quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Convocatória para publicação de fotolivro

setembro 17, 2020 | por Adriana Vianna

Les Rencontres de la Photographie oferece prêmio para apoiar a publicação de um fotolivro fictício - A inscrição é gratuita e está aberta até 26 de setembro


"Phénomènes", de Marina Gadonneix (Luma Dummy Book Award 2018)

Desde 2015 o festival Les Rencontres de la Photographie Arles oferece o prêmio Luma Rencontres Dummy Book Award para apoiar a publicação de um fotolivro fictício. A edição de 2020 ainda está com inscrição aberta para fotógrafos e artistas que produzem com fotografia. Serão selecionados 25 autores e o premiado será anunciado durante o Paris Photo, receberá 3 mil euros e a publicação do livro num orçamento de até 25 mil euros com o apoio da Fundação Luma, patrocinadora do prêmio. A atenção especial está voltada para as formas experimentais e inovadoras do projeto, a qualidade editorial e a viabilidade técnica em publicação tradicional de livro. A inscrição deverá ser feita nas duas modalidades: pelo e-Mail e pelo Correio. Todos os 25 selecionados serão apresentados pelo próprio festival no site oficial e nas redes sociais em formato digital. 

Outros critérios do Edital: A inscrição só vale para trabalhos que já foram apresentados em grupos, exposições individuais ou em publicações que lhes deram reconhecimento nacional ou internacional. O projeto gráfico pode ser individual ou coletivo com apenas uma inscrição assumindo todos os direitos legais da obra. O livro deve ser original, nunca ter sido publicado e nunca ter recebido qualquer compromisso de publicação por editoras, deve ser enviado o mais próximo possível da versão final. A inscrição pode ser feita em língua inglesa ou francesa, mas o livro deve ser encaminhado no idioma de origem. O envio pelo Correio (Sedex, FedEx, UPS, DHL, etc. com qualquer modo de rastreio) deve conter uma cópia impressa do livro junto com os formulários de inscrição; breve descrição e abordagem artística; pequena biografia e currículo detalhado. Serão aceitos os projetos autopublicados que não tem um número de ISBN e ainda não foram distribuídos.

Rencontres d'Arles é um festival anual de fotografias fundado em 1970 pelo fotógrafo de Arles Lucian Clerge, o escritor Michel Tournier, e o historiador Jean-Maurice Rouquette. O festival arlesiano tem contribuído efetivamente para o reconhecimento institucional da fotografia e a partir de um simples encontro de amantes da fotografia, tem se tornado, ao longo dos anos, um grande evento cultural. 

Les Rencontres de la Photographie Arles está no Facebook e no Instagram.

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Fotógrafa acompanha o amadurecimento de jovem com síndrome de Down

setembro 16, 2020 | por Camila Camargo

A jovem Sofie completou 18 anos em 2017 e desde então tem a sua rotina documentada pelas lentes da fotógrafa alemã Snezhana von Büdingen


Sofie com sua mãe Barbara

Para os jovens com síndrome de Down, assim como para a maioria das outras pessoas, a fase de transição entre a adolescência e a vida adulta é um momento intenso de sentimentos. Os envolvimentos amorosos, a afetividade familiar, as amizades, a relação com a natureza e com o próprio corpo. Os registros de Snezhana trazem no meio desse turbilhão de sentimentos, composições elegantes, delicadas e cheias de significado, que cumprem também a função de naturalizar ao nosso olhar a vivência de uma jovem com síndrome de Down. 

Quando a fotógrafa encontrou Sofie pela primeira vez, disse ver nela pureza e vida em harmonia com a natureza. Essa visão é praticamente materializada na foto em que Sofie aparece dentro de uma banheira ao lado de um cavalo branco. 


Sofie com o cavalo branco

Dentro de casa, está imersa em sua rotina. O sentimento preguiçoso e a estética bagunçada de quem acorda cedo, os momentos de autocuidado ou quem sabe aquela faísca de vaidade. Na cozinha, a jovem posa ao lado de um quadro que representa uma realidade que não parece ser muito distante da sua. Uma vida no campo, porém, de outras épocas. Com um vestido vermelho, a foto é quase uma quadro por si só. 


Pela manhã


Em casa


Na cozinha

Os vínculos afetivos também são muito bem representados no registro dela em um encontro com o irmão e os amigos, e principalmente com a mãe Barbara, abraçadas em túnicas brancas e de cabelos trançados. É Barbara que sempre incentiva e promove oportunidades para que Sofie experiencie os momentos de sua vida como qualquer outra jovem. E não pense que os relacionamentos amorosos ficaram de fora! Temos o registro de Sofie e o namorado deitados em um campo rodeados de flores. 

Talvez uma das imagens mais curiosas e interessantes, é ela encarando a câmera com um cigarro na boca. O ato de encarar a câmera revela em si a postura de alguém que não sente vergonha do que está fazendo, não tem nada a esconder. Parece inclusive ser a quebra do imaginário que a própria fotógrafa construiu inicialmente. Sendo esse o contraponto, um dos momentos mais ricos do trabalho. 

Se depender de Snezhana, o projeto não vai parar por aí! Ela espera fotografar Sofie por bastante tempo. No último contato que tiveram, a jovem estava a encontro de um novo companheiro amoroso, o que deixou a fotógrafa bem empolgada pensando num possível próximo ensaio. Resta aguardamos para saber se teremos mais registros como esses. 


Sofie em um encontro com os amigos de seu irmão


Sofie e Barbara


Sofie com o namorado


Sofie com um cigarro

Fonte: LensCulture

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Live: A história e relevância do Festival Hercule Florence de Fotografia

setembro 15, 2020 | por Resumo Fotográfico

Equipe organizadora do Festival Hercule Florence de Fotografia em torno da foto de Miguel Chikaoka



Nesta terça-feira (15), às 18h, o Instituto Hercule Florence, de São Paulo, promove a live A história e relevância do Festival Hercule Florence de Fotografia, para abordar a trajetória desse significativo evento para a cena da fotografia brasileira. O Festival, que acontece desde 2007 na cidade de Campinas, interior de São Paulo, realiza esse ano a sua décima terceira edição.

A conversa contará com as participações de Antonio Florence, tetraneto de Hercule Florence e fundador do IHF; Ricardo Lima, fotógrafo e organizador do Festival Hercule Florence de Fotografia; Nelson Chinalia, fotógrafo e professor de fotografia; e Luciana Florence, pentaneta de Hercule Florence, jornalista, responsável pelo departamento de comunicação do IHF.

O público poderá interagir enviando perguntas por escrito durante a live. A transmissão ao vivo acontece pelos canais de mídias sociais do IHF (YouTube e Facebook) e pelo canal do Festival Hercule Florence de Fotografia no YouTube.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Exposições virtuais retomam atividades no espaço do laboratório de arte Subsolo

setembro 14, 2020 | por Resumo Fotográfico

Hugo Curti e Raquel Fayad se deslocam de Itu e levam suas pesquisas artísticas para Campinas, no interior de São Paulo

Autorretrato de Hugo Curti em exposição | Foto: Regina Rocha Pitta
O Subsolo – Laboratório de Arte, instalado em Campinas, retoma as exposições artísticas no seu espaço físico, porém de forma virtual devido à pandemia de covid-19. Nesta terça-feira (15), através do Instagram, serão apresentadas duas mostras. A primeira, às 11h, terá o artista visual Hugo Curti em uma live apresentando “Eu, o Outro e o Olho”. Logo mais, às 19h, será a vez da artista visual e musicista Raquel Fayad exibir o vídeo “Nem todas as criaturas deixam rastros”.

Tanto Hugo Curti como Raquel Fayad residem e trabalham em Itu, e chegam ao Subsolo após convite do curador Andrés I. M. Hernández, dando continuidade ao objetivo do espaço cultural de movimentar o cenário das artes no interior de São Paulo.

Hugo Curti traz em sua exposição negativos de fotografia em vidro, vídeos, objetos e uma instalação. Geólogo por formação, Curti se voltou para as artes visuais desenvolvendo uma pesquisa que envolve a interdisciplinaridade ao transitar por diversas áreas do conhecimento e que convergem na construção de obras de arte repletas de significados do mundo, da vida, seja fotografando, filmando, pintando, gravando e na arte extramuros. Ou ainda, como Cildo Meireles e Burle Marx, ao criar suas joias.

Em um projeto inédito, a artista visual e musicista Raquel Fayad apresenta diferentes ângulos de sua pesquisa artística e uma verdadeira metamorfose em “Nem todas as criaturas deixam rastros”, de 2020, ao trazer suas criações e criaturas ao som de uma música incidental tocada por ela própria. O curador observa que Fayad é uma artista que se utiliza muito bem dos diálogos que se estabelecem entre as várias disciplinas das artes. “E aqui ela pode demonstrar isso a partir do espaço arquitetônico do projeto Passa 4.8, quando ocupa as paredes e preenche elas com suas criações e criaturas”, explica ele.

sábado, 12 de setembro de 2020

3 documentários sobre mulheres na fotografia

setembro 12, 2020 | por Thais Andressa

Para os apaixonados por fotografia, que estão sempre buscando referências, separamos três documentários sobre a atuação feminina no campo fotográfico. Que tal aproveitar a quarentena e se inspirar com trabalhos incríveis?

A Fotógrafa

O audiovisual conta a história da fotógrafa e jornalista Taghree At Allah, moradora da cidade de Gaza e que começou a fotografar quando sua irmã a presenteou com uma câmera. Um trabalho emocionante e que narra a paixão de uma mulher em contar histórias e registrar olhares. Em um dos momentos do documentário, Taghree relata que gosta de caminhar pelas ruas da cidade, pois, é onde ela consegue capturar ideias para seus artigos e retratar os habitantes. “Há tantos outros lugares em Gaza que eu sinto que deveria fotografar, para expor a verdadeira situação da localidade, para além da guerra, da morte, da destruição. Alguém já pensou nessas pessoas que vivem em Gaza?", diz Taghree. Que tal dar um passeio pelo cotidiano da fotógrafa e sua forma de ver o mundo?



F.o.t.o.g.r.á.f.i.c.a.s

Qual espaço a mulher ocupa na história da fotografia? O documentário F.o.t.o.g.r.á.f.i.c.a.s reúne entrevistas com 17 fotógrafas brasileiras, com uma abordagem sobre experiências, desafios na profissão e aspectos históricos da inserção da mulher no âmbito fotográfico. Fotógrafas iniciantes e já experientes, desde fotojornalistas, àquelas que encontram na fotografia um viés mais artístico, e que possuem trabalhos inspiradores. A obra cita referências que deixaram um legado marcante: Julia Margaret Cameron (1815-1879), Gertrude Kasebier (1852-1934), Alice Austen (1866-1952) e Berenice Abbott (1898-1991). Aproveite para se aprofundar nos trabalhos das fotógrafas brasileiras protagonistas do documentário: Agnes Cajaiba, Arlete Soares, Carla Galrão, Cristina Damasceno, Helemozão, Isabel Gouvêa, Margarida Neide, Mariana David, Marina Silva, Maureen Bisilliat, Nair Benedicto, Rejane Carneiro, Rosa Bunchaft, Shai Andrade, Shirley Stolze, Sora Maia e Valéria Simões.



Fé Menina

Um dos grandes nomes da fotografia brasileira é Nair Benedicto. A paulista formou-se em Rádio e TV pela Universidade de São Paulo em 1972, ano em que deu início à sua carreira de fotógrafa. No documentário,Nair apresenta algumas experiências de sua trajetória na documentação dos nordestinos e indígenas do Brasil, além, do seu olhar sobre o feminino. Em um meio dominado por homens, Nair conquistou seu espaço, e inspira muitas mulheres na luta pela igualdade de gênero.


quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Fotógrafa revela as mulheres da Yakuza

setembro 10, 2020 | por Adriana Vianna


"Sou uma mulher tentando entender outra mulher". Assim define a fotógrafa francesa Chloe Jafé durante o processo artístico do trabalho que encontra acolhimento na história social da cultura. 

Muitos debates ocorreram nos últimos anos sobre o papel das mulheres, muitas vezes invisíveis, nas organizações criminosas. A máfia japonesa é uma das maiores do mundo. Em 2019 o fotógrafo Anton Kunsters revelou sua experiência de convivência com a Yakuza. Porém, seu foco extraordinário, não traçou o perfil da presença de mulheres na máfia - quase sempre romantizada no cinema. A lacuna percebida por Chloe Jafé, fluente na língua japonesa, foi perseguida por ela até que se ajeitou como anfitriã num clube de hostess em Tóquio, propriedade da Yakuza. Nesse ambiente a fotógrafa tentou estabelecer contatos para sua aproximação. Mas, foi quando Jafé largou o emprego e estava mais perto de desistir do projeto que ela finalmente conheceu um chefe da máfia.

O trabalho foi realizado por um longo período de seis anos e, aos poucos, Jafé descobriu a estrutura patriarcal na qual as mulheres casadas com homens nos cargos mais altos têm uma guarda-costas feminina. Foi por esse viés que Jafé conheceu Yumi que era a responsável pela segurança da esposa do chefe. Por causa das ocupações ilegais de seus maridos, as esposas tendem a viver em uma comunidade fechada. A fotógrafa acabou submergindo no que parecia ser uma espécie de 'sub-subcultura' feminina dentro do mundo Yakuza.



Independentemente da posição na hierarquia todas as mulheres se unem em seu compromisso, para Yakuza elas “dão sua vida” - trata-se então de amor e orgulho. Entretanto, curiosamente, por definição, Yakuza não poderia ser uma mulher, se você é um Yakuza, então você é um homem - diz Jafé. Esse é um papel muito ambíguo e interessante, sobretudo quanto à aprovação de suas tatuagens - uma vez que para ser tatuado, um Yakuza deve ter feito algo para merecer, deve ser digno, e isso só o mestre da tatuagem é quem decide, revelou o fotógrafo Anton Kunster. Se o mestre decidir que o Yakuza é digno, então a pessoa entra num processo longo, em sessões semanais a um custo de cerca de cinquenta mil reais, que pode levar até um ano para ser concluído.

O processo é longo porque inclui aquela técnica artesanal realizada com uma vara de madeira fina com quatro agulhas na parte superior e envolve que a tatuagem não seja um mero grafismo decorativo ou marcador territorial que define o pertencimento à qualquer gangue. A tatuagem é representação de uma cena da vida do membro Yakuza ou algo que seja simbolicamente muito crucial - o que torna o desenho singular, pessoal e insubstituível, pois expressa os atributos pelos quais a pessoa é conhecida. O próprio fotógrafo Anton Kunsters conta que, depois de passar muitas dificuldades para conseguir essa aproximação, teve tatuada na pele a imagem de um peixe nadando rio acima, como metáfora de sua persistência, força de vontade e poder para superar adversidades; uma confirmação de que as tatuagens implicam dignidade e respeito, apesar de serem mal vistas pela sociedade em geral.

Algum tipo de critério as mulheres passam para terem suas tatuagens e para fotografá-las Jafé precisou da autorização dos maridos, pois as mulheres não podem simplesmente decidir isso; elas trazem seus corpos cobertos com tinta, mas ainda carregam um estigma proibitivo no Japão, pois “tatuagens não são realmente uma expressão de moda. Elas são algo que realmente vai colocá-los fora da caixa". As fotografias também revelam o irezumi feminino, uma tatuagem japonesa que geralmente cobre uma parte ou a maior parte do corpo. “Elas são uma prova de paciência e resistência. É sobre o quanto você pode lidar com a dor. São como uma proteção, omamori em japonês, amuletos de sorte.










O trabalho é inédito tendo em vista que essas mulheres nunca puderam mostrar seus corpos, apesar do orgulho que sentem. É possível que pela primeira vez uma fotógrafa tenha conseguido espaço para registrar essa intimidade. Jafé observa algo sobre si mesma durante o processo artístico: “Eu era uma mulher tentando entender outra mulher”, por isso suas fotos estarão acompanhadas de textos em japonês e em inglês, textos escritos pelas mulheres sobre suas tatuagens. Uma das notas foi escrita à mão por Yuko, filha da Yakuza: “A razão de eu fazer tatuagens é que queria desencorajar certos caras de se aproximarem de mim. Quero viver minha vida de forma independente, sem depender de um homem; foi esse pensamento que me incentivou a começar a fazer tatuagens. Para mim, a minha tatuagem nas costas é algo de orgulho e também algo que me guarda e protege." Uma visão revolucionária no clã.

No mês de Novembro a Galeria de Arte e Editora japonesa Akio Nagasawa Gallery lançará a série fotográfica com as respectivas histórias em fotolivro : “命預けます” / “I Give You My Life” / "Eu te dou minha vida." 



Fontes: DazedBBC News

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Zine reúne fotografias tiradas por quem mora nas ruas de Belo Horizonte

setembro 08, 2020 | por Camila Camargo

Há 25 anos, o projeto “No Olho da Rua”, agora publicado em uma série de zines sem fins lucrativos, registra a vida de adolescentes que vivem nas ruas da capital mineira
No Olho da Rua, via It's Nice That

Era 1995 quando três amigos, Patrícia Azevedo, Murilo Godoy e o britânico Julian Germain, começaram o projeto “No Olho da Rua” em Belo Horizonte. A ideia era entregar câmeras a jovens moradores de rua da cidade, sem nenhuma supervisão, de forma que eles pudessem se expressar livremente, fotografando tudo aquilo que lhes chamassem a atenção e na hora que quisessem. 25 anos depois, o resultado desse trabalho pode ser visto numa série de 18 zines, organizados e publicados pela editora londrina Mörel Books.

Em entrevista ao site “It’s Nice That” Julian comentou que eles não faziam ideia de como esse projeto iria se desenvolver. Afinal de contas, de lá para cá, muitas mudanças aconteceram na vida dos idealizadores, dos jovens, da própria cidade e do próprio país. Nas palavras de Julian: “Eles eram adolescentes em 1995, incrivelmente atléticos – alguns deles já eram pais. A vida foi difícil de uma maneira inimaginável para eles”. Ao longo dos anos alguns conseguiram sair das ruas, mas muitos também desapareceram, foram presos, morreram por doenças ou violência. Eles conseguiram manter contato com 15 jovens, que hoje, próximos dos 40 anos, continuam vivendo nas mesmas ruas em que se conheceram no início do projeto.

Muitos podem se perguntar então, qual foi a importância desse trabalho para esses jovens, já que ao longo dos anos, não houve necessariamente uma melhora na condição de vida deles. Cabe aqui refletirmos o poder da fotografia no processo de eternizar memórias, situações e até mesmo pessoas. Tudo isso, como parte de uma necessidade humana dentro da construção de nossas identidades. O poder de acompanhar o crescimento de suas vidas por meio desses registros, traz aos jovens a possibilidade de reafirmar suas identidades e a própria existência que na maioria das vezes é ignorada.

Assim, entre aproximadamente 15 mil negativos coloridos de 35 mm, algumas gravações de áudio, entrevistas e vídeos, o projeto é um testemunho, uma perspectiva única, capaz de narrar as dificuldades e ilustrar os impactos da desigualdade social brasileira.




segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Fotos Históricas: Parada militar de 7 de setembro por Claudio Edinger

setembro 07, 2020 | por Cid Costa Neto

Há exatamente 45 anos, em 1975, o fotógrafo carioca Claudio Edinger registrava a Parada Militar de 7 de setembro em São Paulo, na Avenida São João, esquina com Avenida Ipiranga.

A imagem mostra soldados desfilando diante de outdoors com propagadas das marcas norte-americanas Coca-Cola e Esso, com os dizeres “Isso é que é”, “extra certo” e “super certo”.

Segundo Edinger, a foto foi censurada pelos militares e só foi publicada mais de 30 anos depois, em 2006, na capa do seu livro “Isso é que é”, lançado pela DBA Editora.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Uma câmera fotográfica de chocolate

setembro 04, 2020 | por Thais Andressa

O que você gosta mais: fotografia ou chocolate? Bem, se você respondeu ambos, que tal confeccionar sua própria câmera fotográfica de chocolate? A ideia, que parece deliciosa, foi colocada em prática por Ann Reardon em seu canal de receitas How to Cook That. No vídeo, Ann demonstra todo o processo de fabricação da réplica de uma Nikon SLR vintage. Que tal aproveitar o isolamento e se lançar no desafio? Assista abaixo:



Para quem tiver interesse, Ann disponibiliza o modelo da câmera de chocolate em seu site.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Bons motivos para colecionar fotolivros

setembro 03, 2020 | por Adriana Vianna


O consumo digital de fotografias que hoje predomina não deve substituir a apreciação da fotografia impressa. Ver as gravuras originais em exposições deve ser insubstituível e a materialidade do livro fornece uma experiência totalmente distinta da experiência virtual. Foto: Ansel Adams. New Church, Taos Pueblo, New Mexico. 1929. Acervo do MoMa.

Livros de fotografia são definidos como livros em que a mensagem é transmitida principalmente por fotos, são entradas mais práticas no trabalho de um fotógrafo; os livros são objetos físicos de beleza, com valores de produção superiores como os materiais, o design e a impressão. A sequência, o layout, a combinação de imagens e texto adicionam camadas de significado e complexidade além das fotografias. Até os livros de registro de obras de arte podem chegar ao nível de obras de arte, mas, ao contrário da arte no museu ou na galeria, essa é uma obra de arte que você pode segurar nas mãos.

Existem muitas abordagens para colecionar livros de fotografia, desde colecionar com base exclusivamente no gosto pessoal a colecionar com base na raridade da obra buscando as primeiras edições em excelentes condições. A questão é ver os livros de fotografia como um suporte para descobrir mais sobre fotografia e aprofundar o conhecimento de seus artistas significativos. Não há como negar que o aspecto comercial do hobby pode ser divertido e educativo, pois também mobiliza o conhecimento ao fazer a pesquisa, orçamentar e priorizar as aquisições. A comercialização, porém, é incerta e há indícios de que o mercado de livros está mais fraco do que costumava ser. Ao contrário dos livreiros que buscam a apreciação do valor, os colecionadores geralmente não procuram comercializá-lo. Como em todas as coleções, o processo pode ser mais satisfatório na aquisição do que no investimento para comercialização a posteriori.

Alguns livros podem rapidamente se tornar mais valiosos do que seu preço de tabela. Atualmente há quem faça mais investimentos em livros do que em equipamento fotográfico e a melhor definição de um colecionador é: o usado vale mais do que novo. Levando em conta alguns fatores que tornam qualquer objeto colecionável como a escassez e a demanda. Devido à necessidade de reproduções de qualidade, os livros de fotos custam muito mais para a impressão do que outros livros e, portanto, são mais caros. Preços mais altos resultam em uma demanda geralmente muito pequena para justificar uma grande tiragem. Com exceção de alguns livros populares de mesa de centro, geralmente uma tiragem de milhares de cópias é considerada grande para um livro de fotografia. Ao mesmo tempo, embora pequena, a demanda frequentemente permanece estável. Uma vez ou outra, as cópias tornam-se escassas e valiosas.

The Decisive Moment de Henri Cartier-Bresson editado por Steidl Velarg de 1952 e a recente edição. Nesse caso, o valor da primeira edição não caiu, as cópias antigas em excelentes condições continuam a indicar preços elevados. (£500 e £270). Imagem Biblio.com

Para analisar o percurso dos colecionáveis ​​é importante observar as fases da publicação: 1º - O livro é vendido próximo ao preço de tabela no lançamento, já que a novidade é um importante argumento de venda. 2º - Assim que a novidade se esgota, aparecem os grandes descontos (50% é comum) que os tornam mais acessíveis. Nessa fase o livro sai da lista inicial para a lista final; nos catálogos ele já não é totalmente descrito, mas apenas listado. 3º - As cópias estão quase todas esgotadas nas grandes livrarias. Nessa fase, eles estão disponíveis apenas em livrarias independentes ou por meio de vendedores terceirizados. 4º - Esse livro torna-se colecionável, novas cópias serão oferecidas para aumentar o preço de tabela original, e as cópias usadas aparecerão em excelentes condições. Comprar no estágio 1 garante que você obtenha uma cópia pelo preço de tabela, mas, nesse ponto, é possível que o preço diminua e o livro não se torne colecionável. Um livro que entra no estágio 3 provavelmente alcançará o estágio 4, portanto, para os colecionadores que se concentram no aspecto “colecionável”, esse pode ser o momento mais seguro para comprar. Se a essa altura você ainda estiver em cima do muro, decidir não comprar e mais tarde descobrir que deseja o título, pode ser que ele não seja mais acessível. Outros livros nunca saem do estágio 2 e seu preço continuará caindo, pois não haverá demanda.

Os Portfólios de Ansel Adams podem desapontar com a qualidade de impressão em comparação com a versão moderna. Parece que houve uma grande mudança de qualidade entre a 1ª edição (1977) e a segunda edição (1982). Imagem Biblio.com

Há muitos aspectos para considerar na compra dos colecionáveis: 1. Autoria. De um modo geral, os livros que são uma compilação de imagens de vários fotógrafos, carecem de voz autoral e, portanto, raramente são considerados obras de arte. 2. Significado, o apelo do artista e da obra. Trabalhos de artistas sem reconhecimento mundial ou não exibidos em museus e galerias, ou não revisados em publicações importantes, têm menos probabilidade de se tornarem colecionáveis e o mesmo princípio se aplica a seus livros. Mas, uma obra rejeitada poderá se tornar desejada, como foi o caso "The Americans" de Robert Frank, entre outros. 3. Qualidade de impressão. Os livros mais novos proporcionam mais prazer, embora possam não ser tão valiosos quanto os livros mais antigos e raros. 4. Produções elaboradas. Entre os de capa dura e capa mole, o primeiro é sempre preferível. Mas, há outros modos que podem incluir materiais especiais como caixas, estojos elaborados, páginas dobráveis e outros tipos não convencionais de encadernação. 5. Tamanho da tiragem. Quanto menor a tiragem, mais valioso é o livro. Os livros de mesa destinados ao público em geral costumam ter tiragens grandes acima de 10.000. Por outro lado, quanto menor a tiragem, maiores os custos de produção por unidade e, portanto, maior o preço de varejo. 6. Primeiras edições. As edições referem-se a um livro que está sendo reeditado com atualizações substanciais, uma apresentação diferente, como capa mole vs. capa dura, ou uma editora diferente. As edições são frequentemente mencionadas como parte do título. 8. Cópias assinadas. Há um ditado que diz que a diferença entre um pôster e uma impressão artística é a assinatura do artista. Não é totalmente verdade, porque o processo de impressão é muito importante. Ainda assim, a assinatura de um artista ajuda a conferir a um livro o status de um objeto de arte. Algumas assinaturas são mais raras do que outras, e isso varia de livro para livro.

Com a experiência, poderá localizar bons livros, bem feitos, e com obras inspiradas em qualquer gênero, colecionáveis ou não. No entanto, se você se limitar apenas aos seus interesses atuais, pode estar perdendo muito do vasto mundo da fotografia. Existem tantos livros de fotografia por aí que saber por onde começar pode ser assustador. Qualquer pessoa que estuda literatura lê uma lista de clássicos. A fotografia também tem seus clássicos, representando um consenso de curadores e críticos. Esse pode ser um bom começo.

Fonte de pesquisa: Biblio.com