segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Artista leva light painting a outro nível

setembro 27, 2021 | por Resumo Fotográfico

Todo fotógrafo conhece ou mesmo já experimentou a técnica de light painting, que consiste em registrar em longa exposição um desenho feito com algum objeto luminoso. O artista visual finlandês Hannu Huhtamo, no entanto, levou essa prática a um outro nível de detalhes. Usando diferentes fontes de luz e com muita paciência, Hannu cria esculturas intrincadas, representando plantas e animais em meio a natureza.

“Tudo o que você vê na foto realmente aconteceu durante a exposição”, disse Hannu Huhtamo ao site My Modern Met. “Há algo de mágico nisso. Quando você desenha com os olhos vendados, deve se concentrar totalmente nos movimentos do corpo e na memória muscular. É desafiador, mas também recompensador. Essa experiência faz você querer empurrar os limites cada vez mais alto. Ainda acho uma maneira realmente inspiradora de me expressar.”






Para saber mais sobre o trabalho de Huhtamo e também ver um pouco dos bastidores de algumas de suas criações, acesse seu site ou Instagram.

   

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Elas remodelaram a fotografia moderna com seus retratos e autorretratos

setembro 24, 2021 | por Adriana Vianna

Tsuneko Sasamoto, Tóquio, 1940 |  Japan Professional Photographers Society

Esse retrato da fotógrafa japonesa Tsuneko Sasamoto segurando sua câmera foi tirado por um fotógrafo desconhecido. Ela teve que aprender a profissão rapidamente no trabalho e lidar com a exigência de usar saias e salto alto, o que às vezes dificultava sua habilidade de tirar as fotos certas. O Japão estava em meio a uma guerra com a China e logo entraria na Segunda Guerra Mundial. Por ser mulher, Sasamoto não podia estar na linha de frente. Em vez disso, suas atribuições incluíam cobrir enviados diplomáticos e histórias de interesse especial destinadas a estimular o patriotismo e a unidade nacional. Várias de suas fotos, como abaixo, apareceram no semanário de ampla circulação Shashin Shuho, publicado pelo Departamento de Inteligência do Gabinete de 1938 a 1945. 

Tsuneko Sasamoto, sem título , 1940 | Japan Professional Photographers Society

Mesmo dentro desse ambiente de trabalho restrito, a posição de Sasamoto lhe proporcionou muitas experiências novas, como viajar sozinha para fora de Tóquio. Mais tarde devido a uma doença familiar e passou os anos da guerra fotografando para um jornal local na cidade de Chiba. Em 1946, ela voltou para Tóquio, trabalhando principalmente como fotógrafa freelancer, em parte porque a grande imprensa e as agências relutavam em contratar mulheres. Desenvolvendo suas próprias histórias, ela examinou as lutas e o entusiasmo da sociedade do pós-guerra e ganhou fama por seus retratos, cujos temas variavam de artistas e escritores a esposas de mineiros de carvão em greve.

Tsuneko Sasamoto, Ginza 4 Chome PX., 1946 | Coleção do Museu de Arte Fotográfica de Tóquio

Sasamoto é uma das 120 fotógrafas que estão na Exposição “The New Woman Behind the Camera” que mostra como elas queriam ver e serem vistas. Cansadas das antigas rotinas, a busca pela nova estética feminina nasceu nos anos 20 e eclodiu na fotografia com a ideia libertária de uma nova mulher como fenômeno de seus desejos e prazeres além das vivências domésticas.

A expressão “nova mulher'' incorporou um ideal de empoderamento feminino baseado em mulheres reais que trouxeram para a fotografia suas aspirações. Na literatura é a personagem Nora que vai apontar o caminho no final da peça A Doll's House de Henrik Ibsen, em 1879. Nora sai de casa, cansada do papel social de “boneca infantil”, primeiro para o pai e depois para o marido. A peça, encenada na Inglaterra em 1889, revela uma mulher emergente que seria batizada pela escritora irlandesa Sarah Grand, alguns anos depois.

Consuelo Kanaga, Annie Mae Merriweather, 1935 | The Metropolitan Museum of Art / Art Resource, NY

A revelação central da mostra é o fato de que a Nova Mulher do início do século XX encontrou um lar natural na fotografia comercial. Elas exploraram temas sobre a cidade, experimentação de vanguarda, abordagens etnográficas, moda e publicidade, documentário social, corpos modernos e reportagem - cada uma concedeu um espaço próprio. Como as críticas às normas de gênero colidiram com o surgimento da Picture Press e as duas guerras mundiais empurraram as mulheres ainda mais para o mercado de trabalho, a moda e a fotografia de retratos foram consideradas, em vários graus culturais, atividades socialmente aceitáveis, e mais mulheres tiveram maior acesso a esfera pública. A importância da fotografia comercial, embora representada em maior número nas paredes do MET, realmente se esclareceu apenas com os textos do catálogo, considerando-os essenciais para a compreensão da interação entre a Nova Mulher emergente e o meio em desenvolvimento.

Claude Cahun, Autorretrato, ca. 1927 | Wilson Center for Photography

Da estética podemos destacar: calções esportivos (depois calças) e cabelos curtos, “vestido racional” e com alguma androginia de leve, poses ao lado de bicicletas com um cigarro eram comuns, exalando liberdade e liberação sexual. Enfrentando obstáculos diferentes de seus pares de classe trabalhadora (mulheres que já trabalhavam fora) e aristocráticas (que tinham mais liberdade em geral), a mulher burguesa do século XIX se esforçou para se libertar dos confins do "anjo vitoriano da casa", um tipo ideal que enfatizava uma separação entre espaços públicos e privados, em si uma função da classe média em desenvolvimento. Esse tipo de presença feminina aparece na literatura de Virgínia Woolf, sobretudo no texto “Anjo do Lar” onde a autora chega a assassinar o Anjo (ela mesma, a outra) por medo que essa lhe reprimisse a criação na escrita. A Nova Mulher (ou nouvelle femme, neue Frau, modan gāru, xin nüxing, al-mar 'a al-jadida) se desenvolveria no século XX, à medida que as mulheres em todo o mundo buscavam novas liberdades.

Madame d'Ora, Actress and dancer Elsie Altmann-Loos, 1922 | Photostudio Setzer-Tschiedel, Vienna

D'Ora retratou mulheres, dizia, "como elas gostariam de ser vistas". Raramente é tão simples, mas como a publicidade foi totalmente transformada com o advento da fotografia, a experimentação ali poderia realmente confundir os limites entre o comercial e o artístico, o realista e o abstrato. The New Vision procurava refletir a realidade do cotidiano com sua geometria, fotomontagem e abstração, espalhando-se paralelamente ao surrealismo fotográfico, do qual as mulheres participavam muito mais do que como musas. As fotomontagens de Hannah Höch, Marianne Brandt, Toshiko Okanoue e Grete Stern retratam uma modernidade fragmentada e frenética, criticando as normas de gênero, a desigualdade e a guerra. O nu de Yvonne Chevalier (Nu féminin, 1930) é um estudo sobre sensualidade abstraída e sem gênero. O autorretrato de Ergy Landau, em 1932, mostra a fotógrafa em um vestido totalmente escuro, posicionando o corpo e a câmera para capturar um nu serpentino no chão, uma torção no tropo odalisco.

Yvonne Chevalier, Sans titre [Nu féminin], ca. 1930 | Succession Yvonne Chevalier

Desse modo, a relação entre mulheres e fotografia se desdobra em "A nova mulher por trás da câmera" não tanto como história linear, mas como um processo tortuoso de ver e ser visto; retratando, sendo retratado e retratando de novo. Em cada sala e ensaio, ela ameaça estourar a moldura, resistindo à contenção por qualquer categoria, tema ou definição. Muitos ensaístas assinalam áreas de estudo que esperam que sejam mais exploradas; isso seria bem-vindo, especialmente de partes do mundo menos representadas aqui. A exposição dá a sensação de um começo explosivo, justo, meticuloso e às vezes confuso - diz Lucy McKeon.

Hannah Höch, Self-portrait, c.1926

Hannah Höch

Fontes: Aperture, MET Museum, National Gallery of Art

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Fotofalando #19 - Daniela Dib

setembro 23, 2021 | por Resumo Fotográfico



Neste sábado (25), às 14h, vai ao ar mais uma edição do Fotofalando, programa de entrevistas e debates do Resumo Fotográfico, transmitido através do YouTube. Adriana Vianna conversou com a fotógrafa gaúcha Daniela Dib, autora do livro “Aqueles Dias”, publicado pela Editora Origem.

Sobre a fotógrafa

Daniela Dib nasceu em Porto Alegre, no ano de 1974. Estudou Desenho Industrial (Ulbra/1992) e Produção Cultural (Faap/2011). Trabalhou por 19 anos na Ford Models Brasil como Booker. No ano de 2015 nasce sua primeira filha, e é nesse momento que ela decide encerrar o ciclo de trabalho com a moda, para dedicar-se a criação dela. Em 2018 iniciou seus estudos em Fotografia Autoral no MAM/SP e desde então dedica-se a fotografia. Daniela sente a fotografia como seu refúgio e um modo de se expressar artisticamente. Em 2020 foi premiada no edital ‘Arte como Respiro’ do Itaú Cultural, em 2021 foi finalista do primeiro Prêmio Lovely, na categoria fotolivro, e finalista do 10º Prix Photo Aliança Francesa.

Para conhecer mais sobre o trabalho de Daniela Dib, acesse: www.danidibphoto.com

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Oficina online: Retratos e Autorretratos Conceituais com Objetos Afetivos

setembro 22, 2021 | por Resumo Fotográfico

A partir de Susan Sontag e três breves estudos de caso na literatura de Clarice Lispector


“Double Portrait”, de Dora Maar, 1930

Nos dias 20, 22 e 25 de outubro, a fotógrafa e professora Adriana Vianna vai ministrar mais uma edição da oficina “Retratos e Autorretratos Conceituais com Objetos Afetivos”. As aulas serão online, através da plataforma de videoconferências Zoom.

As inscrições devem ser realizadas pelo Sympla.

Sobre a oficina

Propomos uma prática poética de diálogo entre palavra e fotografia, jogando com a memória e a imaginação; convidamos para o ato fotográfico que envolve a apropriação do espaço onde a pessoa se encontra em relação aos objetos com os quais convive e os sentimentos que experimenta durante o processo artístico. Como conclusão faremos uma edição de ebook com uma literatura visual e outras linguagens artísticas que surgirem, de modo que nossa apresentação seja um memorial coletivo desse período.

Veja o ebook publicado com o conteúdo da primeira oficina no FlippingBook ou Issuu.

Bolsas de estudos

Serão concedidas 5 bolsas de estudos integrais. Interessados devem enviar currículo resumido e carta de intenção para o email adriana@resumofotografico.com, até o dia 1 de outubro.

Sobre a professora

Adriana Vianna escreve regularmente sobre fotografia na página do Resumo Fotográfico, onde expõe tendências para filosofia da imagem, curadoria e crítica, com ênfase no universo feminino. É formada com Licenciatura Plena em Artes Visuais, Especialização em Filosofia e Arte, e estudos em Fenomenologia no Doutorado da Universidade de Filosofia Nova de Lisboa, Portugal. No Rio de Janeiro trabalhou na Galeria Paulo Fernandes. Vivendo em Minas Gerais há oito anos, leciona História da Arte e sobre Mulheres na História da Fotografia. Seus projetos pessoais envolvem a fotografia autoral e conceitual, autorretratos e processos artísticos que contornam a poética do Tempo e do Efêmero.

SERVIÇO
Oficina “Retratos e Autorretratos Conceituais com Objetos Afetivos”
Data: dias 20, 22 e 25 de outubro de 2021
Horário: de 19h às 21h
Inscrições: R$ 100, através do Sympla
Local: online, através da plataforma Zoom (o link será enviado após a inscrição)
Informações: contato@resumofotografico.com ou adriana@resumofotografico.com

terça-feira, 21 de setembro de 2021

“Casa/casulo” de Gilma Mello

setembro 21, 2021 | por Resumo Fotográfico

Em “Casa/casulo”, a artista Gilma Mello apresenta uma série de autorretratos com fotografia híbrida, realizado em setembro de 2020, durante o confinamento decorrente da pandemia.















Tempo de primavera
As flores não se importam
Se você pode vê-las,
se você está em casa,
se você está com alguém ou não
Elas seguem seu curso.
Tempo.

Mas o que importa mesmo?
O sol nasce,
e se põe todos os dias.
A lua segue sua rotina de fases.
Dias, horas, meses, minutos
e o relógio também não se importa
se você está em casa,
se você está com alguém ou não,
ele segue.

O que realmente importa
Não importa mais
Os rios seguem seus cursos
As árvores perdem as folhas no outono
E também não se importam.

Os dias passam rápido
As noites são longas, sem fim
embaladas pela minha insônia
Mas não importa
Com poucas horas dormidas,
acordo de manhã com impotência
misturada com cansaço e tédio
Mas não importa

Estar só ou não,
dormir ou não
estar entediada ou não.
Vejo o tempo passar pela janela
Contando o tempo, entender que posso
apenas cuidar
Num tempo fora do tempo

Em um universo paralelo, só meu
continuo sem me importar
Se estou só ou não
Mas penso, penso todos os dias
no que realmente importa
neste estar isolada
Tempo louco
que nos leva em frente
Só me resta esperar, sem pressa

Tempo de quarentena
Tempo de esperar
Tempo para pensar
Refletir e meditar
Tempo de limpar e cozinhar
Tempo de ser feliz
Tempo de amar
Sobre a fotógrafa

Natural do Rio de Janeiro, radicada em Florianópolis, Gilma Mello ingressou nas Artes Plásticas através das oficinas de artes do Centro Integrado de Cultura, em 1983, quando participou de vários curso e oficinas. Em 1986, fundou o grupo de estudos e pesquisas junto com a artista plástica Iolanda Pereira. Atualmente desenvolve trabalho híbrido, misturando fotografia, colagem, pintura com pigmentos minerais e impressões com placas de ferro sobre telas.

Para conhecer mais sobre o trabalho de Gilma Mello, acesse: www.mellogilma.com