quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Felipe Russo lança livro na Fauna Galeria

“Centro” apresenta 21 imagens que mostram os rastros vazios do centro de São Paulo. O lançamento da obra, que acontecerá no dia 04/10, será marcado por um bate-papo com a participação de Guilherme Wisnik e Beatriz Matuck.

Felipe Russo se contrapõe ao que sabemos e entendemos sobre as cidades. Ao invés de pessoas, a massa que transita e se esbarra diariamente, congestionamento e correria, o fotógrafo mira o seu olhar para a solidão e o anonimato da grande metrópole. São os rastros vazios, nem sempre compreensíveis, como as pegadas sobre o cimento fresco, lixos no chão, calçadas remendadas e azulejos quebrados, por exemplo.

O fotógrafo pesquisou e desenvolveu essa temática durante o seu mestrado na Hartford Art School, nos EUA. “Percorri o centro de São Paulo antes dele acordar. Carrego uma câmera 4×5 por longas e repetidas caminhadas em busca de uma experiência inversa desse espaço, marcada pelo silêncio, pelo vazio e pela possibilidade de olhar com calma”, explica. A tese desenvolvida por Felipe Russo deu origem ao livro “Centro”, que será lançado no dia 04 de outubro, a partir do meio-dia, na Fauna Galeria.

A ideia é promover um bate-papo com o autor e o público presente, que poderá entender melhor a pesquisa, o processo criativo do artista, a sua relação com a cidade de São Paulo, entre outras questões. Para o encontro, o fotógrafo também convidou Beatriz Matuck, responsável pelo projeto gráfico da obra, que conta com 21 fotografias, e Guilherme Wisnik, que assina o texto de apresentação do livro.

Felipe Russo falará, por exemplo, sobre a razão pela qual escolheu fotografar o centro de São Paulo sempre muito cedo, geralmente às 5h, o que deu às imagens uma atmosfera ainda mais intimista, quando a luz é suave e as ruas estão desertas. Guilherme Wisnik acredita que a ausência de densidade é recompensada justamente por oferecer ao fotógrafo o rastro vivo da passagem das pessoas, mas não só isso:

“Se o flanêur de Baudelaire é o artista que se mistura e se perde no meio da multidão, isto é, do tumulto urbano, o fotógrafo Felipe Russo flana por São Paulo em sentido inverso. Seu olhar procura os rastros vazios. Mas não apenas os vestígios da passagem humana recente. Através de suas fotos, a cidade parece ter ela mesma algo como uma existência própria, autogerada, visível nas placas de piso que se levantam levemente como se fossem placas tectônicas deslizando, no poste que se dobra estranhamente sobre o chão, nas portas que se abrem para o nada (o que será que elas fecham?), ou no concreto carcomido do poste”, diz.

“Centro” é uma autopublicação, viabilizado pelo próprio Felipe Russo, com tiragem de 1000 exemplares. “O livro foi pensado como objeto, fruto de um trabalho intenso de pesquisa e exercício prático. É através desse suporte que o discurso chamado de centro se faz inteiro. Quis traduzir todo o peso presente no silêncio, para que haja uma reflexão sobre a nossa existência dentro de uma grande metrópole”, afirma o fotógrafo.

Exposição

Algumas das fotografias presentes do livro podem ser vistas pelo público na exposição “Centro, 738”, que fica em cartaz até o dia 18 de outubro naFauna Galeria. Além de Felipe Russo, a mostra conta ainda com trabalhos de Nico Silberfaden, que mostra aos visitantes as imagens da cidade de Los Angeles como um lugar imaginário, carregado de deslocamento, solidão e de desejo de pertencimento. A exposição é de terça a sexta, das 14h às 19h, e sábados, das 11h às 17h.

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