quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Fotógrafa explora como guardamos nossas dores interiores

Fascinada pela morte e o mundo natural, a obra de Hannah Modigh investiga como os seres humanos lidam com a agitação interna

Nascida na Suécia, Hannah Modigh aprendeu desde cedo a mergulhar em um universo próprio. Esta é uma habilidade que ela tem colocado em sua fotografia, quando documenta momentos íntimos em que todos fazem um comentário sobre a natureza transitória do tempo e a efemeridade da vida. "Eu sou atraída por pessoas que estão lutando com a tensão interior e fazendo tudo o que podem - todos os dias - para reprimi-la", diz Modigh. "Eu me volto para o sentimento primeiro, estética vem muito mais tarde", explica. "Eu não estou interessada em dar voz a dor de alguém, não é isso que eu faço. Em vez disso, estou interessada em saber como eles as engolem, no seu silêncio, em sua espera, e no seu luto. "

Com uma qualidade de voyeurista no seu trabalho, Modigh é uma fotógrafa que favorece a espontaneidade em suas composições. Sempre com uma pequena câmera compacta, ela admite que é "uma fotógrafa muito lenta", mas consciente. Ela explica: "A ênfase está em agarrar o momento mais do que tentar produzir uma imagem perfeitamente composta, mas isso leva algum tempo para capturar a tensão subjacente - mesmo quando você sente instintivamente." Como tal, seus temas são detalhes, muitas vezes periféricos ou ocorrências que poderiam passar despercebidas, tolhidas por paisagens naturais e apresentada ao espectador sem título e sem um texto explicativo: "Eu sou muito cautelosa sobre o uso de texto, eu não quero apontar. Eu descreveria meu trabalho como um 'sussurro', eu tranquilamente encorajo as pessoas a se relacionar com um sentimento universal de incerteza. Nada é permanente, porque a morte é onipresente. Numa altura em que nos sentimos tão díspares, pelo menos podemos dizer que todos nós temos isso em comum."

Rastreável dentro de cada um de sua série é um foco sobre a morte e o mundo natural - os dois, ela marca como sinônimos. Mais recentemente Modigh visitou o sul da América para trazer seu projeto, Hurricane Season, à vida. Fotografado na Louisiana - um estado que tem vivido sob a ameaça de desastres naturais iminentes nos últimos 15 anos. Cada uma das imagens estão ligadas a uma narrativa, informada por seis meses a estada de Modigh lá e pelos sentimentos elevados de ansiedade que sentia de uma comunidade vivendo no medo da morte pela natureza."Dada a relação simbiótica e em constante mudança entre a terra e as pessoas, eu queria considerar como uma 'pátria' tem tanto o poder para proteger e para matar."















Fonte: Dazed

Preservação e Gestão de Acervos Fotográficos Digitais


No dia 16 de dezembro, a Caixa Cultural São Paulo vai realizar a oficina "Preservação e Gestão de Acervos Fotográficos Digitais", com o fotógrafo e bibliotecário Marcos Issa. A atividade faz parte do Programa Educativo Caixa Gente Arteira e pretende abordar os meios de preservação digital, e trazer uma introdução à gestão de acervos fotográficos e tratamento de imagens. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo email supervisao.sp@gentearteira.com ou pelo telefone (11) 3321-4400.

SERVIÇO

Oficina "Preservação e Gestão de Acervos Fotográficos Digitais"
Data: 16 de dezembro de 2016
Horário: 9h30 às 18h30 (intervalo para o almoço 13h às 14h)
Inscrições: pelo e-mail supervisao.sp@gentearteira.com ou telefone (11) 3321-4400
Capacidade: 20 pessoas
Local: Caixa Cultural São Paulo - Praça da Sé, 111, Centro, São Paulo



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Livro revisita a popularização da fotografia amadora

‘Picture Ahead’, que será lançado no sábado (10) em São Paulo, explora a construção do turista-fotógrafo e retrata a articulação da Kodak nos modos de produção e consumo de imagens ao longo de cem anos
Imagem da capa (1915)

A artista Lívia Aquino, o Ministério da Cultura e a Funarte lançam no próximo sábado (10) o livro Picture Ahead: a Kodak e a Construção do Turista-Fotógrafo. O evento acontece às 16h no Centro Cultural São Paulo e é aberto ao público, que terá a oportunidade de participar de uma conversa com a autora na ocasião. O trabalho é vencedor do Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia 2015.

A publicação é baseada na tese de doutorado de Lívia, que pesquisou a fotografia amadora e sua presença histórica no campo do turismo. Dedica-se acerca da atuação da fabricante Kodak, empresa que foi peça fundamental no processo de popularização da fotografia e, consequentemente, na articulação dos modos de produzir, consumir e compreender imagens.

Deste modo, ‘Picture Ahead’ repassa anúncios, cartazes, publicações e outdoors feitos pela Kodak da virada do século XIX até os anos 1970, mostrando como a combinação entre fotografia e turismo transformou a lembrança em um produto visual e construiu um novo sujeito: o turista-fotógrafo, sedento pela posse e pelo status que as imagens da viagem proporcionam. Se tal processo pode ser comparado à recente chegada dos celulares com câmera, este livro fornece um amplo estudo para melhor compreender a exponencial multiplicação de imagens no mundo digital e em rede.

Campanha da Kodak (1920)

Fotografia e turismo são compreendidos por Lívia como um dispositivo foucaultiano, por se estabelecerem de forma semelhante a um jogo ou um programa a ser seguido. A rede formada pelos elementos dessa trama é o que configura o dispositivo. Ao mesmo tempo que ele estabelece saberes, é por eles condicionado, gerando tensão em suas relações de força e, assim, constituindo poderes. Turismo e fotografia, no caso, atuam em conjunto, criando discursos, formando organizações e delimitando modos de ação relacionados às viagens e aos diversos aprendizados do fotográfico, como um desejo de conhecer e registrar os lugares e, com isso, apoderar-se deles como conquistas.

Os questionamentos em torno do fotográfico tangenciam a própria trajetória artística da autora. “O livro traz muito das minhas dúvidas como artista e pesquisadora, das perguntas sobre o que pode ser a fotografia e como ela acontece e é experimentada pelo amador”, conta Lívia, que recentemente participou de uma residência artística na China e está abrindo uma exposição com o trabalho desenvolvido. “O trabalho da tese reverbera em outras produções, há um desdobramento importante na minha prática artística”, diz.

“A arqueologia das imagens realizada por Lívia Aquino nos convida a conhecer a terra de nossos antepassados, com seus sonhos, suas graças, suas sacadas geniais, mas também com suas perversidades e fracassos. Nos convida a viajar em companhia desse fóssil, o turista-fotógrafo, cujo sangue ainda ferve em nossas veias toda vez que fazemos uma selfie”, comenta o historiador e doutor em Comunicação Mauricio Lissovsky.

 
Anúncios da Kodak

SERVIÇO

Lançamento do livro "Picture Ahead: a Kodak e a construção do turista-fotógrafo" de Lívia Aquino
Data: sábado 10/12/2016, às 16h, com conversa com a autora
Local: Centro Cultural São Paulo - Rua Vergueiro, 1000, Paraíso, São Paulo
Informações: (11) 3397-4002

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