pelo novo coronavírus. Tendo como inspiração ações realizadas por profissionais da fotografia em lugares como São Paulo e Bérgamo, na Itália, surgiu o projeto Fotografias por Minas.

A iniciativa, lançada no dia 21 de maio, prosseguirá até 12 de junho. O projeto já conta com a adesão de mais de 300 participantes, profissionais de renome como: Eustáquio Neves, Márcia Charnizon, Pedro David, João Castilho, Gustavo Lacerda, Kika Antunes, Isis Medeiros, Daniela Paoliello, entre outros.

Cada participante do Fotografias por Minas disponibilizou, para doação pelo valor de R$150,00, uma imagem de sua autoria. O tema das imagens é inspirado na ideia “para imaginar um mundo novo”, em referência ao livro “Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak, e as fotografias enviadas expressam uma reunião de múltiplos olhares.

As cópias/prints fine art das fotografias serão ilimitadas, pelo tempo que durar a iniciativa. As doações poderão ser feitas no site www.fotografiasporminas.com.br. As imagens serão impressas em papel Hahnemuhle Photo Rag 188 gr, em Pigmento Lucia EX Pro, no formato 20x30cm, realizadas pela Artmosphere.

O pagamento será feito por meio de boleto bancário, cartão de crédito ou Mercado Pago. As fotografias serão impressas, a partir de outubro, e enviadas pelos Correios. O valor arrecadado, depois de serem descontados custos de impressão e logística, será destinado a projetos sociais mineiros que necessitam de auxílio imediato por causa da pandemia. O montante será revertido e distribuído na compra de alimentos, medicamentos, materiais de proteção e higiene ou outros itens de necessidade indicados pelas entidades.

O projeto Fotografias por Minas tem parceria e o apoio de empresas mineiras, como a Greco Design, a Artmosphere Fine Art e a ETC Comunicação.

Marilene Ribeiro

Rodrigo Zeferino

Entidades beneficiadas

A primeira meta do projeto Fotografias por Minas é arrecadar R$ 60.000 para serem divididos entre as cinco primeiras entidades selecionadas: Comunidade Geraiseira do Vale das Cancelas (região de Grão Mogol), Comunidade Quilombola Ausente Feliz (Serro), Creche Bom Pastor (Ibirité), Lar de Idosos Sagrada Família (Bonfim) e Proteção Animal Amigo Sem Dono (Ribeirão das Neves).

O objetivo é acolher, nesta primeira etapa do projeto, pelo menos uma entidade de cada um dos públicos que está sem apoio e em especial situação de vulnerabilidade neste momento:idosos, comunidades tradicionais-quilombolas e Geraiseiros, pessoas com deficiência e proteção ao meio ambiente e aos animais.

Comunidades tradicionais Geraizeiras: 73 comunidades compõem os três Núcleos do Território Tradicional Geraizeiro de Vale das Cancelas: Núcleo de Josenópolis, Núcleo de Lamarão e Núcleo do Tinguí. As comunidades se auto definem pelo modo de vida tradicional e pela ocupação para uso comum das áreas mais altas, conhecidas como Gerais, normalmente composta da vegetação do cerrado. As comunidades fazem uso de estratégias produtivas diversificadas, como a solta do gado e a coleta de frutos diversos e de plantas medicinais, para garantir o sustento e a reprodução social.

Comunidade Quilombola do Ausente: localizada no município do Serro, no Vale de Jequitinhonha/MG, A agricultura é a principal fonte de renda familiar. O envolvimento no projeto Flor e Ser: Permaculturando corações e mentes, tornou possível escoamento das produções, por meio das entregas dos produtos para comunidades de Milho Verde, São Gonçalo e Diamantina. Com a pandemia, a circulação ficou precária e o isolamento foi necessário para preservar a saúde das 200 pessoas, que estão necessitando de apoio.

LarNaLuz - Creche Bom Pastor: Instituição filantrópica de utilidade pública, sem fins lucrativos, destinada ao amparo a 50 pessoas carentes, entre 21 e 67 anos, com alguma deficiência física e/ou mental em grau profundo. A entidade realiza diariamente atividades com profissionais de educação física, fisioterapia e terapia ocupacional. Promove também acompanhamento com dentista, massoterapeuta, psicóloga, assistência social, neurologista e equipe de enfermagem. Os internos recebem refeições diárias e balanceadas, acompanhadas por nutricionista. São realizados ainda círculos de música, três vezes por semana.

Lar dos Idosos Sagrada Família: instituição filantrópica, sem fins lucrativos, localizada no município de Bonfim, que acolhe pessoas acima de 60 anos, dando assistência, acompanhamento médico e social. A entidade atende atualmente 37 idosos, sendo 23 mulheres e 14 homens. Tem capacidade de acolher 40 pessoas e conta com 15 funcionários. É mantida com o benefício dos próprios instituídos, da Sociedade de São Vicente de Paulo e doações da comunidade.

Associação de Proteção Animal Amigo Sem Dono: há três anos, atua pela causa animal em Ribeirão das Neves. Os recursos da entidade são provenientes de pequenas doações de pessoas física, de rifas e eventos, inviabilizados por causa da pandemia. A Associação resgata animais em situação de perigo, trata e prepara para adoção; ajuda tutores carentes com doações de alimento e medicamentos; realiza campanha educativas, sobre as principais doenças dos pets e adoção responsável; denuncia maus tratos contra animais e assegura alimento aos animais de rua.

Nilmar Lage

Miguel Aun

Projeto Fotografias por Minas

Em 2018, foi criado o grupo “Fotografia pela Democracia”, formado por fotógrafas e fotógrafos em vários lugares do país. Em Belo Horizonte, o primeiro encontro presencial reuniu 127 pessoas. As conversas continuaram pelo whatsapp, discutindo política e assuntos ligados à fotografia.

A partir do grupo de profissionais que se reúne virtualmente, surgiu a ação Fotografias por Minas, inspirada em iniciativas semelhantes realizadas em outras partes do Brasil e do mundo. O objetivo é “continuarmos com nossa união, pensando em ações e atividades de apoio entre nós e de fortalecimento da fotografia contemporânea”, conforme destaca Ísis Medeiros, uma das colaboradoras do projeto.

“Percebemos que esta iniciativa de criar uma campanha está sendo muito importante para, de certa forma, traçarmos um olhar contemporâneo sobre a fotografia criada no estado. Isso acabou reunindo uma diversidade de representantes dessa criação, a união da classe para um bem comum maior, que é ajudar comunidades em situação de vulnerabilidade social”, ressalta Júlia Pontés, colaboradora do projeto.

Márcia Charnizon explica a importância de projetos como este para os profissionais da fotografia em tempos de pandemia. “Devido à desigualdade social no Brasil, entendemos que o impacto da Covid-19 será mais grave em populações mais vulneráveis. Para nós, é importante contribuir para tentar mitigar essa situação. Doar imagens nos pareceu a ideia mais sincera.”

segunda-feira, 18 de maio de 2020

MIS-SC oferece curso online de fotografia

maio 18, 2020 | por Resumo Fotográfico


O Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS-SC) oferece, gratuitamente por meio de plataformas online de Ensino a Distância, a segunda edição da atividade Acompanhamento de Projetos em Fotografia. As inscrições devem ser feitas preenchendo o formulário até as 23h55 de 31 de maio de 2020. Os selecionados serão avisados por e-mail para agendamento de entrevista. Os inscritos vão receber o resultado final até 2 de junho.

São disponibilizadas 10 vagas, selecionadas entre os inscritos conforme critérios de ordem de inscrição, currículo, portfólio e entrevista. São pré-requisitos para participar da atividade: apresentação de currículo, portfólio, anteprojeto (pode ser modificado no decurso) e entrevista; disponibilidade de tempo para leitura, observação de vídeos; elaboração de pequenos textos, fichas de leitura, e resposta a questionários, realização de exercícios de obtenção de imagens, participação de orientação individual por escrito, videochamadas, e participação coletiva agendada em web conferencias; ter recursos técnicos mínimos de acesso a internet por celular e computador cpm microfone, com conexão que permita acesso a vídeos aos ambientes Moodle (www.moodle.org), mensagens Whatsapp (www.whatsapp.com), web conferencia Zoom (www.zoom.us) e Jitsi (www.jitsi.org). O uso das três plataformas gratuitas é requisito obrigatório.

A atividade ministrada pelo fotógrafo Sergio Sakakibara é dirigida a candidatos que já possuam algum conhecimento técnico e teórico em fotografia, fotógrafos profissionais e amadores, artistas visuais, pessoas que queiram desenvolver um projeto de pesquisa em fotografia que resultem em um produto final. O objetivo é que, até o final do processo, os participantes tenham, ao menos, um projeto bem delineado, encaminhado e em processo de execução.

Será oferecida orientação de projetos em fotografia, orientação teórica envolvendo leituras, documentação, narrativas, construções, séries temáticas, orientações técnicas com noções de expografia, diagramação, orientação de técnicas fotográficas digitais, químicas e experimentais, cujo resultado possa ser apresentado em exposições, instalações, livros, páginas web, trabalhos acadêmicos em cursos, fim de curso, mestrado ou doutorado, formatação para uso em editais e projetos de financiamento.

A maioria das atividades pode ser feita no horário de preferência do participante. A aula de abertura está marcada para o dia 4 de junho, às 9h. Serão, em média, duas aulas ao vivo mensais. Os alunos vão receber orientações pessoais ao vivo, conforme o desenvolvimento dos projetos.

A duração do curso é de seis meses, entre 4 de junho e 27 de novembro de 2020, com atividades, metas e avaliações mensais de participação obrigatória. Deixar de atingir ou participar das metas mensais implica no cancelamento da vaga. Será fornecido certificado aos que concluam as atividades obrigatórias de todas as etapas.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Diário Contemporâneo estende inscrições

maio 14, 2020 | por Resumo Fotográfico

Projeto receberá dossiês até 25 de maio

"Pequeno ritual do tempo", de Coletivo Amapoa, selecionado em 2019

A pandemia do novo coronavírus teve impacto em todos os segmentos, incluindo o da cultura que mostra agora a sua capacidade de reinvenção e adaptação. Assim, como medida preventiva e visando resguardar a saúde de todos, a organização do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia decidiu estender as inscrições para a sua 11ª edição. O novo prazo final para o envio de dossiês é 25 de maio de 2020. A ficha e as informações sobre a edição estão disponíveis no site do projeto: www.diariocontemporaneo.com.br.

Os interessados que submeterem os seus trabalhos concorrerão a um dos três prêmios de residência artística. Além disso, 20 artistas serão escolhidos para integrar a mostra com curadoria convidada de Rosely Nakagawa.

A organização do Diário Contemporâneo afirmou que “ainda não é possível definir com exatidão no edital um novo cronograma detalhado para a execução do projeto, no entanto, garantimos a disponibilidade de pauta com os museus parceiros para as exposições e residências artísticas para os meses de outubro e novembro deste ano”.

Além disso, a nota oficial acrescenta que “este período poderá sofrer alterações de acordo com os futuros informes oficiais sobre a pandemia, no sentido de criarmos mecanismos que nos permita realizar uma 11ª edição com segurança para todos os artistas e profissionais envolvidos em nosso projeto”.

“Vastas emoções e pensamentos imperfeitos”, referência direta ao romance do escritor brasileiro Rubem Fonseca, falecido no mês passado, é o tema da 11ª edição. Assim, no prêmio de fotografia, vem da literatura a provocação e o ponto de partida para uma reflexão sobre a realidade do mundo atual.

“Este é o momento de recolhimento, prevenção, cuidado com a saúde e com o coletivo”, finaliza a organização do Diário Contemporâneo.

O Projeto

Criado em 2010, o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é um edital aberto a todos os artistas brasileiros ou residentes no país. Em sua 11ª edição, propõe atividades compartilhadas desde as suas residências artísticas até as experiências curatoriais e programação formativa.

Edital e inscrições no site: www.diariocontemporaneo.com.br.

Texto: Debb Cabral

quarta-feira, 6 de maio de 2020

8ª Bolsa de Fotografia ZUM/IMS é adiada

maio 06, 2020 | por Resumo Fotográfico

O lançamento da 8ª Bolsa de Fotografia ZUM/IMS, previsto para maio, será adiado devido à pandemia de Covid-19. O edital está sendo reformulado para se adequar à nova realidade e permitir a inscrição e a execução dos projetos sem que contrariem as recomendações de isolamento dos órgãos públicos de saúde. Esperamos lançá-lo brevemente, para se somar aos instrumentos de fomento à produção artística.

A Bolsa de Fotografia ZUM/IMS premia anualmente dois projetos inéditos, elaborados por artistas brasileiros ou estrangeiros residentes no Brasil. O objetivo da Bolsa é permitir que fotógrafos desenvolvam e aprofundem sua produção no campo da fotografia, nas mais variadas vertentes, temas e suportes. Ao final, as obras são incorporadas à Coleção de Fotografia Contemporânea do Instituto Moreira Salles.

Dúvidas podem ser encaminhadas para o email bolsadefotografia@ims.com.br.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Diversão e arte para os pequenos

maio 01, 2020 | por Ana Gabriela

Livro apresenta desafios que prometem entreter e ensinar de maneira didática crianças a fotografar
Um dos desafios que a obra propõe é a realização de imagens extraordinárias por meio de montagens, como fizeram as meninas Elsie Wright e Frances Griffiths no século XX. (Elsie Wright, Frances com fadas, 1917).
Em um momento como este, em que precisamos ficar tanto quanto possível em casa para frear a propagação do coronavírus, pode ser um desafio manter as crianças ocupadas. Se você é daqueles que ama arte e gosta de dividir a paixão com os pequenos, uma boa dica para fazer correr os dias com um pouco mais de graça e criatividade é a leitura do livro Seja um fotógrafo superincrível, de Henry Carroll.

Voltada para o público infanto-juvenil, a obra de 64 páginas apresenta 20 desafios fotográficos que vão ajudar o público- alvo — e quem mais quiser — a refletir sobre elementos básicos dessa linguagem, como a qualidade da luz, a importância das cores e das texturas e a necessidade de ousar no enquadramento.

Um exemplo de atividade proposta é a realização de montagens e truques para criar cenas extraordinárias, como fizeram as meninas Elsie Wright e Frances Griffiths em 1917, ao colarem desenhos de fadas no jardim e posarem junto a eles. A brincadeira inocente rendeu discussão sobre o caráter objetivo da fotografia, tida até então como testemunho fiel da realidade, e chegou a enganar personalidades célebres, incluindo aí Sir Arthur Conan Doyle, escritor que deu origem ao detetive Sherlock Holmes.

Como é de praxe nas obras de Henry Carroll ( e como se pode ver na descrição anterior), há na obra referências à produção de artistas interessantes, que mesmo os adultos podem gostar de conhecer, a exemplo da fotógrafa de retratos Emily Stein e de Yasumasa Morimura, artista visual conhecido por reproduzir imagens de figuras famosas.

O livro também explica, de maneira bastante introdutória, questões ligadas a alguns conceitos técnicos, como composição, luz e componentes da câmera, além de contar uma breve história da fotografia em suas últimas folhas.

Com textos curtos e fáceis de ler, páginas coloridas, boas fotos e capa dura, Seja um fotógrafo superincrível é um ótimo presente para incentivar a criatividade das crianças em qualquer tempo, inclusive durante a quarentena.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

O beijo de Gala e Salvador Dalí

abril 13, 2020 | por Cid Costa Neto


Gala Éluard Dalí, mais conhecida simplesmente como Gala, foi esposa do pintor Salvador Dalí e uma inspiração para o artista espanhol. O fotógrafo Man Ray eternizou a paixão entre eles.

Oriunda de uma família de intelectuais, Gala nasceu Elena Ivanovna Diakonova, em Kazan, Império Russo, em 1894. Aos 17 anos, fugiu de casa para se casar com o poeta Paul Éluard, que conheceu na Suíça. Viveram juntos até 1929, quando visitaram um jovem pintor na Espanha, o emergente Salvador Dalí. Gala e Dalí se apaixonaram e passaram a viver juntos. Segundo o pintor surrealista, tudo o que ele produziu foi sob inspiração de Gala, sua musa.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Entrevista: Rosely Nakagawa, curadora do Prêmio Diário Contemporâneo

abril 08, 2020 | por Resumo Fotográfico

Rosely Nakagawa | Foto: Miguel Gonçalves Mendes

Em um mundo de constantes transformações, que imagens a fotografia escolhe? Por que? De que maneira? O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia acompanha essas inquietações visuais há mais de uma década.

Nesta 11º edição, ele decidiu propor experiências do pensar e do fazer artístico mais compartilhadas. São três prêmios de residência artística, uma delas coletiva, inclusive. Compartilhada também foi a curadoria da mostra principal que traz, neste ano, Rosely Nakagawa como curadora convidada. O prazo para as inscrições foi estendido até 30 de abril e elas são realizadas pelo site www.diariocontemporaneo.com.br.

Rosely Nakagawa é curadora e editora de artes visuais. Formada em Arquitetura pela FAU-USP, fundou a Galeria Fotóptica em 1979, coordenou a Casa da Fotografia FUJI e foi curadora das galerias FNAC de 2003 a 2009. Atua como curadora independente, tendo realizado mostras de arte em instituições nacionais e internacionais. Em Belém, foi curadora do Projeto Fotografia Contemporânea Paraense - Panorama 80/90 no Museu Casa das Onze Janelas.

Confira a entrevista com ela:

O tema desta 11ª edição parte da literatura. Para a fotografia, qual a importância deste diálogo com as outras linguagens?

Eu faria uma inversão na sua questão, falando da importância da fotografia para as outras linguagens. E ainda reforçaria que a palavra "fotografia" deve ser revista, hoje ela é mais "imagem". Ela é tecnologia de grafia de pontos sensíveis à energia, ondas eletromagnéticas, pontos algorítmicos que produzem imagens.

Hoje ela está presente na criação desde o princípio. O processo de criação se dá a partir de imagens, antes de qualquer anotação, leitura ou pensamento.


Qual é o papel do curador na arte contemporânea?

O curador felizmente tem mudado de papel rapidamente, ocupando um lugar mais adequado, menos protagonista do que nos últimos anos. Ele deve voltar a ocupar o seu lugar, o de estar atualizado nos processos de criação dos artistas, acompanhando-os em toda sua dimensão, e trabalhando na fatia que lhe cabe: a de estimular, difundir e provocar a reflexão sobre os processos de criação diante da expectativa do artista e do público.

O curador de arte tem uma atuação que busca provocar reflexões, mas também precisa lidar com questões de ordem prática, como montagem, escolha de suportes e o relacionamento com as instituições. Como isso se dá?

A discussão destes elementos são parte do processo de criação e é obrigação do curador saber onde eles são necessários e quais os aparatos mais adequados. A relação Institucional nem sempre. Cabe ao curador criar um espaço para a arte e para o público junto as Instituições, abrindo novos olhares, pontos para discussão, interação e formação.

Mas longe da administração destes espaços. Dentro deles, se houver um curador, ele deveria atuar ao lado de um comitê mais amplo e imparcial.


Você vem acompanhando a fotografia paraense há anos. Que transformações ocorreram com ela?

A fotografia assim como outros processos criativos é orgânica, permeável e mutante. Desde 1980, no encontro da Semana de Fotografia da FUNARTE, quando estive em Belém pela primeira vez, até o ano 2000 quando acompanhei mais de perto uma gama maior de profissionais para o Panorama da Fotografia Contemporânea, a fotografia sofreu uma mudança radical do ponto de vista de tecnologia, com a introdução da plataforma digital. A técnica ainda em 1990 era um fator estrutural para a construção da fotografia e responsável pelo seu resultado. O equipamento e os acessórios eram uma escolha que determinava a aproximação com o objeto do trabalho. A cor, ou o preto e branco, o grão, a mudança sutil de luz do céu da Amazônia, a velocidade da ação diante do fotógrafo. A resolução ou a falta dela no registro das paisagens.

De 2000 para 2020, as mudanças se notam mais críticas no âmbito sociocultural, ambiental, ético, humano. Várias questões presentes nas fotografias nos anos 1980 e 1990, se exacerbaram, e se mostram presentes como imagens contemporâneas; a marginalidade, o gênero, os desastres naturais, a ética. A diferença de abordagem não se limita mais ao equipamento, mas à elaboração crítica do imaginário prévio à captação. A imagem produzida pela câmera exige uma sofisticação de pensamento e conceituação para ser uma imagem do universo da arte contemporânea.


E nestes anos de atuação do Diário Contemporâneo, no que você acredita que ele contribuiu para estas transformações?

O Diário Contemporâneo criou e ocupa um espaço para acompanhar e documentar a produção neste período de mudanças. Mais que um edital ou prêmio, ele estimula desde o princípio, a reflexão, a pertinência, o processo, os itens mais importantes para o fazer artístico, que incluem a leitura, o roteiro, a fundamentação de um conceito e percepção muito próximos da literatura. O que justifica mais uma vez esta ligação entre imagem e literatura.

No início, tudo era imagem e verbo, sem separação, um só ideograma.


O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática e patrocínio da Alubar.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Fotos Históricas: Tomada do Forte de Copacabana

abril 01, 2020 | por Cid Costa Neto



No dia 1 de abril de 1964, início do Golpe Militar no Brasil, o fotógrafo Evandro Teixeira registrou a Tomada do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro.

“Fui o único fotojornalista a entrar no local e fazer esse registro, com uma Leica M3 escondida sob minha jaqueta jeans. Um amigo capitão, contrário ao golpe, me ajudou a entrar. E, ao lado dele, presenciei a chegada de Castello Branco cercado de oficiais”, relata Evandro no Facebook.

terça-feira, 24 de março de 2020

Curador do Diário Contemporâneo fala sobre a 11ª edição do prêmio

março 24, 2020 | por Resumo Fotográfico

Mariano Klautau Filho, curador e coordenador do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia | Foto: Irene Almeida

Entrevista concedida para Debb Cabral

Três prêmios de residência artística e uma mostra coletiva com a curadoria convidada de Rosely Nakagawa. É assim que o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia inicia a convocatória para a sua 11ª edição. Depois de completada uma década de atuação, o projeto decidiu propor experiências do pensar e do fazer artístico mais compartilhadas. As inscrições estão na reta final e seguem abertas só até o dia 29 de março, pelo site www.diariocontemporaneo.com.br.

O tema deste ano vem buscar a provocação para o artista na literatura. “Vastas emoções e pensamentos imperfeitos” é uma referência direta ao título do romance de Rubem Fonseca.

Um livro que, nas palavras de Mariano Klautau Filho, curador do projeto, “fala essencialmente das fronteiras da ficção, em que a narrativa é constantemente atravessada pela presença do cinema na vida mental do protagonista e, portanto, tornando-se uma ferramenta de deslocamento poético para a vida real”.

Literatura e cinema atravessam a fotografia e a levam para as possibilidades do contemporâneo em uma fluidez de linguagens e significações.

Confira a entrevista com o curador:

O livro de Rubem Fonseca é mencionado por muitos leitores como uma história frenética. Como você vê isso relacionado com a contemporaneidade, a arte e a comunicação imediatista dos dias atuais?

O livro e, especialmente o seu título, é uma provocação ao artista. Não é preciso ler o romance ou investigar profundamente seus significados. Se o artista puder fazer isso, ótimo. Se não, ele poderá ficar com o efeito imaginativo e plástico que o título pode evocar, pois ele é bastante intenso.

O romance tem uma narrativa de certa forma veloz, mas não é isso que importa muito e sim, o fato de que o protagonista é um cineasta que está o tempo todo vivendo imaginativamente no limite entre imagem e texto, roteiro cinematográfico e realidade, ou seja, alguém imerso na experiência da ficção.

O que seriam estas vastas emoções?

Prefiro que o artista reflita sobre e faça do seu trabalho uma experiência emocional intensa. Não sei o que significa exatamente "Vastas Emoções" mas a expressão me sugere intensidade, paixão ou até uma certa grandeza do sentimento humano.

Cada artista pode interpretar do seu jeito, assim como a ideia de um pensamento imperfeito é muito sedutora no sentido de que faz parte da humanidade pensar, refletir, errar, acertar, pensar, debater, refletir infinitamente como um exercício contínuo.

O protagonista sonha sem imagens. Hoje o nosso mundo é extremamente visual. Seria essa uma forma de neutralizar o que está ao redor e se concentrar nas imagens que estão dentro de nós apenas esperando para se materializar?

Essa é uma boa ideia. Pensar um mundo sem imagens, mas como pensá-lo sendo um artista visual? Por outro lado, o personagem imagina muitas coisas e foge de uma série de eventos em que a realidade se mistura com suas imaginações. Enfim, a provocação é bem aberta, é uma experiência com o caráter visual da palavra e das expressões.

Ano passado, o projeto completou uma década de atuação. Foram realizadas diversas experiências e formatos ao longo destes 10 anos. O que traz, então, este novo ciclo?

Traz basicamente uma curadoria convidada (Rosely Nakagawa) que irá assumir a construção e a narrativa da grande mostra. Traz também os prêmios dedicados exclusivamente às residências artísticas porque queremos centrar o foco na formação do artista sem precisar exigir dele um resultado, mas propor um processo.

E mais: uma comissão científica para pensar de modo organizado o conceito da programação de palestras, oficinas e encontros com pesquisadores, levantando alguns temas da arte em diálogo com outros campos.

O projeto está propondo experiências mais compartilhadas. Fale um pouco sobre as residências neste sentido.

Como falei anteriormente, é o sentido processual e de formação que nos interessa quando propomos as residências.

A conversa que os artistas residentes terão com o público ou todo o tipo de trabalho em processo que poderá ser gerado nos coloca em contato com a arte como pesquisa e conhecimento. É isso que queremos estimular no artista, que pense em seu processo, que pense sobre o que quer dizer no seu trabalho, que não só limite sua participação à exibição de trabalhos.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática e patrocínio da Alubar.