quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Anya Taylor-Joy posa para ensaio inspirado na série “O Gambito da Rainha”

dezembro 02, 2020 | por Resumo Fotográfico

A atriz Anya Taylor-Joy posou para as lentes do fotógrafo britânico Pip, reinterpretando seu papel na série “O Gambito da Rainha”, do canal de streaming Netflix. Realizado com filme fotográfico, parte do ensaio foi publicado no Instagram da Kodak, assim como uma prova de contato.

Nas imagens, registradas utilizando o filme 35mm preto e branco Kodak 400TX, a atriz norte-americana aparece loira, interagindo com as peças de um tabuleiro de xadrez, segurando o livro que inspirou a série, escrito por Walter Tevis, e uma câmera fotográfica. Veja abaixo:





Para conhecer mais sobre o trabalho de Pip, acesse seu site ou Instagram.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Diário Contemporâneo debate os apagamentos e mergulhos nas imagens

novembro 30, 2020 | por Debb Cabral

O 11º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia realiza mais uma programação de debates. Os professores Ramon Reis (UFPA) e Gil Vieira (UNIFESSPA) integram a mesa “Sublinhando apagamentos: mergulhos necessários”, com mediação de Heldilene Reale. O encontro será na quinta-feira (03), às 19h, transmitido ao vivo pelo canal do Diário Contemporâneo no Youtube

Gil Vieira discutirá a “Arte contemporânea e as Amazônias submersas” e Ramon Reis fará uma apresentação com o tema “Entre visões e poder”.

Gil Vieira (Foto: Divulgação), Ramon Reis (Foto: Divulgação) e Heldilene Reale (Foto: Natan Garcia)

A conversa integra o eixo “Superfícies das imagens: estamos mergulhando?” proposto por Heldilene. “A arte está sempre vivendo um ciclo de apropriações que, ora interfere positivamente com o roteiro de uma história, ora a silencia. O discurso colonizador sobrepôs narrativas de vida e de existências. Manter-se vivo na arte significa resistir, pois dentro da própria história da arte esta existência é escrita sob a insistência de apagamentos. Na certeza que o texto escrito também forma uma imagem, quantas imagens deformaram o que entendemos de nossa própria história? A partir de narrativas e ressignificação de discursos na História sublinham-se os sujeitos de uma história, tanto os comumente vistos, quanto os até então apagados. Ao dar a voz aos seus protagonistas ganha-se a possibilidade de um mergulho”, refletiu ela sobre questões como hegemonia e superficialidade do discurso que serão debatidas na programação. 

Biografias

Ramon Reis é mestrando em Artes, licenciado e bacharel em Artes Visuais pela Universidade Federal do Pará. É artista visual e atuou como professor de Arte da Secretaria de Estado de Educação do Pará (SEDUC). Professor colaborador do Plano Nacional para Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR) e pesquisador do Laboratório de Experimentação em Filosofia, Arte e Política na Amazônia da UFPA. 

Gil Vieira Costa é doutor em História pela UFPA e mestre em Artes pela mesma instituição. É professor na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA). Publicou o livro "Espaços em trânsito: múltiplas territorialidades da arte contemporânea paraense" (2014), que recebeu o Prêmio Vicente Salles - Gênero Ensaio, no Prêmio IAP de Artes Literárias 2013. É membro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas e da Associação Brasileira de Críticos de Arte. 

Heldilene Reale é doutora em Artes (UFMG) e mestre em Comunicação, Linguagem e Cultura (UNAMA). Sua trajetória artística desenvolvida desde 2005, vincula um processo que envolve aspectos da memória, patrimônio, narrativas orais, percursos de viagens e conflitos na Amazônia, utilizando multilinguagens. Atualmente atua como artista, pesquisadora e realiza curadoria na galeria do espaço cultural Candeeiro. 

SERVIÇO: Diário Contemporâneo debate as superfícies das imagens. Data: 03 de dezembro de 2020. Horário: 19h. Local: canal do projeto no YouTube. O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Museu do Estado do Pará, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, patrocínio da ALUBAR e patrocínio master da VALE. Informações: (91) 98367-2400, diariocontemporaneodfotografia@gmail.com e www.diariocontemporaneo.com.br.

As fotos mais engraçadas dos pets, segundo concurso britânico

novembro 30, 2020 | por Camila Camargo

A simpática cachorrinha Noodle ganhou o coração dos jurados do Comedy Pet Photography Award 2020

"Cão de guarda em serviço" de Elke Vogelsang. Vencedora na categoria Cães

Seja você fotógrafo profissional ou não, é quase irresistível fazer um registro dos bichanos quando a oportunidade aparece. Para animais de estimação, a regra é a mesma. Basta perceber como essas carinhas fofas invadem o feed das redes sociais quase sempre protagonizando suas travessuras ou em poses engraçadas. Ao saber disso, alguns concursos passaram a incluir categorias voltadas aos pets, ainda que direcionados a trabalhos profissionais. Enquanto temos o já famoso Comedy Wildlife Photography Award mais focado numa vida animal diversa e selvagem, o Comedy Pet Photography Award aposta naqueles companheiros que estão ao nosso redor. E por mais que a gente já esteja mais do que acostumados com eles, é sempre possível encontrar novos registros com retratos encantadores, de alegrar qualquer dia!

A fotógrafa alemã Elke Vogelsang resgatou de um abrigo a cachorrinha Noodle de 8 meses, durante uma viagem para a Espanha. Hoje com 13 anos, Elke diz que a Noodle continua brincalhona e engraçada, do mesmo jeito que era quando filhote. "Cão de guarda em serviço" rendeu à Elke o prêmio de melhor foto do concurso na categoria "Cães" e três mil libras que serão reinvestidas em uma associação dedicada ao cuidado de animais. O concurso em si, também tem como objetivo a arrecadação para financiar uma instituição de caridade que visa ajudar animais sem teto no Reino Unido. 

Além dessa categoria, o concurso ainda cedeu espaço aos gatos, cavalos, uma categoria de "todas as outras criaturas" e uma categoria dedicada somente a animais que se parecem com seus donos. E foram tantas fotos bacanas que sobrou espaço ainda para menções honrosas. Quem é a gente para reclamar? 

"Mãe, porque você está de cabeça para baixo?", de Margozata Russell. 
Vencedora na categoria Gatos

"Garotas Fofoqueiras", de Magdalena Strakova. Vencedora na categoria Cavalos

"Rainha do drama", de Anne Lindner. Vencedora na categoria Todas as Outras Criaturas

"Humor matinal", de Hannah Seeger. Vencedora na categoria Pets que Parecem com seus Donos

"Segure firme! A gente tá atrasado" de Karen Hoglund. Menção Honrosa

"Aquele momento em que você percebe que já se foi metade da jarra de biscoitos"
de Candice Sedighan. Menção Honrosa

"O gato dançarino" de Iain McConell. Menção honrosa

"Amigos não deixam amigos fazerem besteira sozinhos", de Kerstin Ordelt. Menção honrosa

"Olha mãe, eu consigo andar sobre a água", de John Carelli. Menção honrosa

Fonte: Comedy Pet Photo

domingo, 29 de novembro de 2020

Ísis Medeiros lança fotolivro sobre crime ambiental em Mariana

novembro 29, 2020 | por Adriana Vianna


Mina do Chico Rei em Ouro Preto, primeira mina de Minas Gerais. 

Cinco anos depois da tragédia que paralisou a vida em Mariana e deixou Minas Gerais em prantos, a fotógrafa Ísis Medeiros traz a público o fotolivro "15:30" - hora que foi anunciada, dentro da mineradora, a ruptura da barragem. Com 71 imagens e prefácio de Ailton Krenak, Ísis espera mobilizar mais uma vez a atenção para o evento que até hoje gera consequências socioambientais. As imagens documentam a tragédia de Mariana através de uma síntese histórica, desde o dia seguinte aos desdobramentos nos anos posteriores junto às comunidades locais. 

"Queria chamar atenção para a hora exata, porque segundo a população atingida, foi exatamente quando a vida foi interrompida em toda região. É uma simbologia que representa esse rompimento da história e um início de um longo processo de novos crimes e violações de direitos", diz a fotógrafa. 

O livro será lançado nesta segunda-feira, dia 30 de novembro. Para o lançamento, Isis conduzirá uma live às 19h, no canal da editora Tona no YouTube com a presença de Ailton Krenak, da fotógrafa e documentarista Nair Benedicto e da ativista Simone Silva, do grupo de atingidas da Bacia do Rio Doce.

No dia 7 de dezembro, também às 19h, fará mais uma transmissão ao vivo com a participação do fotojornalista Alexandre Sequeira, da ativista Eliane Balke e da jornalista Cristina Serra, autora do livro "Tragédia em Mariana: A história do maior desastre ambiental do Brasil". 

O líder indígena Ailton Krenak, por Rui Teixeira, assina o prefácio do livro e participa da live

Mais que um documento visual

"15:30" traz 71 imagens selecionadas por Medeiros dentre mais de 8 mil fotos que compõem todo trabalho. "Não foi fácil editar todo esse material. É bem grande e diverso. Vai desde as primeiras reuniões de atingidos pela barragem em Mariana, passando por retratos, visitas a comunidades, reuniões, plenárias, manifestações, marchas e encontros, até as últimas imagens das ruínas de Bento Rodrigues, quatro anos após o crime", conta a fotógrafa. "Como representar cinco anos de luta, resistência, impunidade e injustiça? Qual a melhor forma de contar sobre sofrimento, dor e indignação, através das imagens? São escolhas complexas, revisitar esse trabalho foi uma tarefa difícil".

Ela conta que a cobertura do crime ambiental de Mariana mudou toda sua perspectiva profissional como fotógrafa. Foi através do contato com os atingidos pela tragédia que a mineira decidiu tornar-se fotojornalista e desenvolver um trabalho de denúncia com relação à atividade exploratória da mineração em Minas Gerais. “Estar diante desse crime me fez sentir mais humana. Isso interferiu diretamente no meu fazer fotográfico, na minha abordagem e na aproximação das pessoas". 




A ideia do livro surgiu quando passou a acompanhar as comunidades da Bacia do Rio Doce. "Fui pela primeira vez cobrir a situação em Mariana já acompanhando o MAB - Movimento dos Atingidos por Barragens. "Foi através da atuação junto aos movimentos sociais que me envolvi de forma mais prática, nas cidades e comunidades atingidas”, relembra. "Com o passar do tempo e o esfriamento do assunto, vi cada vez mais a necessidade de produzir um material que ficasse para a posteridade, que trouxesse a temática para o centro do debate. Com intenção de ampliar as vozes dos atingidos que gritam por justiça, decidi materializar parte desse trabalho em um livro". 

Para Medeiros, há pouca informação documental sobre o assunto nos museus, galerias e acervos públicos. "Não temos sequer uma plataforma digital reunindo os principais estudos a respeito do tema, uma exposição audiovisual ou qualquer outra documentação disponível para estudo, quem está contando essa história são as mineradoras. Sentia a obrigação de devolver parte dessa história documentada às comunidades, após cinco anos de envolvimento, uma solução possível foi produzir esse livro", ressalta.






A fotógrafa

Formada em Design, decidiu que iria seguir pela fotografia ainda durante o curso, quando fez um intercâmbio na Ilha de Malta. Ao voltar para o Brasil em 2013, se deparou com as jornadas de manifestações de junho e saiu com a câmera nas mãos para documentar o histórico momento político do país. De lá para cá, além da cobertura da tragédia ambiental de Mariana e da situação da mineração em Minas Gerais também em outros territórios, participou de outros projetos com viés social. "Meu trabalho é também voltado à luta e ao empoderamento das mulheres. Realizei em 2016 o projeto 'Mulheres Cabulosas da História', premiado com a medalha 'Clara Zetkin' que destaca mulheres com iniciativas transformadoras". 

Medeiros é integrante do fotocoletivo Mamana e uma das fundadoras do grupo "Fotografia pela Democracia", iniciativa nacional de fotógrafas e fotógrafos que lutam em defesa da democracia e dos direitos humanos no Brasil (2018). Em 2019, recebeu menção honrosa no Primeiro Congresso de Fotógrafas Latino-Americanas, única brasileira premiada no concurso.  Em 2020, coordenou a campanha solidária "Fotografias por Minas", em apoio às comunidades sem assistência para enfrentamento do coronavírus. Lançou neste ano o projeto fotográfico documental "Canaã" e foi convidada a apresentá-lo através do programa Convida, do Instituto Moreira Sales.

A editora Tona 

De Belo Horizonte, voltada para trabalhos contemporâneos de fotografia, é fruto da parceria entre os fotógrafos Pedro Castro e Douglas Mendonça. "A ideia é publicar novos fotógrafos e fotógrafas, bem como trabalhos atuais de profissionais que estão há mais tempo no mercado. O livro "15:30" é a nossa primeira publicação. A ideia é que a editora seja um espaço que viabilize às pessoas de publicarem e que elas sejam reconhecidas por isso", explica Pedro Castro.  



"15:30", de Ísis Medeiros

Lives de lançamento
30 de novembro, segunda-feira, às 19h 
7 de dezembro, segunda-feira, às 19h
Canal da editora no YouTube:  https://bit.ly/3fdsItm

Livro "15:30"
120 páginas, 71 fotos, brochura 
Preço de capa: R$ 40
Link para pré-venda: tonaeditora.com.br

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Travessia poética pelo sertão mineiro, com Elza Cohen

novembro 26, 2020 | por Adriana Vianna

Ocupação Avilmar Ribeiro/ Comunidade dos povos tradicionais Geraizeiros no Vale das Cancelas (Distrito de Grão Mogol). Norte de Minas. Foto capturada em um evento do MAB "Território, água e energia não são mercadorias". 

Fruta do sertão cerrado do norte mineiro, sertão de Guimarães Rosa, a fotógrafa Elza Cohen traz na bagagem diversas culturas adquiridas em suas vivências entre Rio e São Paulo. Porém, suas origens mineiras predominam quando procurada para falar um pouco sobre seu trabalho junto às manifestações das populações que se organizaram para pressionar o Estado a fazer a demarcação do Território Geraizeiro do Vale das Cancelas, na sede do Município de Grão Mogol (MG). As manifestações realizadas pelos direitos negados aos atingidos pela barragem da Usina Hidroelétrica de Irapé e pelas monoculturas de eucalipto, foram acompanhados pela fotógrafa nas ações do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens). Reflexiva e poética, Elza conta que as fotos que possui são retratos de famílias com perfis muito sofridos, devastados, vulneráveis, e que não se sente à vontade para expô-los nesse momento de sua vida. Em troca, ela oferece a beleza do cerrado 







Atualmente, mais inspirada pela filosofia de Gandhi e Vandana Shiva, a fotógrafa deseja desenvolver trabalhos que possam refletir coisas boas, uma beleza no caos, uma beleza que possa ser fruto, pois "a dor passa e a beleza permanece" (Renoir), como é seu trabalho atual com os ensaios de videografias e fotografias remotas que pratica com outras mulheres que estão em isolamento por conta da pandemia, na busca de questões de aprendizado transformando sofrimento em algo positivo. No viés dessa prática, ela entrega seu olhar amoroso por sua terra natal e apresenta uma série de imagens com a essência poética do admirável bioma imensamente bonito e independente, porém castigado e ameaçado pelos grandes impactos ambientais e socioeconômicos. Depois da Amazônia, o Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil, ocupando Estados no Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste e que, pouco a pouco, vai desaparecendo por conta da ocupação agressiva da indústria. 






Território indígena Xakriabá - São João das Missões, extremo norte de MG. Foto capturada em evento comemorativo.

A vida que procura compreender a si própria não ignora que a existência humana é feita de escolhas e que essa vida se desenvolve logicamente no interior de esquemas conceituais que fornecem texturas. Nesse contexto, a razão pode ser buscada na resistência que o material fotográfico oferece, retirando o foco das tragédias para revelar uma região exótica que possui um ciclo próprio de seca e floração. São paisagens do sertão do cerrado ou em breve serão paisagens do ser tão serrado e ferrado. Entre a evolução industrial e a proteção do meio ambiente, está o homem, e o sofrimento e a beleza da terra que não cabem no pequeno espaço do cérebro capitalista.


Quando Guimarães Rosa escreveu "Grande sertão: veredas", o Brasil estava começando a se abrir para o mundo e o autor fez o movimento contrário, ele se voltou para o interior. Romancistas do mundo inteiro tratavam de temas de urbanidades e políticas, e Rosa se ocupava de perceber o homem no seu interior. É que o homem, em todos os sentidos, é um paradoxo. O sertão está dentro, o sertão está fora, por toda parte nas realidades materiais que tornam tangíveis as escolhas que faz. Os espaços vazios da terra, os desertos dos sertões, são espaços necessários para equilibrar a biodiversidade, as dualidades que geram terríveis tensões dentro dessa cultura que necessita tempo e espaço para encarar conflitos, processos e divisões, e reunir tudo novamente para fazer florescer a vida, porque é de vida que se trata e de seu comportamento diante do destino implacável que alcança. Mais que Deus e o Diabo, é o homem e a natureza, o homem e a cultura, o homem e a responsabilidade de travessia para superação, para atravessar um sertão com veredas.







Elza Cohen é fotógrafa e videógrafa. Trabalhou durante anos como produtora cultural e curadora musical no eixo Rio e Sampa. Hoje a fotografia é sua principal profissão, vive e trabalha na ponte São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, conciliando trabalhos comerciais e autorais. Com a pandemia, passou a desenvolver um trabalho remoto de foto e vídeo com outras mulheres à distância, "fotoEafeto", publicados frequentemente no Instagram

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Diário Contemporâneo debate o ontem e o hoje da fotografia

novembro 24, 2020 | por Resumo Fotográfico

James Roberto Silva realizará palestra no canal do YouTube do projeto

O 11º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia segue com sua programação de encontros e conversas. O professor e pesquisador James Roberto Silva fará a palestra “O ontem e o hoje da fotografia: dimensões documental, arquivística e social de um (não) artefato”. O encontro será na quinta-feira (26), às 19h, transmitido ao vivo pelo canal do Diário Contemporâneo no YouTube.

Em 2013, estimava-se que 125 bilhões de imagens fossem compartilhadas na rede por ano. De lá para cá este número não parou de crescer, ainda mais se pensarmos que só o Brasil tem 134 milhões de usuários de internet, segundo dados da pesquisa TIC Domicílios 2019. Vivemos agora uma profusão de imagens.

“Partindo da constatação sobre as transformações por que a fotografia vem passando nos últimos anos e ancorada na história e na cultura material, a exposição convida à reflexão, articulando indagações em torno de questões acerca dos pilares sobre os quais a cultura ocidental construiu seu modo de percepção, sobre a materialidade da imagem digital e sobre os problemas e exigências que esse cenário impõe à prática de guarda, preservação e classificação”, explicou James Roberto Silva.

A palestra integra o eixo “Arquivo, documento e documentário”, proposto por Sávio Stoco, integrante do comitê cientifico desta edição, que realizará a mediação da programação.

Biografias

James Roberto Silva é mestre e doutor em História Social pela Universidade de São Paulo. Desde 2004, é professor de História Contemporânea e História da Arte do Departamento de História da Universidade Federal do Amazonas e pesquisador do POLIS - Núcleo de Pesquisa em Políticas, Instituições e Práticas Sociais. É autor do livro “Doença, Fotografia e Representação Revistas Médicas em São Paulo e Paris, 1869-1925” (Edusp, 2009).

Sávio Stoco é professor do curso de Arte Visuais da Universidade Federal do Pará (UFPA). Doutor em Meios e Processos Audiovisuais pela Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP). Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNICAMP. Direciona sua pesquisa no campo da História da Arte, se atendo atualmente ao repertório de produções artísticas/visuais amazônicas na interface com a ecologia.

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Fotolivro reúne a maior reportagem sobre a indústria animal no planeta

novembro 19, 2020 | por Adriana Vianna

Xeque-mate: HIDDEN revela com detalhes sangrentos quão pouco sabemos sobre o que acontece dentro dessas paredes sem janelas

Fotografia: Konrad Lozinski | Itália 

"O fotojornalismo apresentado em Hidden entrou em alguns dos lugares mais sombrios e inquietantes do mundo. As imagens que eles capturaram são um lembrete marcante de nosso comportamento imperdoável para com os animais e servirão como faróis de mudança nos próximos anos". Joaquin Phoenix, cineasta que no Oscar 2020 usou seu discurso de aceitação de melhor ator para defender o veganismo.


Fotografia: Timo Stammberger | Berlin

HIDDEN é um xeque-mate na humanidade. É inflexível sobre nosso conflito com animais não humanos em todo o mundo. Através das lentes de trinta fotojornalistas do mundo inteiro, o trabalho expõe os animais invisíveis em nossas vidas; aqueles com quem temos um relacionamento íntimo e ainda não conseguimos ver. As suas histórias são reveladoras, e brutais. São a prova da emergência que os animais enfrentam em todo o mundo - da agricultura industrial às mudanças climáticas - e fornecem informações valiosas sobre a relevância do sofrimento animal para a saúde humana. Eles são os animais que comemos e vestimos. Os animais que usamos para pesquisa, para o trabalho e para a diversão, bem como os animais que sacrificamos em nome da tradição e da religião. Hidden é um documento histórico, um memorial e uma acusação do que é e nunca deveria ser novamente. 


Comportamento imperdoável para com os animais, um porco a caminho do abate. Fotografia: Jo-Anne McArthur | Canada

Jo-Anne McArthur, fundadora da We Animals Media, há mais de quinze anos usa o fotojornalismo para defender os direitos dos animais, investiga animais no ambiente humano: se eles estão sendo usados para comida, moda e entretenimento ou pesquisa, ou estão sendo resgatados para passar seus anos restantes em santuários. McArthur fornece lições valiosas sobre o tratamento aos animais, torna as indústrias animais visíveis e responsáveis, amplia nosso círculo de compaixão para incluir todos os seres sencientes.

“O fotojornalismo animal exige empatia radical e autoconsciência”, diz ela. “Os espectadores devem se descentrar e considerar o mundo através dos olhos de uma espécie diferente, ao mesmo tempo que sustentam a verdade do papel inegável da humanidade na história.” Ela também aponta que, ao trazer essas imagens à luz, “isso representa uma ameaça fundamental para sistemas sociais profundamente enraizados que continuam, em grande parte incontestados. Buscar essas histórias visuais é em si um ato de resistência". “Quando vi pela primeira vez o livro Inferno, do fotógrafo de guerra James Nachtwey, imediatamente soube que queria fazer um livro semelhante para animais. Até hoje, as imagens de Nachtwey são mundialmente reconhecidas e usadas para animar conversas sobre como podemos e devemos fazer melhor uns pelos outros. Meu objetivo com Hidden é conseguir a mesma visibilidade sobre o sofrimento animal.” 


Fotografia: Kristo Muurimaa | Finlândia 

O fotógrafo Francesco Pistilli começou a cobrir a indústria italiana de carnes há oito anos. “Eu descobri que as corporações mudaram os animais para dentro de casa, para plantas em estilo prisão, no meio do nada rural, longe do olhar dos consumidores nervosos.”


Fotografia: Aitor Garmendia | Espanha

“Faço esse trabalho porque quero que outras pessoas vejam o que vejo quando olho nos olhos de um animal”, diz a fotógrafa Louise Jorgensen. “Ver que há alguém igual a você olhando por trás daqueles olhos amedrontados e suplicantes. Capturo a emoção nos olhos para entender que os animais, como nós, são seres emocionais e sencientes, com a mesma capacidade de sentir alegria, amor e sofrer imensamente. ”


Em seguida na fila ... os coelhos que chegam para abate são empilhados na área de sangramento, onde a matança é realizada na frente deles na Espanha. Fotografia: Aitor Garmendia

HIDDEN representa o trabalho de mais de trinta fotojornalistas que documentaram por 15 anos - e continuam a documentar - histórias de animais no ambiente humano. Esses fotógrafos são os heróis que trabalham globalmente para investigar e expor o uso de animais. Entre eles estão (em ordem alfabética): Aaron Gekoski, Aitor Garmendia, Amy Jones, Andrew Skowron, Britta Jaschinski, Daniel Beltrá, Francesco Pistilli, Jan van Ijken, Joan de la Malla, Jo-Anne McArthur, Jose Valle, Kelly Guerin, Kristo Muurimaa, Konrad Lozinski, Louise Jorgensen, Luis Tato, Paul Hilton, Sabine Grootendorst, Selene Magnolia, Stefano Belacchi, Tamara Kenneally, Timo Stammberger, entre outros que serão anunciados.


Fotografia: Jan van Ijken | Países Baixos 

A edição realizada por We Animals Media, pelo reconhecido jornalista e editor de fotos Keith Wilson e do designer de renome mundial David Griffin. Keith que é membro da Royal Geographical Society, fundador e ex-editor das revistas Outdoor Photography e Wild Planet e David foi o editor visual do The Washington Post, diretor de fotografia da National Geographic e ocupou muitos outros cargos de design e fotografia na mídia tiveram a colaboração na edição de cores a co-editora do Photographers Against Wildlife Crime, a fotógrafa Britta Jaschinski e Sarah Janson

O projeto foi colaborativo e contou com financiamento coletivo por meio da página HIDDEN: Animals in the Anthropocene, by We Animals onde é possível ver algumas das imagens mais explícitas e brutais do coletivo que coloca em evidência a violência e a crueldade com que os animais são tratados e que chegam à mesa dos consumidores carregados de sofrimento. 


Fotografia: Aitor Garmendia | Espanha

“Estou simplesmente maravilhado com esses fotógrafos. De certa forma, eles são como fotógrafos de guerra, exceto testemunhas de uma guerra que tantas pessoas optam por suprimir que existe. Isso exige uma enorme força interior e uma determinação sanguinária, porque eles não podem salvar nenhum dos animais que fotografam; eles só podem esperar que suas fotos ajudem a iluminar o extermínio em massa que ocorre a cada segundo de cada dia em todo o planeta. Para mim, eles são heróis. Não apenas por um dia, mas indefinidamente.” Nick Brandt, fotógrafo.

VEJA MAIS:


HIDDEN: Animals in the Anthropocene, by We Animals
Dimensões: 320 × 240 mm - formato retrato 12,6 ″x 9,5 ″
320 páginas | 204 imagens históricas
Impressão em 4 cores, 3 propagações em gatefold
Capa dura + estamparia e debossing
Impresso na Itália em papel de origem sustentável
HIDDEN é uma edição limitada colecionável
Publicado por We Animals Media
Distribuidor italiano: Safarà Editore
Distribuidor mundial:  Lantern Publishing and Media

Lançamento entre novembro e dezembro, disponível na Amazon. 
Fonte: The Guardian 

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

As fotos vencedoras do concurso “People”, do The Independent Photographer

novembro 16, 2020 | por Camila Camargo

Com trabalhos de diferentes lugares do mundo, a competição celebra a beleza na diversidade humana 

Foto do sul-coreano Marcin Jozefiak foi a primeira colocada

O The Independent Photographer é uma rede que surgiu em 2016 com a ideia de conectar fotógrafos e entusiastas no mundo todo, principalmente, como suporte a artistas independentes. Por meio de concursos e premiações, a rede concede destaque a profissionais que muitas vezes estão em início de carreira, e assim podem apresentar seus trabalhos a júris consagrados. Um dos mais recentes concursos foi o "People", uma busca por imagens que representassem a diversa beleza humana, proveniente dos mais diferentes cantos do mundo. O jurado foi o Peter DiCampo, fotógrafo e co-fundador do aclamado projeto "Everyday Africa". A vitória, foi para a foto do sul-coreano Marcin Jozefiak.

Intitulada "Not for everyone" (Não para todo mundo), a imagem é apenas parte do trabalho de Marcin sobre subculturas sul-coreanas que se transformará em livro no começo do ano que vem. Inclusive, já tem agenda para exposição em Milão e Berlin. Em sua avaliação, Peter comentou que a imagem transparece suavidade, mostrando as subculturas coreanas e portanto, a sua diversidade. Uma pessoa que em outro ambiente pode aparentar dureza, é mostrada com vulnerabilidade e humanidade, que com os tons suaves da imagem, os braços cruzados e a cabeça em repouso, contribui para o sucesso e intimidade da fotografia. 

Junto da imagem de Marcin, outras nove fotografias foram finalistas. o segundo lugar ficou para o fotógrafo britânico Mat Hay e o terceiro para outro coreano, Heun Jung Kim. 

O The Independent Photographer ainda premiará esse ano as melhores fotografias em preto e branco. As inscrições vão até 30 de novembro.

"Alice e Sarah no trailer da família", fotografia de Mat Hay, segunda colocada

"Tae Jung e Ha Ru", fotografia de Heun Jung Kim, terceira colocada

"Nwunye"(casamento tradicional), fotografia de Ali Dahiru, finalista

"Pioneiros", fotografia de Eduard Korniyenko, finalista


"Retrato por uma janela na chuva", foto de Kodiak Greenwood, finalista

"Fantasias de inverno", fotografia de Maria Gutu, finalista

"Coleta de plantas aquáticas", fotografia de Shibasish Saha, finalista

"Retrato da minha mãe", fotografia de Sirli Raitma, finalista

"Pimenta ouro-vermelho da Sérvia", fotografia de Vladimir Zivojinovic, finalista